Ala Radical da direita toma posição na Disputa EUA x China

Escrito por Daniel Miorim de Morais

Leitadas se pronuncia em discussão intensa com Brasil em Fúria

Protestantes Americanos

No complexo cenário político brasileiro, onde as divisões ideológicas se entrelaçam com questões globais de poder e influência, emerge uma faceta particularmente radical da direita: a ala vaporwave. Essa corrente, caracterizada por uma estética retrô-futurista inspirada na cultura digital dos anos 80 e 90, misturada a memes, ironia e críticas acirradas ao establishment, tem um papel histórico como a ala mais radical, com uma postura anti-establishment e pró-ocidental. Perfis como @Iamnotjiao e @L3itadasl03n (conhecido como Leitadas) exemplificam essa tendência, posicionando-se firmemente contra o que veem como influências autoritárias "chinesas" no Brasil, enquanto defendem ações impetuosas da era Trump e símbolos americanos como forma de resistência à esquerda local.

Essa ala não se alinha cegamente ao bolsonarismo tradicional, mas usa sua plataforma para destacar valores universais como liberdade de expressão, soberania individual e oposição a estruturas de poder centralizadas. Em meio a debates acalorados sobre a disputa global entre Estados Unidos e China, esses influenciadores argumentam que o Brasil corre o risco de cair em padrões de dominação semelhantes aos do regime chinês, onde o Estado detém controle absoluto, incluindo pena de morte, armas nucleares em mãos de partidos políticos e um judiciário com poder soberano irrestrito. Essa visão ganhou tração recente em uma discussão pública com o perfil @brasilemfuria (Brasil em Fúria), um monarquista e nacionalista que defende a soberania brasileira acima de intervenções estrangeiras, revelando fissuras internas no debate público brasileiro.

O Contexto Geopolítico: EUA x China e o Brasil no Meio do Fogo Cruzado

Para entender o posicionamento dessa ala radical, é essencial contextualizar a crescente tensão entre EUA e China, que afeta diretamente o Brasil. A China, sob o regime do Partido Comunista Chinês (PCC), tem expandido sua influência na América Latina por meio de investimentos em infraestrutura, comércio e parcerias políticas. No Brasil, isso se manifesta em acordos bilaterais, como a recente Declaração Conjunta Brasil-China assinada pelo governo Lula, que inclui itens controversos como o reconhecimento de Taiwan como parte inseparável da China e o apoio à "reunificação pacífica" – uma posição que ignora o caráter democrático de Taiwan e alinha o Brasil com a retórica expansionista de Pequim. Críticos, incluindo a ala vaporwave, veem isso como uma entrega de soberania, comparando-a a "caminhos tipicamente chineses de dominação", onde o Estado centralizado suprime dissidências com ferramentas como pena de morte para opositores políticos, controle nuclear absoluto e um judiciário subserviente ao partido no poder.

Do outro lado, os EUA, especialmente sob a influência trumpista, posicionam-se como defensores da liberdade contra o que chamam de "ameaça comunista chinesa". Relatos indicam que os EUA estão preocupados com a "invasão" chinesa na América Latina, incluindo o Brasil, onde facções narcotraficantes – supostamente ligadas ao PT – são vistas como potenciais narcoterroristas. Bolsonaro, por exemplo, é descrito como um agente pró-EUA, enquanto Lula e Alexandre de Moraes seriam alinhados à China. Essa narrativa é ecoada em posts como o de @CajiSaldanha, que descreve o Brasil como palco de uma "guerra fria" entre as duas potências, com Lula usando o Itamaraty para intimidar críticos e alinhar o país aos BRICS, grupo que inclui China e Rússia.

A ala vaporwave, nesse contexto, opta explicitamente pelo lado americano. Eles defendem ações como hastear a bandeira dos EUA em manifestações e elogiam as políticas de Trump contra a "elite política da esquerda", especialmente contra figuras como Alexandre de Moraes, ministro do STF acusado de censura e perseguição política. Essa postura reflete uma rejeição ao que veem como "valores chineses" infiltrando o Brasil. Eles veem o PT e o STF como extensões de um modelo de dominação onde o Estado detém ferramentas absolutas de controle, similar à China, onde dissidentes são executados, o nuclear é monopólio do PCC e o judiciário serve ao partido.

A Treta entre Leitadas e Brasil em Fúria: Soberania vs. Valores Universais

A discussão recente entre @L3itadasl03n (Leitadas) e @brasilemfuria (Brasil em Fúria) exemplifica as tensões internas na direita brasileira, especialmente no contexto US x China. Em uma série de trocas acaloradas no X, datadas de 08 e 09 de setembro de 2025, os dois debatem soberania nacional versus intervenção estrangeira, com referências implícitas a modelos autoritários.

Tudo começa com Brasil em Fúria provocando Leitadas sobre uma "chapa TarCiro" (Tarcísio de Freitas e Ciro Gomes), chamando os apoiadores de Leitadas de "doidinhos" e prevendo que seriam "moggados" (derrotados) por uma aliança nacionalista. Leitadas responde com ironia, postando uma imagem, ao que Brasil em Fúria rebate chamando-o de "jacobino invejoso" e elogiando a chapa como união de classes contra o "estamento burocrático" – uma crítica ao judiciário e ao PT, vistos como soberanos absolutos. Essa troca evolui para debates mais profundos sobre soberania: Brasil em Fúria acusa Leitadas de hipocrisia por apoiar Trump (chamado de "presidente envolvido na Ilha de Epstein") e o "Satã do Norte" (EUA), enquanto defende a independência brasileira contra intervenções estrangeiras, incluindo as dos EUA.

Leitadas, por sua vez, defende valores universais, argumentando que defender Lula e Moraes é equivalente a apoiar "mais 16 anos de PT soberano" e "30 anos de Alexandre de Moraes no STF". Ele compara o poder soberano no judiciário brasileiro a "caminhos tipicamente chineses", onde o Estado detém pena de morte, bombas nucleares (metaforicamente, no PT) e controle absoluto, suprimindo liberdades. Leitadas vai além, dizendo que apoiaria até o Mossad para derrubar o regime, priorizando a democracia sobre soberania nacional absoluta. Brasil em Fúria rebate, chamando-o de irracional e emocional, defendendo que Lula e Moraes são "temporários", mas o Brasil é "eterno", e propondo soluções internas como a chapa TarCiro para uma economia de mercado multipolar.

Essa treta revela uma divisão: de um lado, nacionalistas como Brasil em Fúria, que veem qualquer apelo internacional (como a Trump) como traição, similar ao que Lula tentou em 2018; do outro, radicais vaporwave como Leitadas, que priorizam valores universais anti-autoritários, vendo o alinhamento Brasil-China como ameaça maior. Em posts paralelos, Brasil em Fúria critica o apoio a leis estrangeiras para mudar decisões nacionais, enquanto Leitadas ironiza a defesa da "soberania de Lula e Alexandre de Moraes".

Implicações para o Bolsonarismo e o Brasil

Posts de outros usuários, como @giraldirenato, destacam como Trump pressiona a América Latina a escolher lados, com o Brasil no centro devido a sua importância econômica. Lula, por sua vez, é acusado de provocar os EUA, como em declarações na CNN criticando Trump pelo Capitólio, o que poderia levar a tarifas sobre o agro brasileiro.

No fundo, a treta reflete um Brasil dividido entre soberanistas que temem perda de independência para os EUA e universalistas que veem a China como modelo de dominação a ser combatido. Com o governo Lula aprofundando laços com Pequim – incluindo acordos que ignoram violações de direitos humanos na China, como campos de concentração e pena de morte para dissidentes –, a ala vaporwave alerta para um "Brasil chinês", onde o PT detém o "nuclear" político e o judiciário soberano esmaga oposições.
Essa dinâmica não é isolada. Posts como o de @brasildefato mostram Lula elogiando debates históricos sobre ditadura militar, enquanto críticos como @leonardo1opes denunciam prisões arbitrárias no Brasil atual, comparando-as à "democracia do terror". A ala vaporwave, com sua estética irreverente, amplifica essas críticas, usando memes para expor hipocrisias.