A Corapolítica e Economia de Star Wars

Escrito por Aranea

A política e economia sintética é um tema vasto, que merece mais atenção do que nunca!

Palpatine, Darth Vader, Thrall e Tarkin respectivamente

Antes de tudo tenho que dar a entender o que corapolítica significa, é um termo que vem de χώρα, que significa so geral “espaço” (e é usado em “Timaeus” de Platão), então χώρα + πολιτικά significa uma política espacial. É um termo para não se confundir com “geopolítica”, pois γε (de terra) de onde vem o termo “geo” só pode ser linguisticamente aplicada à terra, e quando falamos de um comércio sci-fi o termo corapolítica soa mais apropriado. É até bom porque os dois são usados neste contexto, quando olharmos para a economia de Asimov em “Naked Sun”, especialmente no planeta Solaris, vemos uma economia e política centrada no individualismo anárquico (presente em Rothbard) em sua essência mais pura, onde cada solarian tem sua faixa de terra com uns 20 mil robôs cada para realizar sua produção para si mesmos e o surplus para vender para outros planetas. Porém, é óbvio que quando descrevemos a política interna dos Solarianos (que era relativamente simples), devemos usar o termo geopolítica por razões óbvias, e quando descrevemos a relação comercial e outros pormenores deles com outros planetas (como no caso desse livro onde é uma investigação com agentes da terra), devemos usar o termo corapolítica. Aqui, irei dar uma breve demonstração de como a economia e política sintética do Star Wars não é só extremamente interessante, mas é extremamente complexa, e muito mais difícil de estudar e entender do que parece, onde as mesmas leis (pela lógica) da vida real, devem se aplicar do ponto de vista econômico a esses sistemas (no geral) e onde praxeologia e história continuam valendo da mesma forma. Sobre fontes associadas a Star Wars Quando você vê apenas aos filmes, mesmo que sejam todos os clássicos, a trilogia recente, e os do cânon da Disney, você já vai poder ter uma noção básica de como as coisas funcionam no universo de Star Wars. As séries “Star Wars: The Clone Wars”, “The Bad Batch”, “Rebels” e etc, também vão te dar ainda mais informação sobre eventos relevantes que vão te dar o suficiente para entender melhor a economia e política da saga. Mas posso te garantir, isso não é o suficiente. Atualmente, existem mais de 400 livros no Star Wars, através de licenças para escritores participarem da saga, além de HQ’s que são extremamente importantes para o Legends, aqui, eu focarei no que é considerado “Legends”, como uma série de livros, HQ’s e até jogos nesse contexto que expandiram o universo. É claro que o cânon mais puro seriam os scripts de George Lucas, mas acredito que o Legends tem sim uma consistência lógica considerável, e que ele representa muito bem Star Wars em essência, talvez sendo, o cânon mais puro após o de George Lucas (estou negando o da Disney aqui). O Desenvolvimento da Galáxia Não há um livro mais importante em sintetizar (de forma resumida ainda) toda a história e timeline de Star Wars, que o “Star Wars: The Essential Chronology”, os autores chegam a um nível de detalhes e uma perspectiva na escrita, que é brutal de tão elevada, assim como outras obras que citarem ao longo deste artigo, mas essa é essencial porque te mostra os eventos principais de forma bem clara, embora seja difícil pegar tudo na primeira leitura. Já no começo do “The New Essential Chronology”, eles falam sobre a formação da República de 100.000 BBY até 25.000 BBY (a forma de datação que vai até o ano em que fica ABY), em especial de Coruscant, a qual no futuro seria a capital de tal Federação. Eles dizem: > “Os humanos de Coruscant podem ter conquistado o domínio sobre seu planeta natal ao derrotar uma espécie de pele cinzenta, quase humana, conhecida como Taungs, em várias séries de batalhas lendárias. Os humanos, que compunham as treze nações dos Batalhões de Zhell, sofreram uma derrota quase extinta quando uma erupção vulcânica repentina abafou seu acampamento” (Anderson e Wallace, 2007). Os Taungs eram uma raça de reptilianos que depois de perder para os humanos, acabaram indo eventualmente para onde seria chamado de Mandalore, de certa forma eles foram os primeiros Mandalorianos, embora posteriormente a raça dos taungs não fosse parte do povo de Mandalore, mas o impacto social deles foi deveras relevante. E isso é irônico talvez, a forma como essa batalha tão antiga, ecoa na obra em uma série de conflitos entre os Mandalorianos e a República em vários períodos, nunca tendo uma paz contínua entre eles por muito tempo. No “Star Wars: The Essential Guide to Warfare”, vemos que os Hutts eram inicialmente o poder central da Galáxia antes da formação completa da República, eles tinham uma enorme zona de controle, e emboras outros grupos tentassem lidar com a dominação Hutt, eles eram facilmente dominados: > "A guerra Tionesa e o pós-guerra iria mudar a República de duas formas fundamentais. As Trade Guildas e Scout Companies se tornaram organizações militares, à primeira vista com a patronagem dos seus mundos mas eventualmente mais sobre um controle centralizado. E os mundos do Rim buscaram proteção da República dos Hutts e dos Tioneses. Admitindo mundos tão vastos fez a República ser uma civilização abrangente da galáxia e forçada a se tornar um poder militar centralizado” (Star Wars: The Essential Guide to Warfare, pg. 11). Mas alguém ainda mais perigoso que os Hutts, era o Império Rakatan, se eles tivessem continuado sua expansão, provavelmente a República nem existiria. Eles podem ser vistos com mais detalhes nas HQ’s do “Star Wars: Dawn of the Jedi”, a intenção deles era ter acesso às Infinite Gates, que permitiriam um acesso a toda a galáxia através de uma forma de transporte instantâneo através desses portais, o que lhes permitiria mover suas frotas por toda a galáxia rapidamente, o que lhes daria dominação completa dela. Porém, nessa obra eles são impedidos por Jedi’s, o principal sendo o Xesh, que flertou por muito tempo com o lado escuro mas foi essencial para derrotar os Rakatan nessa ocasião. Porém a queda deles veio através de uma epidemia (que não é explicada com detalhes) no próprio planeta, uma que talvez veio de uma causa realmente endógena e interna, o que destruiu grande parte da população e impediu que seus planos continuassem. Eles avançaram muito na tecnologia na época, especialmente em saltos em hiperespaço e naves que rivalizariam com as da República em estágios de desenvolvimento de sua marinha própria, como avanços em pulos de hiperespaço. Já falei em livros como creio que aquele robô gigante e colossal do Bad Batch num episódio específico, provavelmente era uma das criações dos Rakatan, e outra construção monstruosa é Star Forge, a que foi usada por Revan e Malak em dado momento, a qual tinha como fim usar energias de estrelas (estilo uma Dyson Sphere) para gerar energia para criar uma frota gigantesca nunca antes vista de naves, armas e dróides, seria uma forma de gerar essa produção em massa com muito menos custo. O problema ético do Império Rakatan, é que eles eram usuários do lado escuro da Força, e até raptaram seres sentientes que usavam o lado escuro para dar energia a suas naves e construções, então eles não eram exatamente Siths, mas talvez seriam seus precursores, embora muito mais tecnológicos e bem estruturados do ponto de vista militar (para a época). A Hyperspace War Um evento dos mais importantes nessa cronologia, é sem dúvidas a Hyperspace War, ela ocorreu em 5000 BBY, onde dois irmãos (nas HQ’s) estavam fugindo de um cliente de rotas de hiperespaço que ficou irritado que sua mercadoria sendo transportada por uma rota vendido por um dos irmãos, foi destruída depois de passar por uma anã vermelha (embora seu sistema de segurança avisou que era uma rota de alto risco). De quebra já devo explicar que as rotas de hiperespaço são extremamente relevantes para o flow de mercadorias entre regiões da galáxia, e para calcular uma rota, isso envolvia uma certa engenharia computacional, pois você tinha que calcular a melhor rota computando todos os objetos,astros na direção que você quer ir, que deve ser em linha reta para saltar. E essas rotas eram vendidas, você poderia terceirizar esses cálculos e vender para outras pessoas, nesse caso, como era de alto risco, acabou que o cliente deles perdeu a mercadoria e queria os matar. Eles então usaram rotas de coordenadas randômicas para fugir que nem loucos do Empress Teta System (que era a República em miniatura até então), que ficava no Koros sector no Deep Core. Eles foram (talvez por roteiro ou destino) para o pior lugar possível, para Korriban, onde estava já formado o Império Sith (sobre ele, talvez outra hora), e não só naquele planeta, eles tinham um pequeno império de planetas dominados e escravizados por eles, uma força militar extremamente forte e uma política expansionista. Para resumir, no fim eles ficaram sabendo da existência da república através desses gêmeos, e na época como o anterior Líder Sith Marka Ragnos tinha morrido, eles estavam divididos entre dois líderes Sith: Naga Sadow e Ludo Kressh. Acontece que o sistema político Sith era uma bagunça, vemos sempre lutas por poder através do domínio do mais forte, que fazia mais em enfraquecer eles do que os fortalecer, somente quando tinha um líder vivo por muito tempo, que eles prosperavam (algo que vemos no Infinite Empire de Darth Vitiate; veja “Deceived” e Revan). Os Sith atacam a sede da República em Coruscant e inicialmente são vitoriosos, porém, posteriormente eles acabam sendo derrotados e precisam bater em retirada das naves da República. Porém eles não estavam totalmente destruídos, e além de se reorganizarem posteriormente, novas sementes deles foram formadas, especialmente por conta de um holocron contendo ensinamentos siths achados numa das naves destruídas na batalha, que foi achado por Exar Kun posteriormente, outro Jedi que foi para o lado escuro e enfrentou a República junto com Ulic Qel Droma (embora esse se arrependeu