Estados Unidos intervêm para estabilizar economia argentina

Escrito por Vitor Gomes Calado

Intuito é fortalecer Milei e auxiliá-lo em sua reeleição como aliado estratégico.

Javier Milei e Donald Trump em encontro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 23 de setembro de 2025. Foto: REUTERS

O governo de Donald Trump anunciou ontem apoio financeiro à Argentina para conter uma crise que ameaça a economia do país. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos estão prontos para "fazer o necessário" para estabilizar os mercados argentinos.

A intervenção ocorreu após o peso argentino e a bolsa de valores despencarem na semana passada. Investidores fugiram dos ativos argentinos depois que o partido de Javier Milei perdeu as eleições locais em Buenos Aires, isso lançou dúvidas sobre as eleições legislativas marcadas para 26 de outubro.

Scott Bessent declarou nas redes sociais que a Argentina é um aliado americano de importância sistêmica. Ele indicou disposição para fornecer liquidez em dólares ou comprar dívida argentina. O efeito foi imediato: mercados se recuperaram e o peso se valorizou quase 5% frente ao dólar.

Durante encontro na ONU em Nova York, Trump afirmou que não acredita que a Argentina precise de resgate financeiro. "Estamos dando ao presidente da Argentina nosso apoio total", disse Trump a jornalistas, ele declaradamente apoiou a reeleição de Milei para que ele possa "completar seu trabalho".

O Banco Mundial anunciou separadamente que acelerará US$ 4 bilhões, dos US$ 12 bilhões prometidos, em investimentos público-privados nos próximos meses, focando em projetos de mineração, energia e turismo.

O Fundo de Estabilização Cambial americano, criado em 1934 durante a Grande Depressão, possui US$ 219,5 bilhões em ativos totais. Cerca de US$ 30 bilhões devem estar disponíveis para uso imediato—mais que suficiente pra conter a crise na Argentina.

Milei, que assumiu o poder no final de 2023, prometeu cortes profundos nos gastos públicos, implementou reduções drásticas em educação, pesquisa e assistência social. Sua política econômica gerou o chamado "choque" na economia argentina, o que trouxe uma piora na vida dos argentinos, mas uma melhora ligeira nos índices econômicos. É uma medida que compensa no longo prazo, pois, caso mantida, cria um modelo de economia que cresce ao longo prazo, mas que é uma medida antipopulista.

A Argentina já recebeu US$ 42 bilhões em fundos de resgate do FMI, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento em abril. O país permanece o maior devedor do FMI, com dívida superior a US$ 40 bilhões.

Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro americano, alertou que superar a desconfiança dos investidores será desafiador, isso pois os mercados mundiais "têm mais de 100 anos de experiência com hiperinflação e calotes argentinos".