EUA preparam operação contra cartéis em território mexicano

Escrito por Vitor Gomes Calado

Ação ocorre em meio a cenário de operações no Brasil e destruição de barcos venezuelanos.

Soldado americano no México.

O governo Trump desenvolve planos para enviar tropas e agentes de inteligência ao México em missão contra o narcotráfico. A informação, divulgada pela NBC News com base em fontes oficiais, revela que a operação incluirá ataques terrestres e uso de drones contra líderes de cartéis e laboratórios de drogas.

A Casa Branca pretende conduzir a missão sob autoridade de inteligência, o que permitiria manter sigilo sobre as ações. Militares do Comando de Operações Especiais Conjuntas atuariam junto com oficiais da CIA. Um porta-voz do governo confirmou que a administração está "comprometida com uma abordagem que use todos os recursos governamentais para enfrentar as ameaças que os cartéis representam aos cidadãos americanos".

Fontes afirmam que treinamentos preliminares já começaram, mas nenhum deslocamento está previsto para o futuro imediato. Autoridades ainda discutem a escala e o momento da operação, e nenhuma decisão final foi tomada.

A iniciativa surge após semanas de ataques a embarcações venezuelanas acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. O governo Trump matou suspeitos que identificou como membros de cartéis, mas congressistas manifestam preocupação de que operações terrestres possam ser vistas como ato de guerra.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum já rejeitou a ideia de tropas americanas em solo mexicano. "Os Estados Unidos não virão ao México com militares", declarou em agosto. "Cooperamos, colaboramos, mas não haverá invasão. Isso está descartado." Em pronunciamento posterior, Sheinbaum reforçou que o México "rejeita qualquer forma de intervenção ou interferência" e que "coordena e colabora, mas não se subordina".

Washington prefere executar a operação com coordenação mexicana, mas não descarta agir sozinho. O governo Sheinbaum, contudo, tem ampliado esforços para conter o fluxo de drogas e permitido voos de vigilância da CIA no país.

Em fevereiro, o Departamento de Estado classificou diversos cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras. A designação amplia os poderes legais das agências de inteligência para operações secretas. Trump argumenta que os cartéis representam "ameaça à segurança nacional" e que métodos tradicionais de aplicação da lei falharam em deter o tráfico de entorpecentes.

O secretário de Defesa Pete Hegseth escreveu na rede social X que "o Hemisfério Ocidental não é mais refúgio seguro para narcoterroristas". Já Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, alertou que as ações americanas ameaçam "a soberania e os assuntos internos de outras nações" em toda a região.

Permanece incerto quando a operação ocorreria e se o México seria informado previamente.