Lula na ONU: diplomacia Dom Quixote

Escrito por Vitor Gomes Calado

Diplomacia do Brasil se revela atrasada e será arrastada pela nova ordem internacional.

Lula na ONU, foi o primeiro a discursar.

[...] das Recht als Ausdruck der Macht in den zwischenstaatlichen Rechtsetzungen hervor, in Friedensverträgen und in jenem Völkerrecht, von dem schon Mirabeau meinte, daß es das Recht der Mächtigen sei, dessen Innehaltung den Machtlosen auferlegt werde. In Rechten von dieser Art wird ein großer Teil der welthistorischen Entscheidungen festgelegt. Sie sind die Verfassung, in welcher die kämpfende Geschichte fortschreitet, solange sie nicht zu der ursprünglichen Form des Kampfes mit Waffen zurückkehrt, dessen geistige Fortsetzung jeder geltende Vertrag in seinen beabsichtigten Wirkungen ist. Ist die Politik ein Krieg mit anderen Mitteln, so ist das "Recht auf das Recht" die Beute der siegreichen Partei.
— Oswald Spengler, Der Untergang des Abendlandes (1922), II, p. 452.1

Dom Quixote foi um fidalgo de um pequeno povoado da província La Mancha, na Espanha, já velho, aposentado, em vez de passar o resto de seus anos triste e sozinho, resolveu seguir seu mais novo sonho: tornar-se cavaleiro andante.

É dito que leu tantos livros de cavalaria que seu cérebro secou e o velho partiu louco na busca por aventuras. A loucura de Quixote é, todavia, ambigua: por um lado revela a força de vontade do homem que luta contra as circunstâncias, por outro, a tragédia do homem arrastado por seu destino inevitável. Ao final, doente, Alonso Quijano reconheceu sua condição: havia enlouquecido, criado um personagem autodenominado Dom Quixote.

A obra de Cervantes é também uma crítica, uma crítica a seu mundo literário, que ainda insistia em falar de cavaleiros, donzelas, dragões, gigantes; não! A realidade de nossa época, viu Cervantes, não estava mais propícia para imaginar essas coisas.

Hoje, na ONU, o Brasil reproduz a lógica similar a literatura: uma panelinha de velhos diplomatas senis bradam: "sul global", "soberania", "multilateralismo" e dão um discurso pronto para Lula. A falta de vigor de Lula e sua delegação na ONU se manifesta na mesquinhez de seu discurso: puramente performático, sem capacidade alguma de ser imposto sobre a comunidade internacional, mera declaração de interesses.

A realidade é que o Brasil possui diplomatas mesquinhos, não buscam resultados, apenas uma salva de palmas de alguns chefes de Estado de países falidos, saem felizes com isso, pois sabem que são incapazes de conseguir algo além de algumas palmas: nenhum acordo duradouro, perpetuação do anão diplomático, mero teatro de bacharéis com salários gordos.

O discurso do Brasil tem um quê de quixotesco, possui uma fascinação pela retórica grandiosa, mas que não se reduz em resultado concreto algum, no final, é a mesma coisa que Quixote perante ovelhas, moinhos, ou velhas carcomidas, que imagina serem cavalos, gigantes e princesas: produz um belíssimo discurso acerca das coisas que imagina, mas, no final, a realidade se impõe.

Que fez Quixote ao ver que os gigantes na verdade eram apenas moinhos, quando viu que sua amada princesa Dulcineia na verdade era uma mera camponesa? Bradou, jogou a culpa de sua desilusão em outra figura imaginária, um mago, e assim prossegue em suas desventuras.

A similaridade com o Brasil é tremenda. Lula, nosso Quixote-in-chief, culpa as redes sociais, a "extrema direita" por todos os problemas do país: sua administração é imaculada, seu discurso belíssimo, as palmas garantidas, só isso é o suficiente; não queremos resultados, queremos retórica!

O problema, todavia, é que estamos na realidade, não num romance realista, quando será que nossa diplomacia acordará de sua loucura quixotesca? Será apenas quando estiver doente, já perto de seu leito de morte?


De resto, última informação importante é a de que, no discurso seguinte, Trump disse que, na ONU, conversou com Lula e combinaram de "se falar na próxima semana". Veremos a continuação do cenário do Brasil.


  1. “[...] o direito como expressão do poder surge de forma mais flagrante nas normas jurídicas entre Estados, nos tratados de paz; naquele direito internacional, que Mirabeau já dizia ser o direito dos poderosos, cuja observância se impõe aos que não têm poder. Em direitos dessa natureza, fica fixada grande parte das decisões de alcance histórico-universal. Eles são a constituição pela qual a história em luta avança, enquanto não retorna à forma originária da luta com armas, de que toda convenção vigente é a continuação espiritual em seus efeitos pretendidos. Se a política é uma guerra por outros meios, então o "direito ao direito" é o espólio da parte vitoriosa”.