Cláudio Castro é alvo de ação no STF por suposta cooperação com os EUA

Escrito por Vitor Gomes Calado

Líder do PT na Câmara aciona STF contra Claudio Castro por "violação da soberania".

Cláudio Castro. Governador do Rio de Janeiro.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, protocolou na segunda-feira uma representação no Supremo Tribunal Federal contra o governador Cláudio Castro. O documento pede a abertura de inquérito por crimes de atentado à soberania nacional e espionagem. A ação foi direcionada ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a denúncia, o governo fluminense teria enviado relatórios confidenciais sobre segurança pública à embaixada dos Estados Unidos no início de 2025. O material sugeria sanções econômicas contra pessoas e grupos ligados ao Comando Vermelho no exterior. Castro também teria buscado apoio de integrantes do governo Donald Trump para que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações narcoterroristas.

A representação do PT afirma que essas tratativas ocorreram sem autorização da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores ou do Ministério da Justiça. Para Lindbergh, isso viola a competência da União para conduzir relações internacionais e representa uma ameaça à política de segurança nacional. "Ao agir como informante de um governo estrangeiro, Cláudio Castro viola a soberania brasileira e afronta o pacto federativo", diz o texto.

O pedido ao STF solicita que o caso seja enviado à Procuradoria-Geral da República, que sejam requisitados os relatórios e comunicações trocados com autoridades americanas e que o governador seja afastado de forma cautelar. A ação também pede que a Agência Brasileira de Inteligência e a Controladoria-Geral da União investiguem possíveis vazamentos de informações estratégicas.

Caso a classificação das facções como grupos terroristas fosse aceita pelos Estados Unidos, sanções e bloqueios de ativos poderiam atingir pessoas e instituições brasileiras. Além disso, medidas de cooperação direta de inteligência em território nacional, inclusive de natureza militar, poderiam ocorrer sem participação das autoridades federais brasileiras.

A denúncia surge em meio a tensões entre o governo brasileiro, o STF e a administração Trump. Castro defendeu-se ao afirmar que a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha seguiu parâmetros constitucionais e teve controle judicial. Na terça-feira, o governador cumpriu agenda em Brasília para discutir segurança pública com lideranças políticas.