Mercado de TCG (Trading Card Game) chega a R$39 bilhões ao ano

Escrito por Aranea

Como o Mercado Global de transações de cartas tomou uma proporção tão grande?

Masterpiece Series: Platinum Blue-Eyes White Dragon

A BCC Research numa análise recente do mercado TCG (Trading Card Game), estimou um Market Size de $7.8 bilhões anual (R$ 39.8 bilhões) com uma projeção para $11.8 bilhões para os próximos anos. Com uma taxa de crescimento de 7.4% ao ano com transações ocorrendo no mundo todo em diversas modalidades, com diversos tipos de assets de cartas e elementos similares, com algumas delas chegando em dados momentos a valerem mais de $100.000 (como em cartas de Magic) ou mesmo chegando a meio milhão de dólares em algumas de Pokémon). Querendo ou não, é um mercado crescente e cada vez mais tendo uma apreciação nestes assets de colecionador, que no geral em diversos âmbitos, seja em livros autografados de primeira edição (como um de J.R.R. Tolkien ou J.K. Rowling), seja em cartuchos de jogos, ou em outras áreas de pessoas que colecionam todo tipo de item raro desde armas antigas, espadas ou pinturas de grandes artistas, a lógica econômica dessas transações tendem a, no geral, ser a mesma, embora eu vá focar no mercado TCG nesta análise, o mesmo é aplicado para outras áreas, e em mercado de leilões também. O que é o Mercado TCG? TCG tem haver com o mercado de cartas físicas (esqueça então Non-Fungible Tokens) de jogos que possuem uma temática estilo RPG (como Magic: The Gathering) ou de mangá e animes (no geral) que são um tipo de mídia que envolve diversas formas de geração de fluxo de caixa para empresas como a Shueisha, Toei, Konami e etc. Por que as pessoas colecionam cartas e vêem valor nessas cartas? E por que algumas delas valem milhares de dólares? Ou centenas de milhares? Por que alguém gastaria tanto dinheiro numa carta colecionável? Entramos aqui no mercado de colecionadores, e utilidade subjetiva. Desde Carl Menger, Von Wieser, von Böhm-Bawerk, Fritz Machlup, Von Mises e outros autores, temos a noção de utilidade subjetiva e utilidade marginal cada vez mais bem desenvolvidas e aplicadas numa economia de mercado. Se eu compro um chuveiro caro e no outro dia ele para de funcionar, sua utilidade agora é nula, ele não cumpre a finalidade da sua produção, que é permitir que alguém tome banho. Qual é a utilidade do arroz? Bem, obviamente é uma necessidade básica de consumo inelástico na nossa cultura, não é que alguém não sobreviveria sem comer arroz, só que na nossa cultura (e na maioria delas) é um bem de consumo básico no qual temos uma utilidade metabólica que em animais é muito mais inteirada hiperbolicamente na Teoria Metabólica da Ecologia (Brown et, al. 2004, van der Meer 2006), onde animais buscam no geral apenas maximizar sua homeostase, que é se manter vivos ingerindo líquidos e comida suficiente para não sentirem fome. Porém, nós humanos somos diferentes, nós vemos prazer e utilidade em coisas que são totalmente inúteis do ponto de vista prático, mas que tem uma utilidade para nós de uma propriedade, um bem que vemos valor no mesmo, e estamos dispostos não só a colecionar esses bens mas buscar talvez uma apreciação futura deles e vender posteriormente. Essa é a lógica básica dos leilões, você busca pagar o mínimo possível numa competição de preços para gerar a maior utilidade possível para você de forma pessoal (o que é subjetivo mesmo para você) ou numa possível venda futura. Mas é claro que somos nós que definimos essa utilidade, ela ser subjetiva significa que ela não necessariamente está certa ou errada em termos contábeis, há um conceito de “Mental accounting” (Prelec e Loewenstein, 1998) que usamos constantemente mas a lei mais básica é a lei da oferta e demanda, em que a demanda é no geral subjetiva em bens mais elásticos, e o mercado de TCG é totalmente elástico, o preço vai afetar diretamente a sua noção mental de cálculo mental de possibilidade de compra. Uma noção básica do Mercado TCG Me lembro quando era bem criança, nem lembro a idade, algo como na pré-escola, de que Yu-gi-oh era extremamente famoso e isso durou por muitos anos, eu pessoalmente comprava cartas todo dia (não todos exatamente) que chegava da escola, ao menos um pacote para mim e um para meu irmão. Eu comecei a colecionar mais do Yu-gi-oh, o meu irmão mais para Naruto e Pokémon que veio às bancas próximas mais posteriormente. E lembro que tinham pessoas que apostavam cartas continuamente jogando futebol, ou na brincadeira chamada “bafo” e outras formas. Transações não eram tão comuns em dinheiro de forma peer-to-peer no âmbito escolar, você trocava cartas com os outros e apostavam elas, eram basicamente uma commodity, e aqueles que tinham mais recursos podiam comprar mais e apostar mais naturalmente e as mais raras e mais cotadas, eram aquelas que as pessoas viam como as mais importantes, como: “Exodia, Dragão Branco de Olhos Azuis, Mago Negro”, entre