Subsídio não resolve o problema no longo prazo

Escrito por Aranea

Congressistas americanos querem subsídio de $40 bilhões para fazendeiros

O presidente Donald Trump assina ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca em Washington na segunda-feira, 20 de janeiro de 2025, após sua posse como 47º presidente — Foto: Doug Mills/The New York Times

O mercado de agricultura americano já está sofrendo há um tempo com retaliações das tarifas realizadas pelo governo Trump neste ano. De um lado isso aumenta os custos de importação visto que as tarifas no fim aumentam proporcionalmente o preço dessas commodities visto que os exportadores estrangeiros devem manter a margem de lucro mesmo que elas existam.

Pode ser visto na (Reuters) como o mercado americano vem sendo impactado tanto nesse semestre, que congressistas estão pedindo uma ajuda de $ 40 bilhões de dólares para agricultores, visto que as retaliações de tarifas atingem a possibilidades deles importarem matéria prima a preços normalizados, o que atinge o custo de produção significativamente, e impede níveis de fluxo de caixa necessários para que primeiro eles possam quitar juros de investimentos realizados, e quem sabe, ter lucro.

Quero aqui demonstrar, como essa política não funciona, ela é irracional, mesmo que as tarifas sejam um problema (pois sempre poder gerar retaliações), resolver o problema com subsídio (de dinheiro dos pagadores de impostos) não resolve o problema no longo prazo, ou seja, é inútil sempre que o mercado de agropecuária apertar, você resolver o problema com o band-aid que é o subsídio.

A parábola do Pai e o Filho de Bastiat

Frederic Bastiat era conhecido pelas suas formas didáticas de expor suas ideias de livre mercado, a parábola do pai e o filho é uma das que mais gosto, e creio que tem como aplicar ela aqui se vermos ela de uma perspectiva correta.

Ela é bem simples. Um pai tinha uma fazenda que produzia apenas batata e milho em n hectares, ele importava matéria prima de londres, sendo um morador da frança, sejam sementes, fertilizantes, equipamento, sendo que comprava localmente o que tinha um custo–benefício maior que o da importação.

Esse empresário tinha poucos empregados, só duas commodities sendo produzidas em toda sua terra, dependia sim de fornecedores chave para operar, mas sempre com uma margem de lucro aceitável, e gerando um lucro líquido considerável, o suficiente para ele se manter e relativamente, mas vagarosamente crescer, além de guardar uma boa poupança para eventuais problemas, seja para a empresa, ou com a família.

O Pai morre, e o Filho toma seu lugar

Em dado momento, depois de aprender tudo que seu pai sabia, o filho assumiu seu posto. Agora ele era o homem da casa e deveria fazer a empresa prosperar, seja para ajudar sua mãe, esposa e filhos. Porém, ele não via seu pai com bons olhos, sua forma de administrar.

Ele então partiu toda a terra em 8 tipos de commodities para cultivo, pegou o dinheiro da poupança de seu pai, e gastou em todo o tipo de formas de produzir tudo ele mesmo sem depender de importações como ele. ele queria ser autosuficiente, assim poderia crescer sem depender dos outros e ter um repertório de produção muito maior, assim atendendo o mercado de forma mais ampla.

Como ele teve que contratar muitos novos funcionários e gastou muito para construir um moinho e uma vinha para gerar vinho para si mesmo e vender o surplus, a poupança que era de seu pai acabou, e vendo que seus gastos eram elevados, teve que pegar empréstimos num banco, mas ainda sim acreditava que estava no caminho certo.

O fim do filho

Inicialmente o investimento parecia ser um sucesso. Agora ele plantava milho, batata, cevada, trigo em partes da fazenda, assim era fornecedor demais commodities que seu pai, mas com a mesma terra. Porém, logo ele viu que o custo para gerenciar diferentes alimentos que precisam de cuidados com fertilizantes e substância em taxas diferentes, logo elas começaram a ter um custo acima do usual, e sem know-how para resolver o problema, e com orgulho de não querer voltar a forma que seu pai fazia, ele ignorou o problema pensando que era só temporário.

O custo dos seus trabalhadores começou a ser outro problema, a eficiência deles não valia o suficiente pelo custo de todos. A vinha era pequena, e caso não rendia surplus e a família acabava consumindo tudo, o moinho só gerava custo, ele não conseguia moer os grãos com a mesma eficiência que as empresas terceirizadas que seu pai contratava, e assim cada seção de seu negócio gerava mais dívidas do que faturamento.

No fim, o filho teve que vender a fazenda por um preço bem abaixo do usual, ele também era dado a comprar sementes de péssima qualidade nas feiras locais (que eram bem fracas comparadas a importar do exterior), e estava mais fora da empresa do que dentro antes de vender (adaptei essa parte de um poema do Nicolas Gogol), além de seus funcionários mal administrados ficarem mais preguiçosos cada vez mais por serem mal pagos.

Aplicação da Parábola

Eu realmente só parafraseei essa parábola de uma forma que eu gosto de contar, o Bastiat usa outros termos e formas mas no fim a ideia era a mesma. Alguém que “protege” sua nação contra o mercado exterior ou que tenta gerar atritos para se posicionar no mercado, gera retaliações que ferem o mercado nacional no fim, todos os países hoje dependem uns dos outros para comprarem o que eles mesmos não produzem com a mesma eficiência (como a Europa depende da Rússia em Gás Natural).

Decidir gerar medidas protecionistas quando existem bens inelásticos que são extremamente necessários para empresas no país, pode gerar o efeito contrário dessas medidas, e vemos não só empresas sendo afetadas pelo aumento de custo que tarifas de retaliação do exterior implicam em coisas como matéria prima, mas mesmo o consumidor local com preços maiores, não só no setor alimentício, mas em diversos outros que foram tarifados externamente.

Subsídio resolve o problema?

No geral, o subsídio não resolve o problema. Se empresas por algum motivo se encontram numa condição não satisfatória, seria melhor deixar elas irem à falência em dado momento. Parece meio agressivo demais, mas se diversas empresas só sobrevivem por conta de subsídio constante, temos um problema, elas não conseguem lidar com as flutuações do mercado.

Porém, levemos em conta que o próprio governo pode criar os problemas que afetam essas empresas para início de conversa, sejam com impostos elevados ou com uma legislação que impede que elas operem em sua liberdade, fazendo elas escravas de leis sem sentido, que no fim são irracionais e sem lógica economicamente falando, e por isso deveriam deixar de existir.

Tem sempre outras formas de resolver o problema que os EUA possuem nesse semestre no setor de agricultura, o problema é que economistas presos no passado, sempre cometem os mesmos erros, e nunca entendem que talvez algo como o subsídio, não seria a melhor das soluções, que por sinal, representa $ 40 bilhões de dinheiro público, dinheiro do povo, e não gerado pelo governo endogenamente.