A Economia e Política da Terra–Média
A Economia Pré-Malthusiana e quase Medieval de Senhor dos Anéis
Creio que talvez seja difícil encontrar um grupo de jovens que não conhece ou ao menos ouvir falar de Senhor dos Anéis, a maioria das pessoas conhecem os filmes, e os livros de Tolkien são lidos no mundo todo. De fato, tentar fazer uma análise da economia e política do Senhor dos Anéis é relativamente difícil somente com a trilogia (que originalmente foi concebida como um só livro), pois por mais que tenham algumas passagens (como veremos) que fazem menções nesse sentido, da parte do meio ao fim da jornada os focos são mais na aventura do que na ambientação. Porém, quando lemos o Apêndice do livro do Senhor dos Anéis, o Silmarillion, a História da Terra Média (em 12 volumes), e outras obras sobre a geografia, fauna e agricultura do Legendarium de Tolkien, podemos sim ver um sistema feudal bem construído sendo formado, além de uma timeline de eventos políticos que determinaram o rumo da Terra Média completamente, e mesmo de Númenor. Nem de longe serei exaustivo aqui, o objetivo é apenas colocar os principais pontos no tema, sem falar sobre a Segunda e a Terceira Era. Simplificando tudo O Silmarillion é um livro relativamente complexo na primeira vez, e quando lemos os volumes da História da Terra Média, vemos pedaços da formação do Silmarillion, porém é necessário ver as coisas numa perspectiva mais voltada a versão final, embora ver como algumas ideias apareceram em Tolkien seja útil. No Ainulindalë (escrito por Rúmil, um elfo de Valinor), vemos o início de toda a cosmologia da história, vemos a criação dos Valar, que são seres criados por Eru Ilúvatar, que seria o criador do Arda (o mundo), sendo que universo seria a “Eä”, em que eä significa “to be”, ou “vir a ser/existir”, uma clara alusão à Gênesis (em referência à יְהִ֣י (yə·hî), que significa “haja”, ou “venha a existir”, em que “יְהִ֣י א֑וֹר” significa “haja luz” em Gênesis 1:3). Os Valar eram: Manwë, Melkor (Melko originalmente), Ulmo, Oromë, Aulë, Lórien, Tulkas, Mandos, Nienna, Yavanna, Varda Elentári, Nessa, Vairë, Vana e Nienna, todos esses tinham atributos especiais e formaram o mundo segundo a intenção da Música dos Ainur de Ilúvatar. Como geografia é extremamente importante na economia, os eventos à seguir são importantes tanto para toda a linha de conflitos da história de Arda, mas também para a formatação dessas terras. Pois haviam dois continentes inicialmente, um seria Aman (onde fica Valinor) e o outro Endor (a Terra Média), porém, nessa época foram criadas as duas luzes na Terra Média, a Illuin e Ormal, uma no sul e no norte de Arda, e proviam vida para aquela terra naturalmente. Porém, Melkor é dito no Silmarillion como tende odiado a intenção de Ilúvatar na criação, contada a eles para os Valar através da sua música, fica claro que a Música dos Ainur visava dar a intenção de Ilúvatar na criação, porém, Melkor queria modificar, corromper essa mesma criação. E ele era extremamente forte,talvez tanto quanto Manwë e os outros Valar não peitavam ele facilmente (embora tenha uma luta com o Tulkas que Melkor não leva). Melkor destruiu as duas lâmpadas e esse evento mudou a geografia da Terra Média: > “Mas a simetria da Terra antiga foi alterada e quebrada na primeira Batalha dos Deuses, quando Valinor marchou contra Utumno, que era a fortaleza de Melko, e Melko foi acorrentado. O mar de Helkar (que era a lâmpada do norte) tornou-se um mar interior ou grande lago, mas o mar de Ringil (que era a lâmpada do sul) tornou-se um grande mar fluindo para nordeste e unindo por estreitos os mares Ocidental e Oriental” (Tolkien, J. R. R. The Shaping of Middle–Earth, The Ambarkanta ‘Silmarillion’ Map [History of Middle–Earth Vol. 4]. Trans. Christopher Tolkien (Ed.), Harper Collins, George Allen & Unwin, pg. 239-240,1988). É claro que existem algumas versões desse evento, o ponto é que houve uma batalha cataclísmica especialmente depois do aparecimento dos elfos em Cuiviénen, em Y.T. 1050 (Y.T. é de “Years of trees”, ou anos das árvores, antes da Primeira Era), sendo que a batalha ocorre em Y.T. 1090, e Melkor é derrotado e aprisionado em Y.T. 1099–1100, por Mandos que é tipo um Hades do Legendarium de Tolkien. Os elfos nasceram antes dos seres humanos (que nasceram em alguma parte de Rhùn, no Leste), eles simplesmente brotaram em Cuiviénen pela vontade de Ilúvatar, Oromë (que era uma espécie de caçador) é o primeiro que os encontra (os Valar não eram oniscientes), logo os elfos meio que querem ir para Aman, Oromë convida Ingwë, Finwë e Elwë como meio que embaixadores para irem a Aman e pedirem permissão para irem para lá (lembre que são dois continentes divididos por uma mar). Em Y.T. 1105 muitos dos elfos já começam a ir para Aman, alguns decidem ficar, depois esses que ficaram foram conhecidos como Teleri ( em que “Teler” significa Last-comer, Hindmost, pois ele ficaram em Endor (Terra–Média)). Em Y.T. 1132, Ulmo traz uma ilha chamada Tol Eressëa, literalmente arrastando ela com elfos nela, para os levar até Aman, na Baía de Balar, onde ficou lá mesmo até a Terceira Era em diante, então os elfos nesse caso não foram de barco para Aman, nem sabiam como construir um até então. O Desenvolvimento da Sociedade Élfica em Aman Temos três classes de elfos aqui, os: Vanyar, Noldor e Teleri. Esses dois primeiros se desenvolveram economicamente em Eldamar (em Aman), que significa “Elvenhome” (Elda significando “elfo”, e már significando “casa” em Quenya). Eles começam a construir Valinor, a cidade deles em Aman, e naturalmente, por “construir”, devemos entender logicamente que a sociedade élfica começou a gerar uma divisão de trabalho inicial e especialização, buscando matéria prima, convertendo ela para condições para realizar a construção das ruas, vias, casas (como a “Cottage of Lost Play”, que é uma casa num sentido mais rural e simplório), torres que eram características da cidade, em si, também em aspectos de produção e consumo, era uma economia no mínimo pré-malthusiana. Elfos viviam para sempre, embora podiam morrer, então mudanças linguísticas não eram tão substanciais necessariamente (esse é apenas um adendo), mas foram aparecendo diferenças em dados momentos, especialmente com os Teleri, pois eles viviam longe dos elfos de Aman, embora posteriormente Ossë (aprendiz de Ulmo) ensina parte dos Teleri a construírem barcos, parte deles começam a morar nas margens de