A Necessidade de uma Mudança Política Radical

Escrito por Aranea

O Futuro da Teoria Austríaca, está apenas no começo!

Grandes economistas austríacos

A mudança nem sempre é bem-vinda do ponto de vista político, e mecanismo de transição política e econômica pode ser turvo, complexo e pode encontrar muita oposição, vemos isso nas economias de transição do socialismo, e aquelas que foram rápidas na transição como a Polônia, já tinham um certo histórico pré-disposto à mudança. Essa transição que ocorreu nos países membros da USSR não foi congênita, unilateral ou igual, mas essencialmente os que mais se adaptaram à economia de mercado foram aqueles cuja mentalidade desprezava parcialmente os ideais socialistas, e assim a mudança foi mais natural do que forçada por uma crise advinda da Queda Da União Soviética.

Alguém pode perguntar se nós, na América do Sul, precisamos de alguma forma de economia de transição, o globalismo atual permitiu mesmo numa dissonância política diferente em cada país, um grupo de similaridades pelo advento da democracia e economias de mercado capitalistas que tendem a gerar um crescimento apesar do fato que na maioria desses países a própria legislação interna de forma estranha parece visar o contrário da sua função, ao invés de libertar as amarras do protecionismo e da restrição econômica, eles tendem a fazer o contrário, o que pode gerar (e vai gerar sempre) diversos impedimentos econômicos para o avanço de uma nação.

Gosto muito de Robert E. Howard, um dos grandes escritores do século passado, sobre como ele desenhou toda a história de seu Legendarium em algumas poucas páginas, o que foi chamado de “Era Hiboriana”, descrevendo todos os eventos políticos e necessários para um entendimento estrutural dos acontecimentos subsequentes. Nós precisamos fazer a mesma coisa na vida real, precisamos desenham a linha história de raciocínio para conceber os problemas que temos hoje, as causas dos eventos políticos que levaram aos eventos atuais, afinal, a sociedade não apareceu no século presente numa bolha, houveram eventos que levaram as condições atuais e sem entender as mesmas é impossível entender economia, dada que ela é sobre praxeologia e história (segundo Mises, e creio que essa informação é categórica).

Sempre teremos aqueles que querem prever o futuro e criar soluções mirabolantes para o presente, mas creio que nós, sejam libertários, minarquistas, agoristas ou o que for, devemos buscar ao menos gerar ideias que possam no futuro dar um norte para as gerações futuras entenderem os eventos atuais, os erros políticos associados e o melhor caminho a ser tomado. Menger, Von Weiser, Bawerk Mises, Machlup, Hayek, Rothbard e muitos outros buscaram a ideia do que de fato seria a economia, e creio que eles foram mais longe do que qualquer um na busca pela resposta, mas é um erro pensar que todo o avanço correto que eles realizaram param por aí, devemos ir além do status quo assim como eles foram e questionar tudo que nos é apresentado para produzir uma Teoria Austríaca cada vez mais lapidada não na nossa opinião ou desejos pessoais, mas com base na impessoalidade da própria praxeologia (assim como lógica e a matemática) devemos ir além com as bases que nos foram dadas, e buscar o melhor caminho para a prosperidade das nações.

Eu creio que esse deve ser o objetivo do cientista político e o objetivo do economista, buscar a verdade em virtude e trazer a tona todos os erros do passado com base em praxeologia e história. Só assim poderemos realmente cultivar um ambiente econômico e político mais favorável, onde devemos sim ir contra ideias que claramente são estúpidas e irracionais, não por acreditar cegamente nos nossos ideais, mas sim por um sentimento de convicção e de capacidade de explicar os cernes da Teoria Austríaca e até colocar bases à mais para a podar de forma racional e liberal, onde o liberalismo nada mais é que pensar racionalmente sobre política, econômica, direito e história, não é sobre jogar a bases da nossa fé para o alto, pelo contrário, creio que as bases da fé de alguém constroem a virtude dessa pessoa e por fim podem gerar uma ética que pode dar um norte para a interpretação honesta de todas as ciências, negar a fé na ciência é a maior imbecilidade, visto que Deus é onisciente, a ciência nada mais é aprender do que Ele já sabia eternamente, é até uma forma de saber ainda mais sobre Ele, visto que é sua criação.

Mas a ciência não pode consistir de especulação, ela deve ser racional no sentido de que deve buscar a verdade, então se alguém disser que existem mais de 500 nucleotídeos que formam as bases do DNA, essa pessoa estará louca, simplesmente o que ela disse não é verdade, então mesmo a ciência pode eventualmente chegar numa razão absoluta da realidade onde ela apenas descobriu fatos, a verdade. Essa verdade não pode ser alterada por bias e razões políticas, mas deve ser preservada numa sã consciência com uma virtude pura que gera as interpretações sem pessoalidade das mesmas. Enquanto alguns buscarem por fins ideológicos e políticos chegar na ciência econômica, falharão miseravelmente, devemos sim nos ater a uma mudança real política que busca a racionalidade, a impessoalidade de fatores econômicos e por fim, a mais pura característica das relações econômicas, que se encontra: na ação humana.