Ineficiência de Capital

Escrito por Aranea

O que de fato gera mais prejuízo para n setores do que a ineficiência?

Lojas numa rua

Num artigo anterior eu falei sobre "eficiência de capital", onde a mesma seria medida (nos termos de Rothbard) pelo retorno da taxa de juros de investimentos, onde não devemos confundir ela com juros em si do ponto de vista de empréstimo, mas sim com relações de retorno compostos.

Existem várias causas para ineficiência, longe de mim querer falar sobre todas elas, pois eu mesmo desconheço todas as causas, conheço algumas, e creio que no fim qualquer empresário por melhor que seja, sempre terá ineficiência em n processos de decisões tomadas, mas o bom gerente e administrador entende esse fato com humildade e busca formas honestas de lidar com esse problema crônico de qualquer negócio.

Um exemplo claro

Novamente vou citar um mercado que me interesso por, e conheço bastante, o mercado de games, mas como já disse em outros artigos, isso se aplica para qualquer setor, basta ao leitor empregar a razão e imaginação para outras áreas.

Vamos chamar nossos dois personagens de Alice e Bob (sou da ciência da computação afinal), Alice tem uma loja de games produtiva, ela importa produtos do Japão, Tailândia e Coréia do Sul tentando ao máximo optimizar os impostos sem ir contra a lei para não acabar perdendo seu negócio. Ela envia agentes (funcionários) em flea markets locais para coletar produtos a valores descontados e vender com uma certa margem próxima obviamente do spot price, sendo eles treinados e conhecedores desse mercado, sabendo identificar por conta o que de fato é uma oportunidade, e o que pode ou não ser restaurado (como um Xbox 360 aos pedaços, que tem baixa liquidez).

Ela de fato pega empréstimos do banco, mas é sempre o último recurso, somente quando ela tem uma oportunidade clara que promete dar um ROI (Return of Investiment) decente ela de fato pensa em realizar o mesmo, mas sempre verificando relações de taxas de juros e o custo benefício atual dessas transações.

Ela também tem e busca contatos com market players nos EUA, no Japão, Coréia do Sul e etc, para trazer os melhores produtos e mais raros que não existem com abundância no mercado nacional e são mesmo difíceis de encontrar na internet (como Ebay, Amazon e etc). Não aceita comprar de clientes produtos que não possuem liquidez e margem decente, tenta sempre se diferenciar dos competidores com um profile de repertório diferenciado, nesse mercado, ela acredita em investir em retro games do mercado que ela e seus funcionários mais conhecem (como Nintendo, Dreamcast, Neo Geo e Sega), tendo clientes que também se interessam por esse mercado localmente em todo o país.

Ela não se envergonha de reconhecer seus defeitos e sempre busca exemplos de lojas locais e tenta fazer amizade e pegar informações com players de mercado, além de buscar mandar seus agentes e a si mesmo no mercado internacional para conhecer outras lojas e aplicar o que aprendeu (o que realmente acha interessante na sua própria). Não liga de receber reclamações de clientes e sempre os responde com humildade e serenidade, sem deixar ser vencida pela malícia daqueles que buscam lhe enganar para vender ou comprar de forma enganosa. Pelo contrário, ela é símplice como as pombas e prudente como serpentes, em honestidade gerencia seu negócio, mas entende a malícia do mercado para não ser deixada para trás e enganada, seja por fornecedores, vendedores marginais e etc.

Um exemplo contrário a esse

Bob é diferente, ele também tem uma loja no mesmo local que compete com a de Alice. Tende a investir apenas em jogos recentes, buscando se misturar com o mercado popular. Ele acha que se diferenciar do mercado tem sim seus prós, mas só percebe os contras, pois diz que fazer o que todos estão fazendo os copiando, é uma forma melhor e mais segura de atingir uma taxa de vendas cíclicas sem erros, afinal, se o que todos estão fazendo está dando certo, com certeza dará certo para ele também.

Acha estranho clientes exóticos que pedem itens relativamente difíceis de conseguir. Tende a desprezar parte do mercado, e lojistas que focam em produtos específicos como aqueles que focam mais em itens Retros, atendendo um nicho relativamente pequeno em relação ao grosso do mercado, e que tendem a cobrar preços altos por esses produtos, também importando de fora.

Ele importa de fora mas muito menos, e não se importa com encontrar players de mercado que intermediem essas transações. Compra tudo que pode o mais barato possível, e não acredita em vender produtos caros na loja, por achar que vai assustar a clientela popular. Tende a sempre pegar empréstismos para capital de giro, visto que quanto mais dinheiro ele possui para investir, maior a probabilidade dele gerar mais lucro.

Tende a alocar muito inventário rapidamente todo mês, sem se importar com a liquidez. Não possui estatísticas do seu negócio, acha isso inútil por mais que seus funcionários o digam isso, tende a fazer toda a contabilidade sozinho e não ouve seus contadores que sabem mais do que ele desse tema. Tem produtos parados na loja com baixa liquidez, mas não abaixa os preços deles e não dá descontos por nada neste mundo.

Acha que descontos são um roubo para o empresário, e critica os clientes que o podem, quando Alice na verdade sabe que pela alta margem do mercado que ela foca e em vendas em bulk, descontos não só favorecem seus clientes mas também ela, voltando ciclicamente com confiança em sua loja (uma relação quase sentimental embora não seja com o cliente).

A diferença entre ambos

Tentei explicar essa relação de forma similar às parábolas de Bastiat, especialmente a do Pai e o Filho que é uma das que mais gosto em suas obras. A ideia é mostrar dois exemplos que se opõem para mostrar um ponto central entre eles.

É claro que ineficiência não se mede apenas pela taxa de juros de retorno, pois eficiência e ineficiência não são inferíveis em sua totalidade. Ou seja, por mais que você diga que sua eficiência foi alta em porcentagem ao longo do ano, é impossível que ela foi a máxima possível da mesma.

Com isso quero dizer que sempre existem de forma contingente, n estratégias e ações de mercado que você poder executar que seriam melhores da que você escolheu. Coloque 20 pessoas no mesmo negócio e dê o mesmo capital a elas (cada uma gerindo uma empresa diferente no mesmo setor), você verá que nem na parábola dos talentos, cada um terá resultados diferentes de acordo com sua capacidade e mentalidade.

Em outros termos

Em termos matemáticos (você pode ignorar essa parte se quiser), se colocarmos esse sistema como um espaço de hilbert normatizado continuamente diferenciável (do tipo smooth) onde temos funções de números reais e funções semi-computáveis, você deseja encontrar uma função de maximização que dentro do contexto do problema de alocação de recursos (budget alocation) dado seu orçamento (e buscando usar métodos markovianos) você busque saber o que comprar no seu inventário com o máximo de liquidez para vender e eficiência nessa alocação, você nunca vai conseguir maximizar essa função continuamente, isso é simplesmente impossível (é uma função aproximável, mas maximizar elas em contextos complexos é inatingivel para n setores, isso também é uma prova contra a teoria marxista do Cálculo Econômico).

Visto que a economia é um sistema de informação imperfeita e agentes tendem a ser irracionais em relação à maximização do seu lucro (teorema MinMax de Von Neumman), nunca existirá uma empresa de eficiência tal que maximize essa função continuamente, o que o empresário consegue é ter mais eficiência do que antes continuamente ad infinitum, até que ele performe ao ponto de gerar lucro.

De forma mais simples, no geral, empresários que possuem um know-how e eficiência nas suas decisões visando taxas de retorno de investimento maiores tendem a ser mais bem sucedidos. Agora, quais estratégias e ações cada um deles devem escolher dentro do mercado que atuam,é um mistério até que eles de fato entendam o que de fato eles estão fazendo.