Advogado de Trump comenta proposta de Gilmar Mendes contra sanções

Escrito por Vitor Gomes Calado

Advogado disse que leis do tipo tiveram pouco ou nenhum efeito prático contra sanções.

Advogado de Trump Martin de Luca. Imagem ilustrativa

O advogado Martin De Luca, que integra a equipe jurídica da Trump Media e da Rumble, atacou a proposta do ministro Gilmar Mendes de criar uma lei contra embargos no Brasil. De Luca chamou a iniciativa de "teatro político" que prejudicará o país.

Gilmar Mendes revelou na terça-feira (30) que os Três Poderes discutem a criação de uma norma para proteger autoridades e instituições brasileiras de sanções externas. O ministro do STF apresentou a proposta durante o Fórum Empresarial Lide, após os Estados Unidos aplicarem a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e revogarem vistos de ministros do governo Lula.

A ideia é impedir que empresas brasileiras cumpram sanções americanas sem autorização expressa das autoridades nacionais. Gilmar defendeu que o Congresso Nacional é o espaço adequado para este debate e citou exemplos europeus de discussões semelhantes relacionadas a embargos contra Cuba e Irã.

De Luca contestou a eficácia da medida. Segundo o advogado, nenhuma lei pode superar o poder do sistema financeiro americano. Bancos, redes de cartões, seguradoras e provedores de nuvem operam sob regras globais de compliance que não param na fronteira.

O advogado argumenta que a proposta colocará o setor privado brasileiro entre duas exigências contraditórias: obedecer ao governo brasileiro ou seguir as normas de Washington. Na prática, empresas escolherão a regra que evita o colapso sistêmico, optando por encerrar operações no Brasil.

De Luca citou casos históricos que falharam. O Estatuto de Bloqueio da União Europeia contra sanções ao Irã teve valor simbólico, mas não impediu que grandes empresas europeias se afastassem do país persa. A Lei Antissanções da China também não impediu que bancos chineses com exposição ao dólar respeitassem as regras americanas.