Hugo Motta pautará anistia com urgência nesta quarta
Além de não se saber qual texto será pautado, líderes do PT trabalham para adiar votação.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou a líderes partidários que colocará em votação, nesta quarta-feira (17), o pedido de urgência para o projeto de lei que concede anistia a condenados pelo 8 de Janeiro. A decisão aumenta a tensão entre governo e oposição, já que não há definição sobre qual versão do texto será levada ao plenário.
Segundo relatos, Motta disse que pretende discutir os termos do projeto com líderes ainda na quarta, pouco antes da votação. Enquanto isso, parlamentares do Centrão defendem uma proposta "light", que não inclua uma anistia ampla, geral e irrestrita, como pedem bolsonaristas. A ideia é construir uma saída intermediária que diminua a pena dos condenados do 8 de Janeiro.
O governo, no entanto, se articula para barrar o avanço da proposta. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que a anistia é "imoral e inconstitucional" e anunciou que o Planalto vai atuar para derrubar o pedido de urgência. Gleisi se reúne nesta terça-feira (16) com ministros da ala política para coordenar a reação. A estratégia inclui pressionar bancadas, estimular ausências em plenário e até afastar ministros com mandato para reforçar votos contrários.
Aliados de Lula avaliam que a anistia não representa interesse nacional e que a pressão sobre Motta vem do crescimento da mobilização bolsonarista, intensificada após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal. Além de deputados ligados a Bolsonaro, defendem o projeto figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Nos bastidores, o Planalto prepara medidas de retaliação. Parlamentares que apoiarem a urgência podem perder indicações para cargos federais e ver a liberação de emendas parlamentares travada. A Secretaria de Relações Institucionais já enfrenta cobranças de governistas para acelerar a execução de recursos prometidos.
A indefinição sobre o texto que será pautado aumenta a disputa. Uma parte dos líderes avalia que a votação da chamada PEC da Blindagem, também marcada para esta semana, pode servir como válvula de escape. Aprovada, ela poderia aliviar a pressão sobre deputados contrários à anistia, que buscam dar recados políticos em outras frentes.
Com a votação prestes a ocorrer, governo e oposição correm para contar votos. O resultado da disputa definirá se a proposta avança ou se ficará paralisada, prolongando a crise entre os três poderes.