A Margem de Erro do Estado

Escrito por Aranea

O setor privado sempre terá uma margem de erro de alocação de recursos menor do que o Estado

Federal Reserve

A ineficiência é um termo muito importante, que significa que algo no processo realizado foi feito de forma inferior ao melhor conjunto ações possíveis. É claro que ninguém em são juízo afirmaria ser um ser perfeito, afinal, nós humanos somos falhos e ignorantes em muitos assuntos, e é a essência da sabedoria reconhecer nossas próprias faltas e por isso (como Sócrates dizia) o ser humano “se torna”, ele muda, ele avança (embora às vezes pode retrair), inova, e vai além de seus antecessores.

Porém, na economia, a medição de sucesso vem no fim de vários fatores, sendo o principal o lucro. Pois se sua empresa vende produtos de forma honesta aos consumidores e ganha altos retornos disso, parece que os mesmos gostam do mesmo, então o sucesso da empresa vem dos consumidores em aprovar que de fato aquilo é subjetivamente “bom” ao ponto deles deixarem parte de sua renda marginal para comprar tal item ou serviço.
O objetivo deste artigo é demonstrar que em qualquer sociedade que existi, existe, ou venha a existir, que a margem de erro (ou seja a ineficiência) de uma administração estatal, sempre, tenderá a ser inferior ao setor privado, e por isso não seria natural (e lógico, racional) centralizar a economia mesmo que um pouco na mão de alguns.

Ineficiência ao longo da história

O homem tribal no começo da civilização no Crescente Fértil tinha uma vida mais difícil que a nossa. Numa sociedade pré-Malthusiana, o mesmo tinha que lidar com uma vida constante de caça, pesca, plantio e conflitos com outros grupos familiares na busca por recursos na área da circunferência em que habitavam. Como animais também no mesmo ato, humanos na busca por recursos para consumo sempre tiveram uma margem de erro, então indivíduos os grupos especializados eventualmente em pesca e caça tinham uma eficiência maior que outros, e outros uma eficiência inferior.

Obviamente o melhor pescador era aquele que tinha melhor know-how de como criar ou comprar as ferramentas certas e de como as manusear corretamente (como fazendo redes e barcos que poderiam aumentar a chance de pegar uma quantidade maior de peixes semanal), de como armazenar os peixes corretamente para durarem mais (como usando sal, por exemplo, em bacias ou tanques de água e depois os secar no sol). E é claro que tribos e clãs familiares podiam ser especializados em algum setor mais do que outros e eventualmente cidades-estado primitivas tinham sim uma vantagem no setor militar, em arquitetura, em agricultura, em engenharia e matemática mais que outras, especialmente porque tinham mais conhecimento.

Então qual seria o remédio fundamental para a ineficiência? O conhecimento. Onde é necessário inteligência (o que) e sabedoria (como) para aplicar os melhores métodos e descobrir as melhores técnicas para aumentar a produção, gerando uma quantidade maior de commodities para o bem da sociedade, a preços menores e vendendo o surplus (o que sobra) para outras cidade-estado (exportação o Aristóteles defendia, ao menos), aumentado assim o inflow de capital para o mesmo e gerando a prosperidade.

De forma mais simples, os países menos desenvolvidos são aqueles com menos conhecimento. E não estou dizendo apenas sobre conhecimento acadêmico (que é absolutamente relevante), mas conhecimento no geral em diversos setores da economia, sou da visão generalista da inteligência (o que peguei muito de estudar sobre IA e neurociência provavelmente) e que devemos saber diferenciar a generalidade da consciência e especialização da mesma, assim (como até Platão dizia em “O Sofista”), existe o conhecimento do padeiro, do leiteiro, do açogueiro, do sapateiro, do cabeleireiro e etc, todos generalizam a informação como seres humanos conscientes, todos nasceram com a capacidade de aprender, e essa é a definição de inteligência, ela não é cristalizada, mas sim moldada ao longo do tempo, Deus nos deu capacidade de aprender, e essa é a maior dádiva dada por Ele a nós.

Eficiência ao longo da história

Eu acredito como Aristóteles no começo da “Política”, que o ser humano naturalmente é um ser social e que vive em sociedade (embora existam Robisons Crusoé), é natural que sociedades suficientemente grandes se tornem numa cidade—estado e por fim numa nação, que no fim terá uma forma de governo, embora qual forma é superior não deve ser nossa discussão aqui. O que dita a eficiência de produção numa cidade-estado? Já sabemos, é o conhecimento. Agora, lhe faço uma pergunta simples: “O estado criou o conhecimento? O conhecimento está no Estado? Digo, nas pessoas que o administram?”.

É claro que não, o conhecimento está em todos nós, cada um de nós tem um repertório diferente, uns gostos de física, outros de biologia, outros de engenharia, outros de gastronomia, outros de filosofia e assim por diante. Somos seres finitos, mas infinitos no nosso tempo de vida na capacidade de aprender (enquanto Deus nos permitir). O conhecimento surge de forma pública? Não, ele surge de forma privada. Você acha que o Império Babilônico descobriu o Teorema de Pitágoras ou alguma Dinastia Egípcia, não, foi uma pessoa ou grupo de pessoas de forma privada (não Pitágoras por sinal, isso já é de conhecimento comum, não foi o primeiro).

Mesmo se alguém que descobriu novos teoremas, fórmulas, avanços na geometria ou o que for, ninguém podem dizer (mesmo se houve financiamento do mesmo teoricamente) que foi o Estado que gerou essas descobertas. O conhecimento vem através da busca por indivíduos (guiados pela providência divina) em sua curiosidade de irem além em diversas áreas, seja por diversão, por hobby, como trabalho, ou por simples curiosidade de ir além de onde outros foram, quem nega que é divertido estudar, não deveria se chamar pesquisador, e não é divertido descobrir coisas novas de coisas que gostamos? Claro que sim. Mas isso não é de posse do governo, o governo é apenas uma entidade que deve visar aferir e executar as leis, nada mais.

O que quero dizer de forma clara, é que nunca o conhecimento foi posse do Estado, e os membros do mesmo não tem mais conhecimento que os comerciantes, mercadores ou empresários (não importa o termo) nos setores que os mesmos atuam. Afinal, você acha que só o açougueiro e o sapateiro trocarem de lugar uma semana, dará certo? Poderia no máximo haver vacas com sapatos e sapatos virando chinelos de pois de cortados. Cada um no seu setor, cada uma na sua área, assim num ditado inventado nesse exato momento, o astronauta quando perguntado o que faria se fosse vendedor de colchões, diria: “bem, se não fosse astronauta, faria minha cama nas estrelas”.

O controle Estatal tem uma margem de erro muito maior

Por margem de erro, quero dizer: “ineficiência em alocação de recursos”. Em outras palavras: “O Estado tende a ser inferior em administrar empresas”. Porque ele tende a ser inferior: “pois os membros do mesmo não tem conhecimento para as administrar”. Lembra quando eu disse que o conhecimento que reduz a margem de erro num setor, numa empresa? Bem, tem um ditado que diz: “o olho do dono é a alma do negócio”, mas bem, socialistas não tem olhos, muito menos alma, quem diria a capacidade de gerenciar qualquer empresa melhor que um puro capitalista de mercado.
Estatistas podem até ter alma, mas não bons olhos empresariais em comparação ao setor privado descentralizado, é claro que o Estado tem que fazer e executar as leis (predicadas em direito natural), mas apenas isso. Ele não deve meter a mão onde ele vai amaldiçoar a safra. O Estado é como um babuíno selvagem recitando Shakespeare em comparação com uma bela professora de Oxford no auge da sua eloquência. Veja na comparação da Alemanha Oriental e Ocidental, da USSR e o Ocidente, compare Cuba com Singapura, compare e verás que o Estado em sua completude é absolutamente mais ineficiente que o setor privado.

E o caminho do meio, o estatista que quer a economia de mercado com mais controle de forma keynesiana (ou da qual for), que quer “beneficiar a população com medidas econômicas controladas”, nada mais é outro ser que acha que tem a capacidade para fazer a planificação numa escala menor, e que por isso dará certo. E o estatista cita a história, tentando afirmar que ela demonstra que coisas como subsídios, controle de preços,tarifas, controles fiscais, bancos centrais e etc funcionam, quando é exatamente o contrário, a história demonstra que essas coisas nunca funcionaram, alguém defender protecionismo em pleno Século XXI, é loucura, é simplesmente abominável.

No nível individual e em qualquer escala, o Estado tende a ser inferior ao indivíduo na administração de empresas, assim a economia orgânica surge da Lei de Say, da Mão Invisível de Adam Smith e do Teorema MinMax de Von Neumann, onde o Estado deve somente operar as leis, e gerar uma legislação com uma ética e perspectiva libertária consentida pelo povo e que permita a liberdade econômica num ambiente legislativo de brevidade lacônica (citando Sócrates). Você do Estado quer fazer algo pelo povo? Não faça nada, faça o básico, apenas aplique as leis e siga sua vida (sei que isso não acontecerá), quando o Estado não faz nada, aí que ele ajuda, quanto mais ele busca ter o que fazer, como microgerenciar os empresários, mais ele atira nos próprios pés com uma 12 carregada de esterco.