Governo federal dos EUA paralisa após impasse no Congresso
Imensa "greve geral" dos democratas em meio a conflitos políticos.
O governo federal americano entrou em paralisação pela primeira vez em sete anos após democratas do Senado bloquearem uma proposta republicana de financiamento temporário. A medida recebeu 55 votos favoráveis, cinco a menos do que os 60 necessários para superar o filibuster democrata.
A proposta republicana manteria os gastos nos níveis atuais até 21 de novembro. Democratas rejeitaram o acordo por considerá-lo insuficiente em questões de saúde pública. O partido busca reverter cortes no Medicaid aprovados neste ano e estender créditos fiscais que reduzem o custo de seguros de saúde para milhões de americanos.
Vice-presidente JD Vance responsabilizou a ala progressista do Senado pela paralisação. "Democratas do Senado decidiram fechar o governo, mesmo com a Câmara votando pela continuidade", afirmou em entrevista à CBS News. Ele classificou a situação como "tomada de reféns da economia" por divergências políticas.
Pesquisa do New York Times e Siena College mostra que 65% dos eleitores registrados se opõem ao fechamento do governo, mesmo que demandas democratas não sejam atendidas. Entre democratas, 43% rejeitam a paralisação sem concessões republicanas.
Impacto nos serviços
O Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca estima que 750 mil funcionários federais entrem em licença não remunerada a cada dia de paralisação, com custo diário de US$ 400 milhões em salários. Economistas calculam prejuízo de US$ 7 bilhões por semana à economia americana.
Uma lei de 2019 garante pagamento retroativo aos funcionários dispensados, mas eles podem ficar sem um ou mais contracheques durante a crise. Trabalhadores essenciais continuam em serviço sem remuneração imediata.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dispensará 41% de seus 80 mil funcionários. O CDC manterá a vigilância de surtos de doenças, mas suspenderá pesquisas sobre riscos à saúde e prevenção de enfermidades.
A FDA adiará a análise de novos pedidos de medicamentos e dispositivos médicos que exigem taxas de usuário. Pacientes já inscritos em estudos nos Institutos Nacionais de Saúde continuarão a receber cuidados.
Serviços postais funcionarão sem interrupção, já que o Serviço Postal opera com recursos próprios da venda de produtos e serviços, não com impostos.
Parques nacionais ficarão parcialmente abertos. Estradas, trilhas e monumentos ao ar livre permanecerão acessíveis, mas prédios que exigem pessoal, como centros de visitantes, fecharão as portas.
Previdência Social, Medicare e controle de tráfego aéreo são considerados serviços essenciais e continuam em operação normal.
Os museus do Smithsonian, centros de pesquisa e o zoológico nacional permanecerão abertos pelo menos até 6 de outubro.
Desde 1977, ocorreram 21 paralisações do governo federal, com duração média de oito dias. A mais longa aconteceu entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, durante o primeiro governo Trump, e durou 35 dias.
O presidente Trump alertou para possibilidade de demissões em massa de funcionários federais, e já demitiu cerca de 100 mil funcionários públicos.