A Economia Stalinista
Uma Economia de déficit, que nunca poderia melhorar a qualidade de vida do povo
Stalin era um ditador em essência, e sua política tinha um viés que buscava tanto reafirmar seu poder e controle continuamente, quanto demonstrar respostas administrativas de uma visão retrógrada e não tão planejada necessariamente. Aqui irei sumarizar alguns dos principais pontos da política econômica Stalinista, e como podemos aprender com seus erros. Fixação de preços crônica > “Sabia-se que a inflação oculta resultava do aumento dos preços de "novos" produtos, mas presumia-se que, em geral, as empresas aceitavam preços fixos fixados pelos planejadores. Os arquivos demonstram que isso era unilateral e que (Gregory e Harrison, 2005: 746) "a fixação de preços era uma das atividades mais importantes das empresas soviéticas"” (Ellman, 2008). Nunca na história fixação de preços funcionou, seja em economias pré–malthusianas ou nas modernas. O problema é que uma fixação de preços, câmbios, produção e etc, são efeitos inorgânicos, irracionais e anormais num sistema econômico, em essência, uma economia deve ser cataláctica (vinda de Καταλλοντα), ou seja, ela deve ser orgânica e natural, com preços formados pelo próprio mercado, pelas ações das pessoas (na mão invisível de Adam Smith) buscando maximizar seus ganhos e minimizar suas perdas (o teorema MinMax de Von Neumann; Von Neuman, 1959), um jogo de soma positivo, onde lados desta equação perdem e outros ganham, mas tudo por conta da forma que operaram suas estratégias. E vemos que essa política que nunca funcionaria por ser totalmente inorgânica e feita pelo Estado, era um dos pilares da falha na economia soviética, o que também criava um desbalanceamento na própria moeda, pois o poder de compra dela tinha interpolações, afinal, os preços eram fixados de forma estatal, e também a produção e n fatores da cadeia de produção (como adquirir matéria prima, máquinas e etc), criando toda uma estrutura com base em políticas administrativas inorgânicas, criando uma confusão nos preços e em todo o resto. Fornecimento ilegal de oferta > “Já antes da revolução arquivística, o papel dos agentes de abastecimento ilegais na "economia planificada" era bem conhecido. Sua função era obter suprimentos em uma economia em que todos os bens de produção eram racionados e havia escassez perpétua. Dessa forma, ajudavam seus clientes a cumprir seus planos de produção” (Ellman, 2008). “Em que todos os bens de produção eram racionados”, o que isso significa? Que havia um controle total sobre a oferta de commodities, e de onde e como elas deveriam ser alocadas, assim como seus calendários de produção, transporte e etc. Isso cria uma economia de escassez perpétua, onde sempre produtos mesmo que importados de fora (como surplus de produção interna de commodities como petróleo e grãos) eram alocados de forma ineficiente, pois afinal, você não tem nem como investir propriamente o faturamento estatal para conseguir todos os recursos dada uma demanda incalculável teoricamente (em termos reais), e nem como saber onde alocar estruturalmente nos calendários de consumo, a não ser que você consiga prever oferta e demanda futura, ambos impossíveis de se prever no longo prazo. É o contrário de uma economia pós–escassez (o que acho impossível provavelmente) onde bens de consumo (pelo avanço da tecnologia) seriam tão abundantes que a utilidade marginal decrescente faria os preços de produtos se tornarem quase irrelevantes. Aqui temos uma economia em que sempre eles faltam pela incapacidade de cálculos de oferta e demanda futura, o que de fato é impossível computacionalmente em termos metamatemáticos. O Dinheiro na USSR > “O papel do dinheiro na economia soviética era limitado pelo fato de que muitos bens de consumo (moradia, transporte público, educação, assistência médica) eram basicamente alocados (ou fortemente subsidiados) em vez de vendidos a preços de mercado” (Ellman, 2008). Dinheiro é basicamente uma medida de valor, não é exatamente capital mas uma forma de armazenar e mover capital, é informação em essência e formas de aumentar a oferta dele de forma exógena gera inflação, em si é também uma commodity embora muitos não gostem de o ver dessa forma.Houveram épocas que algodão, tabaco, trigo, cevada, milho, até mesmo vodka (na Rússia) foram usados como forma de realizar transações, o que é o propósito do dinheiro, às facilitar em questão de liquidez e medida, onde ouro e prata foram historicamente as melhores commodities nessa questão. Porém, a formação de preços medida em termos de poder de compra de uma moeda, são totalmente confundidos quanto existe uma fixação de preços contínua, pois o dinheiro em si tendo um poder de compra real diferente para n commodities acaba sujeito a flutuações descontínuas e que nem podem ser aferidas, elas só podem ser aferidas quando ocorrem num sistema sem o controle desses preços, isso altera as denominações reais criando um efeito em que a moeda se perde no caminho. Você ainda poderia em termos de solvência aferir ela em bases de hard currency e reservas de ouro no país, denotando algo que poderia ser calculado em termos de um mercado internacional, porém, internamente entre os membros da USSR, essa disparidade inorgânica criava interpolações que no fim faziam o poder de compra se tornar irreal, num sistema que já tem suas funções de produção controladas e toda a cadeia de produção, criando apenas confusão em todo o processo e criando assim uma economia totalmente desregulada em essência, o que favorece ainda mais faltas de comida. Produtividade e bens de consumo: > “Stalin interpretou o declínio da produtividade laboral como um sinal de que os trabalhadores “não estavam tão bem abastecidos como no ano passado” e ordenou pessoalmente a entrega de bens de consumo às cidades onde a produtividade laboral estava a diminuir” (Gregory, 2005). Esse é outro problema, pois o incentivo real do aumento de produtividade pode advir de n fatores, é claro que nesse sistema socialista se uma cidade estivesse em declínio de bens de consumo afetando as famílias dos trabalhadores locais intensamente, a produtividade diminuiria, mas nesse sistema os ganhos reais da grande maioria assim como a qualidade de vida futura de moradia, comida e etc não tinham prospectivos de futuro para todos (talvez para os fechados com o governo sim), então a expectativa real de uma