A Concentração de Capital é maligna?
Estatisticamente, vemos que a concentração de capital que mais tirou pessoas da pobreza
Marx no primeiro volume do Das Kapital trata exatamente da sua predição segundo o modelo de sua teoria, que o avanço do capitalismo como método de produção, iria gerar uma pior qualidade de moradia, de taxa nutricional (principalmente em crianças) disponível (seja em gordura, proteínas, carboidratos e etc), além de uma baixa na qualidade de vida.
Naquele momento da história, não havia factualmente de aferir se ele estava certo ou errado (embora teoricamente sim), mas é um fato estatisticamente, que tudo que Marx disse que o capitalismo iria pior na vida das pessoas, ocorreu exatamente o contrário em países desenvolvidos.
Meu foco neste artigo será demonstrar que a concentração de capital é um bem, que favorece a prosperidade das nações.
Concentração de Capital
Mises diz:
"A riqueza dos empreendedores bem-sucedidos não é a causa da pobreza de ninguém; é a consequência do fato de que os consumidores estão melhor abastecidos do que estariam na ausência do esforço do empreendedor" (Mises, Ludwig von. Planning for Freedom: Let the Market System Work. A Collection of Essays and Addresses. Liberty Fund, 2008, pg. 135).
E também:
"O padrão de vida do cidadão comum é mais elevado nos países que possuem o maior número de empresários ricos. É do interesse material primordial de todos que o controle dos fatores de produção esteja concentrado nas mãos daqueles que sabem como utilizá-los da maneira mais eficiente" (Mises, Ludwig von. Planning for Freedom: Let the Market System Work. A Collection of Essays and Addresses. Liberty Fund, 2008, pg. 135.
O que isso significa? É realmente algo que Pareto talvez foi um dos primeiros a constatar de forma mais clara e detalhada, em que ele constantou estatisticamente que a maior parte da riqueza de uma nação (da Itália nesse caso) ficava na mão de um pequeno grupo de pessoas. E essa não seria uma propriedade apenas de monarquias e aristocracias, mas uma natural da sociedade, onde aqueles que sucedem em obter meios de produção (criar boas empresas num mercado escalável) tendem a ter mais do que aqueles que escolhem ser apenas funcionários.
É um fato que se você for funcionário para o resto da vida, dependendo do setor você não vai passar muito de R$ 10.000 reais, e a média salárial do brasileiro não passa de R$ 3.500 reais (embora depende de região para região geograficamente, pegar a média nacional apenas é irracional). E é um fato que o empresário médio de pequenos negócios não necessariamente passa muito disso no que tira para si se ele tem que reinvestir seu capital continuamente na empresa até ela escalar (na verdade, ele pode ter mais prejuízo no curto--médio prazo, depende do setor).
Porém, é um fato também que os empreendedores honestos que movem a economia do país, dão empregos a n famílias que se sustentam através deles e não poderiam ganhar o mesmo tanto por si mesmos (sem estar empregados por um capitalista), e que são fornecedores de bens presentes e demandantes de bens futuros (a definição de um capitalista por Rothbard).
Quando digo que Pareto fez apenas constatação, essa é a realidade, ele só encontrou o óbvio, e isso é natural. Alguém por inveja pode dizer que quem tem mais dinheiro o acumulou de forma indébita, que foi herdeiro ou coisas do tipo, que deveria redistribuir seu capital para os mais pobres, mas esta é uma falácia, pois os empreendedores já redistribuem para a população na forma de bens de consumo e de mão de obra que gera renda para a mesma, e essa é a forma mais preciosa da prosperidade das nações.
Concentrar capital é um passivo
"A propriedade dos meios de produção não é um privilégio, mas um passivo social. Capitalistas e latifundiários são obrigados a empregar sua propriedade para a melhor satisfação possível dos consumidores. Se forem lentos e ineptos no cumprimento de seus deveres, serão penalizados com prejuízos. Se não aprenderem a lição e não reformarem sua conduta, perderão sua riqueza" (Mises, Ludwig von. Human action. Ludwig von Mises Institute, 1949, pg. 308).
Ter uma empresa é um passivo. É um problema. É um ambiente de pura ansiedade, você não sabe se ela dará certo no futuro, você sempre fica com medo de que todo seu tempo, capital investido (às vezes de crédito de juros altos), ativos fixos adquiridos, que tudo que você fez será em vão, isso pode até destruir sua renda familiar, seu fracasso pode facilmente alterar a sua vida negativamente. Sua esposa com raiva da situação pode se divorciar, sua família te rejeitar por seguir num caminho que eles disseram que era uma furada, a empresa pode demorar para virar, e seus ganhos podem ser tão poucos inicialmente que a desistência pode parecer a única opção.
Alguém pode ter ótimas ideias e uma péssima execução. Alguém pode ter uma boa execução mas péssimas ideias. A maioria das empresas vai a falência, e assim junto com elas uma montanha de sonhos fracassados. O empreendedor sempre está numa péssima posição, sempre suas ações podem num ambiente de incertezas, o levar ao mais odioso fracasso. Por isso Mises enfatiza a necessidade de conhecimento da parte do empreendedor na sua área, no seu setor, para realmente conseguir ser bem sucedido no longo prazo, e assim beneficiar a si mesmo ao beneficiar seus consumidores.
Mises acrescenta:
"As massas, na sua condição de consumidoras, determinam em última instância os rendimentos e a riqueza de todos. Elas confiam o controle dos bens de capital àqueles que sabem como utilizá-los para a sua própria satisfação, ou seja, para a satisfação das massas" (Von Mises, Ludwig. The ultimate foundation of economic science. Liberty Fund, 1978, pg. 112).
Porque o Ifood é uma empresa bem sucedida? Pois as pessoas simplesmente gostam de pedir comida por aplicativo usando esse app. Lembro que desde pequeno, eu tinha opções de pedir comida por telefone, e era no geral eficiente, mas seu repertório de escolhas era muito fraco. Quando você tem diversas opções próximas numa plataforma que não é um site através de um PC com uma interface horrível mas algo na palma das suas mãos num celular, com opções fáceis de pagamento até por pix, tudo fica mais fácil, e mais eficiente, e é isso que agrada o consumidor, ter o que quer o mais rápido possível e com o mínimo de esforço de sua parte.
A visão de Rothbard
"No livre mercado, é um fato positivo que a maximização da riqueza de uma pessoa ou grupo beneficie a todos; mas na esfera política, na esfera do Estado, a maximização da renda e da riqueza só pode beneficiar parasitariamente o Estado e seus governantes, em detrimento do resto da sociedade" (Rothbard, Murray N. The ethics of liberty. NYU Press, 2002, pg. 176).
A visão de Rothbard é um pouco mais radical, nessa parte ele expressa que a existência do Estado é um erro, pelo fato que o mesmo nada produz e tudo toma do seu povo. Eu discordo dessa visão, ele critica de fato aqueles que acreditam num "governo limitado" ou num minarquismo, afinal, o Estado sempre será um parasita que suga tudo ad infinitum. Mas vamos focar na parte a dessa passagem, em que o ponto é que a maximização da riqueza beneficia a todos, incluindo os mais pobres.
As pessoas acham que porque outros ganham infinitamente mais que elas, que tais pessoas são ambiciosas, mesquinhas, e se enriqueceram às custas da sociedade. Mas é um fato que políticos eleitos que não cumprem sua função social de beneficiar a população com sua política administrativa fazem o mesmo num nível muito maior, por que fazem com o dinheiro dos outros (coletados de forma coerciva).
Mesmo o acesso a capital só é possível num sistema capitalista de forma mais abundante:
"Ao constatar que os "adiantamentos" de poupança aos fatores de produção são essenciais para o investimento, e que esse processo só se desenvolve em uma economia monetária, Turgot prosseguiu para um ponto crucial "austríaco": como o dinheiro e os adiantamentos de capital são indispensáveis a todas as empresas, os trabalhadores estão dispostos a pagar aos capitalistas um desconto na produção pelo serviço de receberem dinheiro antecipadamente, antes da receita futura" (Rothbard, Murray N. "Economic Thought Before Adam Smith." Books (1995), pg. 396).
Isso não favorece a nação? Até os mais pobres? Visto que alguém não poderia ter acesso a capital para bens de consumo de valor alto, logo, o acesso a crédito é fundamental para pessoas terem acesso a carro, moradia, ou mesmo pequenos empresários para realizar suas ideias. Mas como haverá a liquidez necessária para uma escala de empréstimos até pessoais num sistema que não seja capitalista? A disponibilidade endógena será muito menor, e assim o seu acesso. Marx tenta provar no Das Kapital, que aluguéis (tendo em vista a visão de Turgot relacionando aluguel e empréstimos com juros) e empréstimos com juros não são uma forma de formação de capital válida, mas isso só porque ambos destroem sua teoria se forem moralmente aceitos.
Muitos que dizem buscar o direito dos pobres, trabalham dia e noite criando legislações que restringem empresas e afetam negativamente os mais pobres, eles prometem o céu para eles, e entregam o inferno. Se dizendo sábios e donos da sabedoria e ciência, se tornaram apenas um conjunto de bestas irracionais que não entendem o básico da sociedade moderna, economicamente.
O que é um empreendedor?
Por fim:
"Um empreendedor não pode ser treinado. Um homem se torna empreendedor ao aproveitar uma oportunidade e preencher a lacuna. Nenhuma educação especial é necessária para tal demonstração de discernimento aguçado, visão de futuro e energia. Os empresários mais bem-sucedidos muitas vezes não tinham instrução formal, se comparados aos padrões acadêmicos da profissão docente" (Mises, Ludwig von. Human action. Ludwig von Mises Institute, 1949, pg. 311).
Não há nenhum demérito ou problema em fazer uma faculdade de administração, economia e etc, pode até ajudar o empreededor a entender melhor sua área. Mas aqueles que pensam que só com isso serão bem sucedidos, estarão perdendo seu tempo. O mais importante dessa área, é simplesmente ter boas ideias e saber as executar, é um combinação de fatores de criatividade, coragem em um ambiente de ansiedade e decisões que podem afetar sua empresa para sempre. É algo que se pega com a prática e experiência, onde vão sim ter pessoas que vão tentar te desviar do caminho do empreendedorismo, afinal, é realmente arriscado, elas não estão incorretas em afirmar que a maioria dos empreendedores vão a falência nos primeiros anos.
Então é uma combinação de fatores realmente. Para terminar, quero citar um filme que me impactou muito na infância (lembro vagamente que citei isso num livro meu), o Família do Futuro (ou "Meet the Robinson's), a frase do final (além da cena marcante) diz:
"Porque aqui, no entanto, nós não olhamos para trás por muito tempo. Nós contínuamos indo em frente, abrindo novas portas e fazendo coisas novas, por que nós somos curiosos... e a curiosidade nos leva a novos caminhos" -- Walt Disney
O personagem central do filme (na versão adulta) mostra o quanto de erros ele teve que ter para realizar seus projetos e invenções, é assim na vida, em qualquer coisa, e especialmente no empreendedorismo. E o que que tem se somos recompensados com altos valores caso nossas empresas sejam bem sucedidas? O fracasso está a porta, e a falência, a queda é muito superior do que a de um funcionário demitido.
Como disse, ter uma empresa é um passivo, é uma dor de cabeça, um problema realmente, mas creio que quando alguém gosta do que faz, mesmo valores baixos não são um problema, e logo, por mais que alguém busque maximizar o lucro, o que mais ele deseja provavelmente maximizar (com a mentalidade certa) é o custo--benefício dos seus consumidores de produtos e serviços que o capitalista ama prover, pelo preço certo (deixo o exemplo do mercado de retro games como exemplo, mas existem vários).