Como os ex-membros da USSR viraram uma Economia de Mercado?
Como transformar um país destruído pelo socialismo numa Economia de Mercado?
Depois da Queda da União Soviética em dezembro de 1991, gradualmente, o que viria a ser uma confederação entre os países membros da mesma tornou-se uma luta constante para cada um deles virar uma soberania. Seja do ponto monetário, bancário, político, jurídico, econômico, e com uma perspectiva de mercado, onde essa transição foi muito diferente de país para país, e aceitação da cúpula política também foi bem mais tryhard de se lidar em uns do que em outros. O pontos centrais do porque esse sistema é irracional Von Mises diz: > “É uma ilusão imaginar que em um estado socialista o cálculo in natura pode tomar o lugar do cálculo monetário. O cálculo in natura, em uma economia sem troca, pode abranger apenas bens de consumo; ele falha completamente quando se trata de bens de ordem superior” (Von Mises, 1940, pg. 17). De fato a USSR conseguia lidar com a alocação de bens de consumo sem destruir seus membros por inteiro, de fato era uma economia que criava um efeito de “shortage”, de falta de bens de consumo continuamente (como carne, arroz, açúcar e etc), onde o controle da alocação e distribuição dos recursos estava totalmente na mão e à mercê da inteligência dos oficiais do Estado. Porém, nesse sistema não há transações no sentido estrito da coisa, pois o que há é um monopólio total de todas as transações, das quais a grande maioria é feita pelo Estado, e controlada pelo Estado, o que cria uma confusão, uma dissolução da moeda, valor e de todo o sistema de consumo e produção. Além de faltar comida em diversas áreas da USSR continuamente (em taxas normais), matéria prima para indústrias (nem sempre por falta, mas má administração da alocação desses recursos) e coisas do tipo, a função de produção visava apenas um ente buscando realizar tais transações, e tal era o Estado. Míses continua: > “E assim que se abandona a concepção de um preço monetário livremente estabelecido para bens de ordem superior, a produção racional torna-se completamente impossível. Cada passo que nos afasta da propriedade privada dos meios de produção e do uso do dinheiro também nos afasta da economia racional” (Von Mises, 1940, pg. 17). A questão não é que seria simplesmente mais difícil realizar taxas de produção de forma eficiente, mas sim que todo o sistema se torna um agente contra si mesmo, tanto que, seja do o lado dos trabalhadores e dos produtores, sempre se está numa ineficiência crônica e perpétua, pois toda a informação do sistema é controlada pelo Estado, e uma coisa básica em economia é que ela é um sistema de informação imperfeita, o preço de produtos reflete parcialmente as relações de causa–efeito do mercado, onde essa informação é categoricamente incontrolável, é possível visualizar ela estatisticamente, mas não prever seu futuro ou direcionar ela necessariamente, é um sistema heterogêneo, de “perpetual novelty” e “event–driven” como diz Brian Arthur (Arthur, 2021). Até mesmo onde narrativas moldam as constelações de possibilidades do ponto de vista informacional no sistema econômico (Shiller, 2018; Shiller, 2020), onde, interpretando-as corretamente, seria possível entender parcialmente as flutuações do mercado e tomar decisões (como no forex, títulos e etc) de acordo com a filtragem dessa informação que se pode realizar, e interpretá-las e usá-las de forma praxeológica do melhor modo possível. Assim, um empresário no ramo alimentício pode entender melhor as relações de flutuação de matéria prima e os calendários de produção, transporte e consumo dessa commodity e assim decidir que estratégia ele deve tomar em relação a sua empresa naquele semestre, tudo no fim depende de know-how, mas primeiro “know” depois “how”, mostrando a importação da informação para qualquer empresário. Porém, num sistema socialista toda a informação sobre preços, importações, exportações, taxas de produção e decisões de como alocar recursos, capital humano, e que direção seguir no geral em todos os setores, vem do Estado. Assim, você gera um sistema totalmente confuso do ponto de vista informacional, onde tomar decisões (como Mises diz) racionalmente torna-se um trabalho impossível, mesmo que os diretores das empresas estatais socialistas fossem eficientes, inteligentes e capazes, nesse sistema, mesmo que nele teoricamente houvesse incentivo para ser bem sucedido, ele nunca conseguiria e, factualmente, foi isso que aconteceu. Mises acrescenta: > “Portanto, em um Estado socialista em que a busca pelo cálculo econômico é impossível, não pode haver — no nosso sentido do termo — qualquer economia. Em questões triviais e secundárias, a conduta racional ainda pode ser possível, mas, em geral, seria impossível falar mais em produção racional” (Von Mises, 1940, pg. 18). E de fato isso ocorreu, na USSR havia muitas fábricas, muito capital fixo alocado, uma grande quantidade de manufatura, máquinas no geral, havia uma infraestrutura, tudo isso, todavia não se especializou e se modificou ao longo do tempo (visto como estava nos anos 80–90) e, no geral, para o que elas comportavam teoricamente, elas nem de longe operavam na sua capacidade máxima (teórica) e, quando os oligarcas russos, ucranianos etc., pegaram esses empreendimentos acabados, eles rapidamente os tornaram bem sucedidos. Isso não mostra exatamente como a culpa é do sistema adotado que é totalmente contrário a tudo que