China rejeita ameaça tarifária de Trump e promete resposta

Escrito por Vitor Gomes Calado

Terras raras são o principal fator no qual a China se ancora em resposta aos EUA.

Fonte: Reuters

A China declarou neste domingo que não recuará diante da ameaça de tarifas de 100% feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pediu que Washington resolva as diferenças por meio de negociações em vez de ameaças. A tensão entre as duas maiores economias do mundo se intensificou após Pequim anunciar restrições à exportação de minerais de terras raras.

"A posição da China é clara: não queremos uma guerra tarifária, mas não temos medo de uma", afirmou o Ministério do Comércio chinês em comunicado. Foi a primeira resposta oficial de Pequim à ameaça de Trump de aumentar as tarifas sobre produtos chineses até 1º de novembro, que se somariam aos 30% já em vigor.

Horas depois, Trump usou sua plataforma Truth Social para enviar uma mensagem ao presidente chinês Xi Jinping. "Não se preocupem com a China, tudo ficará bem! O respeitado presidente Xi teve um momento ruim. Ele não quer uma depressão para seu país, e eu também não. Os EUA querem ajudar a China, não prejudicá-la!", escreveu o republicano.

A troca de ameaças coloca em risco um possível encontro entre Trump e Xi, previsto para ocorrer na Coreia do Sul nas próximas semanas, e pode encerrar a trégua em uma guerra comercial que viu tarifas de ambos os lados ultrapassarem 100% em abril.

O vice-presidente JD Vance afirmou que Trump está comprometido em proteger a economia dos EUA e tornar o país autossuficiente. Ele classificou o controle chinês sobre fornecimentos críticos como uma emergência nacional, o que justifica as tarifas rígidas. "Será uma dança delicada e muito dependerá de como os chineses responderem", disse Vance à Fox News.

O Ministério do Comércio chinês criticou o recurso frequente a ameaças tarifárias e defendeu o diálogo. "Se os Estados Unidos insistirem nessa prática, a China tomará medidas correspondentes para defender seus direitos legítimos", advertiu o comunicado.

As novas restrições chinesas sobre terras raras incluem controles ampliados sobre minerais e tecnologias de produção, com exigência de aprovação governamental para exportação de itens que contenham esses elementos, independentemente de onde sejam fabricados. A China responde por cerca de 70% da mineração mundial de terras raras e controla aproximadamente 90% do processamento global. Esses minerais são essenciais para produtos que vão de motores de jatos e sistemas de radar a veículos elétricos e eletrônicos de consumo.

O economista Steven Durlauf, da Universidade de Chicago, acredita que os EUA recuarão da ameaça de tarifa adicional de 100%. "As políticas tarifárias de Trump são uma sequência de ameaças, reversões e novas ameaças", disse Durlauf.

Os mercados financeiros reagiram mal às tensões. Na sexta-feira (10), o índice S&P 500 despencou 2,7%, seu pior dia em seis meses.