Acordo de cessar-fogo em Gaza promete fim da guerra

Escrito por Vitor Gomes Calado

Guerra entre Israel e Hamas está próxima do fim dada pressão dos EUA para acordo.

Trump e Netanyahu. Imagem ilustrativa

Guerra entre Israel e Hamas está próxima do fim dada pressão dos EUA para acordo.

Israel e Hamas chegaram a um entendimento na quarta-feira sobre a primeira etapa do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza. O acordo marca um avanço nas negociações indiretas realizadas no Egito e pode encerrar o conflito que já dura dois anos e transformou o Oriente Médio e, como efeito colateral, também minou a reputação de Israel.

Trump anunciou o avanço nas redes sociais. "Tenho orgulho de anunciar que Israel e Hamas aprovaram a primeira fase do nosso plano de paz", escreveu. O presidente norte-americano afirmou que todos os reféns serão libertados em breve e que as tropas israelenses recuarão para uma linha acordada como primeiros passos rumo a uma paz duradoura.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu confirmou que convocará seu gabinete nesta quinta-feira para aprovar o acordo. "Com a ajuda de Deus, traremos todos para casa", declarou Netanyahu, referindo-se aos reféns mantidos pelo Hamas. O líder israelense conversou por telefone com Trump e o convidou a visitar Israel e discursar no parlamento israelense.

O Hamas também confirmou o acordo em comunicado, afirmando que o entendimento prevê o fim da guerra, a retirada israelense da Faixa de Gaza, a entrada de ajuda humanitária e a troca de prisioneiros. O grupo pediu a Trump e aos mediadores que garantam a implementação completa dos termos por parte de Israel.

Fontes próximas às negociações indicam que os reféns vivos podem retornar já no sábado. Trump disse à Fox News que espera a libertação dos cativos para segunda-feira, 13 de outubro. Eles serão trocados por cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo figuras importantes como Marwan al-Barghouti, líder do movimento Fatah, e Ahmed Saadat, chefe da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

As conversas em Sharm el-Sheikh contaram com enviados dos Estados Unidos, Qatar e Turquia. O acordo surge um dia após o segundo aniversário do ataque transfronteiriço do Hamas que desencadeou a resposta militar israelense. Segundo autoridades de Gaza, mais de 67 mil pessoas morreram desde o início do conflito. Israel reporta 1.200 mortos no ataque de outubro de 2023, quando 251 pessoas foram levadas como reféns para Gaza.

Líderes mundiais reagiram ao anúncio. O presidente francês Emmanuel Macron saudou o acordo e pediu que todas as partes cumpram os termos. "Este acordo deve marcar o fim da guerra e o início de uma solução política baseada na solução de dois Estados", afirmou. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou os esforços diplomáticos e reforçou que a União Europeia continuará apoiando a entrega de ajuda humanitária a Gaza.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou todas as partes a respeitar os termos do acordo. "A entrada imediata e sem obstáculos de suprimentos humanitários e materiais comerciais essenciais em Gaza deve ser garantida. O sofrimento precisa acabar", declarou.

O acordo enfrenta desafios. Ministros de extrema-direita do governo Netanyahu ameaçaram deixar a coalizão caso os termos não atendam suas exigências, incluindo a possibilidade de Israel retomar a guerra se o Hamas não se desarmar. Detalhes cruciais permanecem indefinidos, como a administração pós-guerra de Gaza e o futuro do Hamas, que governa o território desde 2007.

A próxima fase do plano de Trump prevê um organismo internacional liderado pelo presidente norte-americano e que inclui o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair para administrar Gaza. Países árabes defendem que o plano conduza à independência de um Estado palestino, proposta que Netanyahu rejeita.

O acordo representa uma conquista diplomática significativa para Trump, que prometeu trazer paz aos conflitos mundiais durante sua campanha. A implementação completa do entendimento depende agora da vontade política de ambas as partes e da pressão da comunidade internacional.