Maduro tenta ceder a Trump para combater cartel venezuelano

Escrito por Vitor Gomes Calado

Venezuela tentou até hoje garantir sua "soberania", mas a que custo?

Trump e Maduro, imagem ilustrativa.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro apresentou uma oferta de colaboração ao governo americano para capturar líderes do cartel Tren de Aragua. A proposta chegou às mãos do enviado especial Richard Grenell em setembro, acompanhada de uma carta dirigida diretamente a Donald Trump.

A iniciativa surge após os Estados Unidos intensificarem operações militares antidrogas no Caribe. Trump menciona repetidamente a organização como fonte de criminalidade em solo americano e acusa Maduro de enviar deliberadamente membros da gangue para causar instabilidade.

Na correspondência obtida pela imprensa internacional, Maduro adota tom conciliador: "Convido respeitosamente o presidente a promover a paz através do diálogo construtivo e entendimento mútuo em todo o hemisfério". O líder venezuelano busca reabrir canais de comunicação com Washington após anos de tensões diplomáticas.

Grenell, conhecido por defender abordagem mais diplomática em relação ao regime venezuelano, enfrenta críticas internas por sua posição. Durante conferência conservadora no Paraguai, ele declarou ter sentado frente a frente com Maduro e ainda acreditar em possível acordo. O enviado confirmou manter contatos com o governo venezuelano sob orientação de Trump.

A Casa Branca, todavia, mantém postura inflexível. Os porta-vozes oficiais classificaram o regime de Maduro como "cartel narcoterrorista" e negou qualquer negociação que possa beneficiar o governo venezuelano. A administração americana reafirma política de "pressão máxima" contra Caracas.

Ao mesmo tempo, Maduro considera declarar estado de emergência para proteger a "soberania nacional". Ele justificou a medida como "proteção contra ameaças externas", buscando unir todas as forças da sociedade venezuelana em defesa do país.

Talvez o caso venezuelano ensine ao Brasil os limites da "defesa da soberania", o bem-estar dos homens de uma nação seria uma moeda de troca válida? Pelo visto, na hora em que começa a ameaçar o bem-estar dos líderes de um regime, a soberania pode ser deixada de lado, mas, quando é o povo, não.