EUA Sancionam Presidente da Colômbia por Acusações de Narcotráfico
Além da Venezuela de Maduro, Colômbia de Gustavo Petro é alvo do governo de Trump.
Além da Venezuela de Maduro, Colômbia de Petro é alvo do governo de Trump.
Os Estados Unidos aplicaram sanções ao presidente colombiano Gustavo Petro nesta sexta-feira, 24 de outubro, em uma medida que aprofunda a crise diplomática entre Washington e Bogotá. O Departamento do Tesouro americano acusa o mandatário de permitir o aumento da produção de cocaína e de se recusar a conter o fluxo da droga para território americano.
A decisão coloca Petro em um grupo restrito de líderes mundiais sancionados pelos EUA, ao lado dos presidentes da Rússia, Venezuela e Coreia do Norte. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a produção de cocaína na Colômbia atingiu os níveis mais altos das últimas décadas desde que Petro assumiu o poder em 2022.
"O presidente Petro permitiu que cartéis de drogas prosperassem e se recusou a interromper essa atividade", declarou Bessent. As sanções, impostas sob ordem executiva que visa pessoas envolvidas no comércio global de drogas ilícitas, bloqueiam todos os bens e interesses de Petro em território americano ou sob controle de cidadãos dos EUA.
A medida também atinge a primeira-dama Veronica del Socorro Alcocer Garcia, o filho mais velho do presidente, Nicolas Fernando Petro Burgos, e o ministro do Interior, Armando Alberto Benedetti Villaneda. Nicolas Petro foi preso em 2023 na Colômbia sob acusações de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, após admitir ter recebido recursos de pessoas ligadas ao narcotráfico.
Petro reagiu de forma contundente nas redes sociais, afirmando que contratou advogados americanos para contestar as sanções. "Lutar contra o narcotráfico por décadas—e de forma eficaz—me trouxe essa medida do governo da própria sociedade que tanto ajudamos a reduzir seu consumo de cocaína", escreveu o presidente colombiano. "Um paradoxo completo, mas nem um passo atrás, e nunca de joelhos".
O governo Trump já havia revogado o visto de Petro no fim de setembro e, dias antes das sanções, anunciou a suspensão de todos os pagamentos à Colômbia. Washington também criticou o presidente colombiano por compartilhar informações confidenciais obtidas por canais de combate à lavagem de dinheiro, o que levou à suspensão da Colômbia do Grupo Egmont.
A Colômbia permanece como maior produtor e exportador mundial de cocaína. Petro prometeu controlar as regiões produtoras de coca com intervenção social e militar, mas a estratégia obteve poucos resultados. Em setembro, o presidente Trump determinou que a Colômbia falha de forma demonstrável em suas responsabilidades de controle de drogas.