Comentários de Trump sobre eleições argentinas provocam crise diplomática

Escrito por Vitor Gomes Calado

Fator Trump é capaz de gerar ainda mais rejeição entre eleitores a Milei.

Donald Trump e Javier Milei.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica ao condicionar um pacote de ajuda financeira à Argentina ao desempenho do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de domingo. A declaração, feita durante entrevista na Casa Branca, desencadeou protestos da oposição argentina e acusações de ingerência externa nos assuntos do país.

Trump ofereceu um pacote de até 40 bilhões de dólares à Argentina, que inclui um acordo de swap cambial de 20 bilhões já assinado e uma possível linha adicional de igual valor. Quando questionado se o apoio dependia da vitória do partido La Libertad Avanza nas eleições, Trump respondeu: "Se eles não conseguirem isso, não vamos ficar por perto muito tempo".

A fala provocou reação imediata. Nas redes sociais, a hashtag #PatriaOColonia ganhou força. Jorge Taiana, ex-ministro da Defesa e candidato peronista, exigiu que Trump "pare de extorquir o povo argentino". Do lado oposto, aliados de Milei minimizaram o episódio. Santiago Pauli, deputado do partido governista, afirmou que Trump apenas expressou seu desejo de continuar apoiando a Argentina, sem fazer exigências formais.

As pesquisas mostram resistência popular à intervenção americana. Levantamento da Zuban Cordoba indica que 60% dos argentinos têm visão negativa de Trump. Outra enquete, da Zentrix, aponta que 58% rejeitam a ajuda financeira dos EUA.

A eleição decidirá se Milei terá força no Congresso para manter seu programa de austeridade, que produziu superávit fiscal mas desgastou sua popularidade. Pablo Vommaro, diretor da CLACSO, avalia que Trump busca em Milei um aliado conservador na América Latina, além de acesso a recursos como lítio e contenção da influência chinesa na região.