China reforça fiscalização da Nvidia

Escrito por Vitor Gomes Calado

Controle sobre importações de semicondutores americanos foi intensificado e cria nova tensão entre EUA e China.

Imagem ilustrativa

Pequim aumentou a vigilância sobre importações de semicondutores americanos. Equipes de fiscais aduaneiros receberam ordens para inspecionar carregamentos de chips nos principais portos do país.

A operação começou nas últimas semanas e foca inicialmente nos processadores de inteligência artificial da Nvidia. Os modelos H20 e RTX Pro 6000D, versões adaptadas para atender às restrições de exportação dos Estados Unidos, entraram na mira das autoridades chinesas.

Mas a fiscalização não para por aí. As inspeções também cobrem todos os semicondutores avançados. O objetivo declarado é barrar o contrabando de produtos que violam os controles de exportação americanos.

A mudança marca uma guinada na postura chinesa. Até agora, as alfândegas liberavam a entrada de chips desde que os impostos fossem pagos. A nova abordagem surgiu após relatórios apontarem que pelo menos US$ 1 bilhão em processadores de ponta da Nvidia entraram ilegalmente no país entre maio e julho.

O aperto ocorre em meio à pressão de Pequim sobre empresas locais para que abandonem produtos americanos. Em meados de setembro, a Administração do Ciberespaço da China instruiu gigantes como ByteDance e Alibaba a cancelar pedidos e testes com equipamentos da Nvidia.

A Qualcomm também entrou no radar. Na sexta-feira, reguladores chineses anunciaram investigação antitruste sobre a compra da israelense Autotalks pela empresa californiana. A aquisição foi concluída em junho, dois anos após o anúncio do negócio.

As ações revelam a estratégia chinesa de fortalecer a indústria local de semicondutores. Autoridades afirmam que chips produzidos no país já rivalizam em desempenho com os processadores da Nvidia feitos para o mercado chinês.

Pequim planeja triplicar a produção de semicondutores avançados no próximo ano. A meta é preencher o vazio deixado pelas restrições às vendas da Nvidia, que registrou US$ 4,6 bilhões em receita com o chip H20 apenas no primeiro trimestre do ano fiscal, antes da suspensão temporária das exportações pelos Estados Unidos.

A tensão bilateral aumentou. Na sexta-feira, a China anunciou que cobrará taxas de navios americanos que atracarem em portos chineses, em resposta a tarifas similares impostas por Washington. O Ministério dos Transportes chinês criticou as taxas americanas como violação grave dos princípios do comércio global.

O presidente Donald Trump reagiu com ameaças de aumentar tarifas e controles de exportação. Ele chegou a descartar um encontro previsto com o líder chinês Xi Jinping no fórum da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, marcado para o fim de outubro na Coreia do Sul.

Para a Nvidia, o cenário é delicado. A China representa um mercado importante, ao ponto de terem se disposto a arcar com as tarifas de Trump. A intensificação por parte da China, todavia, é algo que aperta ainda mais o cinto da Nvidia. A companhia já parece ter excluído a China de suas projeções futuras de receita.

Fiscais também investigam se empresas declararam falsamente importações anteriores de chips avançados. A firma americana Tower Research está sob investigação por suposto contrabando de processadores e equipamentos de ponta.

Apesar dos avanços da Huawei e outras fabricantes chinesas, profissionais de tecnologia ainda reconhecem que os chips da Nvidia entregam melhor desempenho.