Hamas aceita liberar reféns de Israel

Escrito por Vitor Gomes Calado

Com isso, Trump também pediu fim imediato dos bombardeios em Gaza.

Presidente dos Estados Unidos Donald Trump e Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, imagem ilustrativa.

O grupo palestino Hamas anunciou nesta sexta-feira que concorda em libertar todos os reféns israelenses mantidos na Faixa de Gaza, tanto vivos quanto mortos. A declaração representa uma resposta ao plano de paz de 20 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Em comunicado, o Hamas afirmou que vai "libertar todos os prisioneiros israelenses, vivos e mortos, segundo a fórmula de troca contida na proposta do presidente Trump", desde que as condições de campo para a troca sejam atendidas. O grupo demonstrou disposição para entrar em negociações indiretas através de mediadores para discutir os detalhes do acordo.

Trump reagiu de forma positiva à resposta do Hamas. "Acredito que eles estão prontos para uma paz duradoura", escreveu na plataforma Truth Social. O presidente exigiu que Israel interrompa imediatamente os bombardeios em Gaza para permitir a retirada segura dos reféns. "Neste momento, está perigoso demais para fazer isso", declarou Trump, acrescentando que discussões sobre os detalhes já começaram.

O escritório de Netanyahu também recebeu bem a resposta do Hamas e afirmou que Israel se prepara para implementar a primeira fase do plano de Trump. O governo israelense prometeu trabalhar em cooperação com a equipe presidencial americana para encerrar a guerra.

Estima-se que 48 reféns permanecem em Gaza, dos quais apenas 20 estariam vivos. O plano de Trump prevê o fim imediato dos combates após acordo entre as partes, com a liberação de todos os reféns em até 72 horas, em troca de centenas de palestinos detidos.

O Hamas também renovou seu compromisso de entregar a administração de Gaza a um grupo palestino de tecnocratas independentes, baseado em consenso nacional palestino e apoio árabe e islâmico. Este ponto atende a uma das principais exigências do plano americano.

Contudo, permanecem questões cruciais em aberto. A declaração do Hamas não menciona a demanda americana de que o grupo concorde com seu desarmamento e abandone qualquer papel na governança de Gaza. Um veterano diplomata árabe sugeriu que o desarmamento estava implícito na declaração, pois o Hamas não teria alternativa.

Antes do anúncio, Trump havia estabelecido um ultimato ao Hamas, dando prazo até domingo às 18h para aceitar a proposta. "Se este acordo de ÚLTIMA CHANCE não for alcançado, todo o INFERNO, como ninguém jamais viu, vai recair sobre o Hamas", advertiu o presidente.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, recebeu bem a resposta do Hamas e pediu que todas as partes aproveitem a oportunidade para encerrar o conflito. Países como Catar, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Turquia também manifestaram apoio à iniciativa.

O conflito começou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel e resultaram na captura de 251 reféns. Desde então, pelo menos 66.288 pessoas morreram em ataques israelenses em Gaza, segundo o ministério da saúde do território controlado pelo Hamas.