China expulsa nove oficiais militares de alto escalão
Medidas fazem parte de "ofensiva anticorrupção" do governo de Xi Jinping.
A China anunciou nesta semana a maior onda de expulsões militares dos últimos anos, removendo nove altos oficiais das Forças Armadas por suspeitas de corrupção grave. Entre os afastados está He Weidong, segundo general mais graduado do país e vice-presidente da Comissão Militar Central. A medida reforça a dita "campanha anticorrupção" que o presidente Xi Jinping intensificou desde sua chegada ao poder em 2012.
O Ministério da Defesa, por meio do porta-voz Zhang Xiaofang, confirmou que He Weidong, Miao Hua e outros sete militares de alto escalão sofreram expulsão "por violações graves à disciplina do partido e das Forças Armadas". Os crimes investigados envolvem desvios de valores especialmente elevados e trazem consequências prejudiciais ao país. Os acusados perderam a filiação ao Partido Comunista e a cidadania militar, tendo seus casos encaminhados à promotoria militar para revisão e acusação formal.
Entre os afastados estão também Miao Hua, diretor do departamento de trabalho político, e os comandantes de unidades estratégicas como a Marinha, Exército, Força Aérea e Polícia Armada. Oito deles eram membros do Comitê Central do Partido. A decisão ocorre poucas semanas antes da realização da sessão plenária do Comitê Central, evento onde devem ser formalizadas novas sanções.
A campanha anticorrupção liderada por Xi Jinping expurgou milhares de oficiais desde 2012. O movimento atingiu figuras proeminentes, como os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, removidos anteriormente.
Por mais que seja apresentada como esforço de limpeza institucional, a operação funciona muito bem como mecanismo de consolidação de poder, uma forma de assegurar lealdade entre os principais líderes civis e militares.
He Weidong desapareceu da vida pública em março, durante a sessão legislativa nacional anual. Informações colhidas pela imprensa internacional apontam que o general foi destituído do cargo e submetido a interrogatório por autoridades. Nascido em 1957, em Jiangsu, He Weidong acumulava posições estratégicas, e exercia influência direta sobre as operações militares chinesas. Sua queda marca o fim de uma carreira de cinco décadas nas Forças Armadas.
Miao Hua, nascido em 1955, também em Jiangsu, possuía formação em engenharia de gestão. Seu afastamento foi anunciado meses antes, em junho, quando perdeu a posição de membro da Comissão Militar. Relatórios posteriores identificaram sua participação em "atividades ilícitas" durante sua permanência no comando da área política das Forças Armadas.
As autoridades chinesas, com a notícia, afirmaram que as punições renovam o compromisso em erradicar a corrupção do setor militar. Segundo comunicado oficial, as ações demonstram que o Partido Comunista não tolerará esquemas criminosos nas fileiras das Forças Armadas. A medida visa fortalecer a pureza institucional e aumentar a capacidade operacional e a coesão das tropas.
Esses casos, todavia, refletem tensões internas sobre a lealdade política na China. A "anticorrupção" dirigida por Xi consolida seu controle sobre instituições militares, remove potenciais rivais e reafirma sua autoridade. Além disso, a série de expulsões demonstra que práticas ilícitas se infiltram nas estruturas de poder militar chinesas, exigindo limpeza de largo escopo.
A data da divulgação (17), poucos dias antes de reunião do Comitê Central, sugere uso coordenado das medidas para reforçar mensagens de disciplina partidária. Os expurgos anticorrupção servem à eliminação efetiva de desvios quanto à reafirmação da hierarquia política sob o comando de Xi Jinping, algo padrão em sua administração.