Haddad ainda estuda gratuidade do transporte público
Por ordem de Lula, viabilidade da gratuidade do transporte será utilizada como estratégia eleitoral.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira que o governo analisa a possibilidade de eliminar tarifas de transporte público no Brasil. A iniciativa atende a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e busca avaliar formas alternativas de financiar o setor.
Em entrevista a um programa de rádio governamental, Haddad reconheceu que a equipe econômica revisita estudos para identificar modelos de financiamento mais adequados. "O transporte público no Brasil, especialmente nas áreas urbanas, é uma questão central para os trabalhadores", afirmou o ministro, que destacou a realização de uma "avaliação completa do setor".
A notícia, que vazou na imprensa na semana passada, provocou reação negativa no mercado financeiro. Investidores manifestaram preocupação com possível relaxamento da disciplina fiscal do governo de esquerda às vésperas das eleições gerais de 2026. O real se desvalorizou e os juros futuros subiram após os comentários do ministro.
O Brasil já experimenta a "tarifa zero" em mais de 150 municípios, a maioria de pequeno e médio porte. Maricá, no estado do Rio de Janeiro, opera uma rede municipal que transporta cerca de 115 mil passageiros diariamente. A cidade calcula que as famílias economizaram aproximadamente R$ 127,4 milhões em passagens entre janeiro e agosto deste ano. A questão, todavia, é que Maricá possui uma renda "especial", que provém de royalties de petróleo.
Grandes capitais também testam o modelo de forma limitada. São Paulo mantém ônibus municipais gratuitos aos domingos, enquanto a tarifa regular custa R$ 5. No Rio de Janeiro, a passagem municipal sai por R$ 4,70.
A expansão nacional enfrenta obstáculos significativos. Estimativas apontam custos anuais entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões, dependendo da abrangência do programa. O governo avalia substituir o vale-transporte pago por empregadores por uma taxa mais ampla que financie o acesso universal, além de criar um Sistema Unificado de Mobilidade com financiamento estável.
Em Belo Horizonte, uma proposta para cobrar entre R$ 168,82 e R$ 185 por trabalhador das empresas, com previsão de arrecadar R$ 2 bilhões anuais, foi rejeitada em primeira votação.
Paralelamente, Haddad aguarda votação no Congresso de medida que altera a tributação sobre rendimentos de investimentos. A proposta, que enfrenta resistência entre parlamentares, deve gerar R$ 20,9 bilhões em 2026 e precisa de aprovação até quarta-feira para manter validade.
O ministro também comentou a conversa telefônica entre Lula e o presidente americano Donald Trump, ocorrida na segunda-feira. Segundo Haddad, os líderes pretendem superar as tensões recentes relacionadas à disputa tarifária entre os países. O Brasil enfrenta tarifas de 50% sobre seus produtos nos Estados Unidos, discussões a nível ministerial devem ocorrer antes de um encontro presencial entre os presidentes, o encarregado de Trump foi Marco Rubio, Haddad, todavia, especulou também que Scott Bessent (encarregado do Tesouro americano) poderia negociar.