Lei Francesa visa taxar importações de roupas para medidas ecológicas
Realmente se soluciona um problema ambiental real taxando importações?
Mais uma lei absurda foi proposta na França esse ano, uma que regula o mercado de "Fast-Fashion" que nada mais é que o mercado de peças de roupas mais em conta, vindas especialmente da China.
O ponto é lidar com questões ambientais, pois de fato, toneladas de materiais descartados de roupas acabam degradando o meio ambiente, e para resolver isso eles querem simplesmente punir os produtores por cada peça produzida desse setor, que por sinal, dá poder de compra aos de baixa renda.
O que essa lei visa fazer?
A Anthesis Group diz:
"À partir de 2025, les articles de fast fashion recevront un malus écologique de 5 euros par article, qui passera à 10 euros par article à partir de 2030. Les fonds générés grâce à ces pénalités seront utilisés pour soutenir les producteurs durables, la recherche et le développement, ainsi que les campagnes publiques" (Anthesis Group, La nouvelle loi française sur la mode).
Veja que estipularam uma multa de 5 euros por peça que esteja fora das condições que eles querem impor. Visando exatamente essa ideia deles de reduzir o consumo, afinal, se as pessoas não tiverem como consumir roupas desse setor, haverá menos desperdicio certo? A mesma também visa, segundo eles, "concientizar os consumidores" sobre a questão, mas ao meu ver, creio que eles acham que todos os consumidores são imbecis.
Eles querem impor dessa forma, um mercado que vise roupas mais duráveis, que demorarão mais para serem descartadas, porém, a verdade é que na prática, eles estão reduzindo o poder de compra da população mais pobre de compra de roupas do exterior (visando a Shein particularmente), então é uma relação dupla aqui, de tanto uma agenda ecológica quanto protecionista.
A evidência óbvia de um protecionismo está aqui:
"Enfin, le Sénat a également adopté une disposition inattendue : l’instauration d’une taxe sur les petits colis livrés par des entreprises établies hors de l’Union européenne, comprise entre 2 et 4 euros. Une façon d’élargir le spectre en visant notamment un autre géant asiatique du commerce en ligne, Temu" ( Le Monde, « Fast fashion » : le Sénat adopte une loi pour freiner l’essor de la mode ultra-éphémère, Jun. 2025).
Taxas de 2 a 4 euros para mercadorias importadas para a França de fora da União Européia, o que afeta empresas como a Temu que é tipo uma Shein da vida. Então talvez pode ser visto mais como uma forma de protecionismo involucrado de uma agenda ecológica, no sentido: "olha, vamos taxar importações de roupa do exterior, mas temos boas razões, razões ambientais aqui, e quem falar contra nós estará indo contra a ciência", mas só se for uma ciência ditatorial.
A realidade
É claro que problemas ambientais precisam ser solucionados, não tenha dúvida disso. Mas não se soluciona isso taxando compras do exterior, tirando o poder de compra das pessoas que eles dizem defender. Não é diferente no Brasil, recentemente estão visando isenção de impostos em compras de até $50 dólares, mas eles deveriam é isentar totalmente os impostos que eles mesmo colocaram e antes não existiam no governo anterior.
O protecionismo nunca funcionou na história, desde Cantillon, os Fisiocratas, Bastiat e toda a escola liberal francesa de economia, vemos autores que demonstraram os problemas do protecionismo, que visa defender os interesses do Estado em detrimento dos cidadãos, o que é contraditório numa democracia. Então esse tipo de lei é esterco, assim como outra lei numa temática diferente mas associada a questões ambientais da proibição de certas técnicas de perfuração para encontrar petróleo visando "não danificar o meio ambiente" (como o método intitulado fracking; Loi no. 2017-1839) quando a França não tem nem reservas decentes, é tudo no fim uma farça para aferir "questões ambientais" que deveriam ser chamados de "controles ditatoriais".
É claro que quando vemos imagens do Deserto do Atacama no Chile com toneladas de roupas nos lixões, vemos que sim, é um problema todo esse lixo amontoado que não pode ser facilmente re-utilizado. Mas de todas as soluções possíveis, você restringir a procura por esses itens através de taxas e impostos elevados, é abominável, é uma forma de obrigar as pessoas a consumirem produtos nacionais ruins, sinceramente, daqui a pouco o Senado francês vai acabar definindo que roupa as pessoas devem usar, o que devem comer, como devem se comportar, quando você deixa uma brecha para leis ditatoriais, isso vai permitindo que eles controlem ainda mais o que não deveria ser controlado, gerando assim um mercado inorgânico, totalmente não-natural.
A agenda ecológica de Macron
Desde 2023 vemos um foco do atual presidente francês em lidar com problemas ambientais da sua maneira. Seja com foco em formas de plantação orgânica, reduzão de gases estufa, deixar de importar produtos associadas a desflorestamento, limitações associadas ao uso de carbono e carvão no setor de energia, tudo que hoje é considerado parte dessa agenda. Esse foco do governo francês não realmente lida com os reais problemas da população francesa, medidas ecológicas para problemas reais são de fato importantes, mas quanto o governo tenta resolver eles, ou ele é ignorante sobre o assunto ou simplesmente usa essa agenda, para atingir seus próprios interesses com uma "razão" em mente para o público.
Uma ministra dele chamada Agnès Pannier-Runacher falou no X em Março desse ano de como "ecological planning" (planification écologique) seria extremamente importante para "proteger nossos queridos cidadãos". Você realmente acha que essas medidas "nutricionais", "alimentícias", "energéticas" e etc, realmente melhoram a vida dos cidadãos de um país? Será que essa agenda verde realmente melhora a vida das pessoas? Eu tenho a absoluta certeza que não!
Em novembro desse mês, ela disse no X:
"Mise au point indispensable du Premier ministre : la politique énergétique est une priorité. Priorité pour notre souveraineté, pour notre industrie, pour le pouvoir d’achat des Français" (X, Nov. 2025).
A política energética é uma prioridade para a França, só que não do ponto de vista da liberdade empresarial nesse setor, mas de regular e taxar para realizar medidas com fins ambientais que não necessariamente são úteis como eles dizem.
Em outra postagem:
"Chaque année, nous achetons des millions de tonnes de gaz et de pétrole à des pays qui ne sont pas du tout nos alliés. Il suffit que l’Organisation des pays exportateurs de pétrole décide de restreindre le marché et c’est 10 ou 20 % de plus sur notre facture de carburant" (X, Nov. 2025).
A ideia nessa fala era associada à soberania energética da França em relação a de quem eles compra hidrocarbonetos, que tende a ser de quem eles não são aliados (como toda Europa é obrigada comprar da Rússia e etc). Que fala esquisita, eu pensei que relações econômicos não fossem sentimentais, não creio que você precisa gostar de quem você compra commodities, você compra porque ele produz com mais eficiência, isso se chama vantagem comparativa, esse tipo de mentalidade é totalmente fora do conceito mais básico de administração (nesse caso pública).
Em si, essa agenda não beneficia em nada a economia, é só um conjunto de ações inúteis sem fim, que promovem uma agenda ambiental que busca "favorecer" o meio ambiente em detrimentos dos habitantes que vivem nele.