General venezuelano delata Lula e outros como financiados por Nicolás Maduro

Escrito por Vitor Gomes Calado

Delação de ex-general venezuelano reacende debate sobre financiamento internacional da esquerda.

Imagem de "El Pollo", ex-general venezuelano que integrava serviço de inteligência do governo de Maduro.

Hugo Armando Carvajal Barrios, conhecido como "El Pollo", aceitou cooperar com autoridades norte-americanas após ser preso por envolvimento com o Cartel de los Soles. O ex-general venezuelano e ex-chefe de inteligência de Hugo Chávez admitiu participação em operações de narcotráfico e narcoterrorismo, e em troca espera redução significativa em sua pena, que pode variar entre prisão perpétua e vinte anos de cadeia.

Segundo documentos revelados nesta semana, Carvajal declarou-se culpado de quatro crimes perante a Corte do Distrito Sul de Nova York: narcotráfico, narcoterrorismo, posse e conspiração para uso de armas. Ele integrou o cartel formado por oficiais militares de alto escalão que funcionava dentro das Forças Armadas venezuelanas, utilizando estruturas estatais para transportar toneladas de cocaína destinadas aos Estados Unidos. O Ministério Público americano afirma que o regime chavista "usou a cocaína como arma, inundando Nova York e outras cidades com veneno".

Carvajal apresentou à Justiça americana um documento de sete páginas no qual afirma que o governo venezuelano financiou movimentos políticos de esquerda no mundo durante pelo menos quinze anos. Segundo o ex-general, enquanto exercia seu cargo, recebeu "uma grande quantidade de relatórios indicando que esse financiamento internacional estava ocorrendo". O documento lista líderes e partidos que, conforme Carvajal, teriam recebido recursos de Caracas: Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner, Evo Morales, Fernando Lugo, Ollanta Humala, Mel Zelaya e Gustavo Petro, além dos partidos Podemos da Espanha e Movimento Cinco Estrelas da Itália.

Carvajal afirma ainda que a prática continuou sob o comando de Nicolás Maduro, que utilizou a PDVSA, estatal petrolífera venezuelana, como principal fonte de recursos para essas operações. Um caso específico mencionado envolve o Movimento Cinco Estrelas italiano, que teria recebido 3,5 milhões de euros em espécie por meio de uma mala diplomática, operação aprovada por Maduro quando era chanceler.

O presidente argentino Javier Milei compartilhou reportagem com essas informações em rede social, acompanhada da frase "E muitas máscaras cairão", ato que amplificou o alcance das acusações. A divulgação das alegações de Carvajal gera potencial impacto político em diversos países latino-americanos.

Lula, por sua vez, criticou recentemente tentativas de intervenção externa na Venezuela, afirmando que "o povo venezuelano é dono do seu destino e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite". As declarações ocorrem em momento de intensificação de pressão do governo Trump contra Maduro, incluindo autorização para a CIA conduzir operações no país e envio de navios de guerra ao Caribe.

As revelações de Carvajal reinauguram debates, antes tidos como "conspirações", acerca do financiamento político internacional da esquerda. O ex-general se comprometeu a entregar documentos adicionais sobre redes de financiamento político associadas ao regime venezuelano, informações que podem reorientar investigações sobre fluxos financeiros clandestinos no continente e motivar mais ações oficiais americanas neste continente.