Cessar-fogo em Gaza à beira do colapso após confrontos em Rafah

Escrito por Vitor Gomes Calado

Israel e EUA acusam Hamas de terem violado cessar-fogo e IDF bombardeia Gaza novamente.

Imagem ilustrativa. Gaza após bombardeios da IDF.

O cessar-fogo em Gaza está frágil e enfrenta seu teste mais grave desde que entrou em vigor há duas semanas. Israel lançou ataques aéreos no domingo contra alvos em Gaza após acusar o Hamas de violar o acordo mediado pelos Estados Unidos, enquanto o grupo palestino nega qualquer envolvimento nos confrontos relatados.

As Forças de Defesa de Israel afirmam que militantes dispararam granadas propelidas por foguetes e tiros sniper contra tropas israelenses em Rafah, no sul de Gaza. Em resposta, o exército israelense realizou bombardeios na região e ordenou a suspensão da entrada de ajuda humanitária no território. Fontes locais confirmam ao menos oito mortes palestinas nos ataques.

O Hamas, por sua vez, afirma desconhecer "eventos ou confrontos" em Rafah. O braço armado do grupo, Brigadas Al-Qassam, alega que perdeu contato com combatentes na área desde março e declara manter o compromisso com a trégua em todo o território de Gaza.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou reunião de emergência com o ministro da Defesa, Israel Katz, e chefes militares. Katz prometeu que o Hamas "pagará um preço alto por cada tiro e violação do cessar-fogo", alertando que a intensidade das respostas aumentará caso a mensagem não seja compreendida.

A interrupção da ajuda humanitária agrava a situação em Gaza, onde a ONU declarou fome em partes do território após bloqueios anteriores. O acordo de cessar-fogo previa a entrada de 600 caminhões com suprimentos diariamente, mas Israel já havia reduzido o número pela metade, acusando o Hamas de atrasar a devolução de corpos de reféns.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, celebrou a suspensão da ajuda e exigiu o retorno da guerra. Ben-Gvir declarou ter informado Netanyahu que ele mesmo dissolverá o governo caso o premiê não desmantele o Hamas e institua pena de morte para terroristas.

Washington injetou tensão adicional ao afirmar na véspera possuir "relatos confiáveis" de que o Hamas planejava atacar civis em Gaza. O grupo palestino rejeitou a acusação como "propaganda israelense enganosa" e acusou Israel de armar milícias criminosas no território.

Donald Trump já havia advertido que desarmará o Hamas se necessário, seja por meio de ação direta dos EUA ou através de um "representante" como Israel. O presidente norte-americano prometeu que o grupo cumpra seu compromisso de desarmar-se.

Os eventos de domingo ocorreram quando forças de segurança do Hamas perseguiam uma milícia liderada por Yasser Abu Shabab, que Israel admitiu armar desde junho. Essas milícias, fontes alertam, operam em áreas controladas por Israel e realizam incursões nas demais regiões de Gaza.

Israel anunciou a morte de dois soldados no território, enquanto o Hamas afirmou ter localizado o corpo de outro refém israelense, prometendo entregá-lo caso as condições permitam. O grupo alertou que a escalada militar dificultará operações de busca e recuperação de corpos.

Permanece incerto se o cessar-fogo sobreviverá aos próximos dias.