Cloudfare descarta ataque cibernético como motivo para queda
Antes foi a vez da AWS, agora é da Cloudfare.
Uma falha técnica na Cloudflare provocou interrupções em dezenas de sites e aplicativos na manhã desta terça-feira, afetando usuários ao redor do mundo. Entre as plataformas atingidas estavam X (antigo Twitter), ChatGPT, Claude, Spotify e outros serviços populares.
O problema começou por volta das 8h20 (horário de Brasília) e se estendeu por cerca de três horas. A empresa de infraestrutura digital, avaliada em aproximadamente 70 bilhões de dólares, registrou queda de 2% em suas ações durante o pregão.
Segundo comunicado da Cloudflare, um arquivo de configuração gerado automaticamente para gerenciar tráfego de ameaças cresceu além do tamanho esperado e provocou falhas no sistema responsável por processar o tráfego de diversos serviços. A companhia descartou ataques cibernéticos ou atividades maliciosas como causa do incidente.
O site Down Detector que monitora falhas na internet, era hospedado na Cloudfare e também saiu do ar temporariamente. Quando voltou a funcionar, mostrava um pico global de problemas: a Cloudflare passou de apenas cinco relatos às 8h para mais de 8 mil às 8h45. Milhares de usuários reportaram dificuldades para acessar o X, além de outras plataformas como OpenAI, Amazon Web Services e Facebook.
O episódio ganhou contornos irônicos. Há um mês, Elon Musk havia zombado de empresas afetadas por uma queda da AWS, afirmando que o X não tinha "dependências da AWS". A plataforma, no entanto, ficou fora do ar junto com as demais durante a interrupção da Cloudflare.
A presidente do Signal, Meredith Whittaker, aproveitou o incidente para alertar sobre os riscos da concentração da infraestrutura digital. Ela argumentou que plataformas modernas de comunicação não têm "alternativas realistas" a gigantes como Cloudflare e Amazon Web Services, o que levanta questões sobre resiliência e privacidade.
A Cloudflare informou que implementou correções e acredita ter resolvido o problema, embora alguns clientes ainda relatassem dificuldades para acessar o painel de controle da empresa. A companhia mantém o monitoramento para garantir que todos os serviços retornem à normalidade.
Este não é o primeiro episódio do tipo. Em 2019, uma falha na Cloudflare tirou do ar plataformas como Discord, SoundCloud, Dropbox e Shopify por pelo menos 30 minutos. Interrupções de serviço tornaram-se cada vez mais frequentes, com Amazon Web Services e Microsoft registrando quedas globais no início deste ano.