Estatais chinesas suspendem compra de petróleo russo
Sanções dos EUA contra gigantes russas do petróleo abalam mercado global, Índia deve seguir mesmo caminho que a China.
As principais empresas estatais chinesas de petróleo interromperam as compras de petróleo russo após os Estados Unidos aplicarem sanções contra a Rosneft e a Lukoil, dois dos maiores produtores de petróleo da Rússia. A decisão marca uma mudança expressiva em um dos principais mercados de exportação de Moscou e pode apertar as receitas do país.
A PetroChina, Sinopec, CNOOC e Zhenhua Oil paralisaram as importações marítimas de petróleo russo, segundo fontes do setor ouvidas pela Reuters. A medida responde às novas restrições impostas pelo governo americano, que congelou todos os ativos dessas empresas russas em território dos EUA e proibiu companhias e cidadãos americanos de fazer negócios com elas.
O presidente Donald Trump, ao anunciar as sanções na Casa Branca, descreveu as medidas como "tremendas" e disse esperar que não permaneçam por muito tempo. Trump demonstrou expectativa de que a Rússia retome as negociações sobre a Ucrânia e que tanto Vladimir Putin quanto Volodymyr Zelenskyy se mostrem dispostos ao diálogo.
As sanções incluem ainda ameaças secundárias contra instituições financeiras estrangeiras que mantiverem negócios com a Rosneft e a Lukoil, o que pode afetar bancos que facilitam vendas de petróleo russo na China, Índia e Turquia.
O impacto foi imediato nos mercados. O petróleo Brent subiu quase 5%, alcançando US$ 65,83 por barril, uma alta de duas semanas. As ações da Shell e da BP avançaram cerca de 3%, impulsionando o índice FTSE 100 a um recorde de 9.594,82 pontos. Em contraste, as bolsas de Moscou despencaram, com quedas de até 3,6%.
A Índia, maior compradora de petróleo russo transportado por mar desde o início da guerra na Ucrânia, também pode reduzir drasticamente suas importações. A Reliance Industries, principal compradora indiana de petróleo russo, planeja diminuir ou suspender completamente essas compras.
A China importa cerca de 1,4 milhão de barris de petróleo russo por dia via transporte marítimo, embora a maior parte vá para refinarias independentes. As estimativas sobre quanto as empresas estatais chinesas compram variam: a Vortexa Analytics calcula menos de 250 mil barris por dia nos primeiros nove meses de 2025, enquanto a Energy Aspects estima 500 mil barris diários.
As importações chinesas por oleodutos, cerca de 900 mil barris por dia destinados à PetroChina, devem permanecer inalteradas, segundo analistas. Esses fluxos são cobertos por acordos governamentais de longo prazo e, aparentemente, não serão afetados pelas sanções.