Tarcísio diz que não quer concorrer à Presidência

Escrito por Vitor Gomes Calado

Tarcísio descarta Presidência em 2026 e diz que buscará reeleição em São Paulo.

Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. Foto: Pablo Jacob/ Governo do Estado de SP.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a afirmar nesta quarta-feira (17) que não pretende disputar a Presidência da República em 2026. Durante compromisso em Araçatuba, no interior paulista, ele foi direto ao responder sobre seus planos eleitorais: «Pretendo concorrer à reeleição».

A declaração ocorre no momento em que o cenário político ainda repercute a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado. Embora Tarcísio já tivesse dito em outras ocasiões que seu objetivo é seguir no Palácio dos Bandeirantes, foi a primeira vez que reforçou publicamente essa posição após a decisão do STF.

O governador é visto por aliados de Bolsonaro e setores do Centrão como o nome mais competitivo para herdar o espaço político do ex-presidente, portanto, a declaração de Tarcísio talvez não seja definitiva. Pesquisas recentes, como a realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, apontam Tarcísio como favorito entre os eleitores bolsonaristas. O levantamento mostrou que 46,3% dos apoiadores do ex-presidente preferem o governador de São Paulo como candidato ao Planalto em 2026, caso Bolsonaro permaneça impedido de concorrer. Na mesma pesquisa, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aparece com 25% das intenções, seguido por Michelle Bolsonaro (PL), com 21,5%.

Apesar de descartar a corrida presidencial, Tarcísio tem adotado postura de protagonismo no debate político nacional. No dia 7 de setembro, durante discurso marcado por críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, defendeu a aprovação de uma anistia para os condenados pela tentativa de golpe. Antes disso, Tarcísio, ao especular sobre quais medidas tomaria caso se tornasse presidente, disse que aprovaria anistia. O posicionamento dividiu opiniões: 49,1% dos entrevistados pela Atlas/Bloomberg disseram discordar totalmente das declarações, enquanto 43,5% afirmaram concordar.

Internamente, Tarcísio também enfrentou pressões. Nas últimas semanas, sofreu críticas de aliados de Bolsonaro por não intensificar articulações em Brasília em torno da anistia. O governador chegou a viajar à capital federal para reuniões com líderes partidários, mas recuou após os embates políticos e declarou que «o esforço que tinha de ser feito, foi feito».

Com a sinalização de que deve buscar mais quatro anos em São Paulo, Tarcísio tenta consolidar sua posição no governo estadual enquanto mantém relevância no tabuleiro nacional, mesmo sem entrar diretamente na disputa presidencial de 2026.