Joseph De Maistre: pensador para os dias de hoje

Escrito por Vitor Gomes Calado

Deus no controle da história, da política e das guerras.

Joseph de Maistre, pintura por Carl Christian Vogel von Vogelstein.

יְֽהוָ֗ה הֵפִ֥יר עֲצַת־גּוֹיִ֑ם הֵ֝נִ֗יא מַחְשְׁב֥וֹת עַמִּֽים׃ עֲצַ֣ת יְ֭הוָה לְעוֹלָ֣ם תַּעֲמֹ֑ד מַחְשְׁב֥וֹת לִ֝בּ֗וֹ לְדֹ֣ר וָדֹֽר Salmo 33:10-11 > אֱלֹהִ֣ים לָ֭נוּ מַחֲסֶ֣ה וָעֹ֑ז עֶזְרָ֥ה בְ֝צָר֗וֹת נִמְצָ֥א מְאֹֽד׃ עַל־כֵּ֣ן לֹא־נִ֭ירָא בְּהָמִ֣יר אָ֑רֶץ וּבְמ֥וֹט הָ֝רִ֗ים בְּלֵ֣ב יַמִּֽים׃ יֶהֱמ֣וּ יֶחְמְר֣וּ מֵימָ֑יו יִֽרְעֲשֽׁוּ־הָרִ֖ים בְּגַאֲוָת֣וֹ סֶֽלָה Salmo 46:1-3 ### Introdução Em meio a tanta instabilidade política, com governantes indo e vindo, ameaças de guerras e problemas econômicos, muitos são tentados pelo desespero da situação na qual se encontram. Acerca das situações do gênero da qual enfrentamos hoje muitos refletiram e dissertaram, entre eles, Joseph de Maistre emerge como uma figura útil para os dias de hoje, especialmente para as almas que buscam ser religiosas. O pensamento judeu-cristão, desde os tempos do Velho Testamento, sempre tratou que a história e a política estão sob o controle de Deus, Deus não é apenas Deus de Israel, mas Senhor de todas as nações, cada nação é submetida por Deus a um projeto seu. O Senhor, que fez o Céu e a Terra, rege os rumos da história mundial: controla as nações, os reis e as épocas. Assim, dizem os Provérbios, personalizando a Sabedoria de Deus, que "Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra" (Prov. 8:15-16), também diz os Salmos que "do Senhor é o reino, e ele governa sobre as nações" (22:28). Dentre os Profetas, diz Daniel que Deus "muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis" (2:21). Os destinos da política nos são imprevisíveis e incertos, a incerteza é parte inerente do fazer político, tal incerteza é derivada do próprio tempo: em última instância, não sabemos o que nos aguarda no futuro, mas o pensamento exposto na Escritura colocou que o futuro, bem como os destinos dos povos e os resultados da política, estão, em última instância, nas mãos de Deus. Esses destinos, para os povos, nem sempre são bons, a exemplo do povo eleito de Deus, os hebreus, o profeta Jeremias proferiu: > Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: "Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a paz [Shalom] da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a paz de vocês depende da paz dela". (Jeremias 29:4-7). O contexto do referido capítulo de Jeremias refere ao cativeiro da Babilônia: Nabucodonosor II destruíra Jerusalém, e ao povo da cidade se impôs um exílio, tudo isso sancionado pelo próprio Deus. Na cidade do cativeiro, Deus ordenou que os hebreus buscassem e orassem pela paz da própria Babilônia, pois a paz dos exilados hebreus dependia da paz da própria cidade. Em uma cidade que a literatura bíblica, especialmente a neotestamentária, reserva tanta simbologia negativa, Deus ordenou que fincassem raízes: casassem e constituíssem família, tratassem a cidade como sua. Mas Deus não guia ou guiou somente o povo de Israel, o profeta Isaías foi claríssimo em dizê-lo: > Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. [...] É ele que reduz a nada os príncipes e torna em nulidade os juízes da terra. Mal são plantados, mal são semeados, mal se enraíza na terra o seu tronco, já seca quando sobre eles sopra o sopro do Senhor, e a tempestade os leva como palha. (Isaías 40: 15,23-24). No Novo Testamento, Deus como Senhor da história e de todas as nações é ainda mais enfatizado. Na pregação cristã aos gentios, são Paulo diz que Deus "De um só fez todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar" (Atos 17:26), Deus governa a história. Na figura de Jesus Cristo, é revelado o centro de toda soberania, é ele mesmo quem diz: "toda autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28:18). Paulo confirma que Cristo está sentado "muito acima de todo governo, autoridade, poder e domínio" (Efésios 1:21). Do mesmo modo, o trecho nada usual da Carta aos Romanos explicita que é Deus quem estabelece as autoridades, pois "não há autoridade que não venha de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas". (Romanos: 13-1), neste sentido, seja boa ou má, a autoridade só possui a capacidade, força, para exercer a autoridade que exerce pois a ela foi dado o domínio pelo próprio Deus, pois é Deus quem institui e destitui as autoridades, mas como isso é feito? ### A teologia política de Joseph De Maistre Para responder a essa questão, emerge aqui Joseph de Maistre (1753-1821), pensador da época da Revolução Francesa. Figura intrigante, ele foi frequentemente rotulado como um reacionário inflexível, um