Estados Unidos manifestam apoio ao Rio após operação policial
Declaração oficial foi assinada por James Sparks, da Divisão Antidrogas dos Estados Unidos.
O governo americano enviou uma carta ao secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, na última terça-feira. O documento expressa condolências pela morte de quatro policiais durante a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, e oferece ajuda no combate ao crime organizado.
James Sparks, responsável pela Administração para o Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA), assinou a correspondência. O texto reconhece o trabalho dos agentes mortos e ressalta que o país está pronto para colaborar com as autoridades fluminenses.
A operação aconteceu há uma semana e teve como alvo o Comando Vermelho, facção que domina áreas da Penha e do Alemão. O balanço final registrou 121 mortos, incluindo os quatro policiais militares.
O governador Cláudio Castro busca há meses que Washington reconheça o Comando Vermelho como organização terrorista. Ele entregou à embaixada americana um relatório pedindo que a facção entre na lista de grupos desse tipo, que já inclui organizações do México e da Venezuela. O governo federal, porém, rejeita essa classificação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a operação durante visita a Belém. Ele chamou a ação de "matança" e anunciou que a Polícia Federal deve investigar o caso. Lula afirmou que o juiz expediu ordem de prisão, não autorização para matar.
Castro defendeu a legalidade da operação em audiência com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da ADPF das Favelas. O governador argumentou que a ação respeitou a Constituição e usou força proporcional.
Uma pesquisa da Genial Investimentos e Quaest revelou que 64% dos moradores do estado aprovam a operação. O levantamento também mostrou que 73% defendem novas ações policiais em comunidades controladas por facções.
O Tribunal de Justiça determinou a transferência de sete traficantes para presídios federais. Entre eles está Roberto de Souza Brito, conhecido como Irmão Metralha, que atua no Complexo do Alemão. Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, ligado ao Morro Santo Amaro, também será transferido.
Na primeira reunião do Escritório Emergencial de Combate ao Crime Organizado, as autoridades definiram como prioridade barrar a entrada de fuzis no estado. O encontro reuniu o secretário nacional de Segurança, Mário Sarrubo, e o secretário estadual Victor Santos.