Mercados despencam com novas sanções chinesas a navios
Os alvos foram subsidiárias americanas da empresa sul-coreana Hanwha Ocean.
Os mercados acionários globais recuaram nesta terça-feira após a China anunciar sanções contra cinco subsidiárias americanas da sul-coreana Hanwha Ocean, em resposta direta às investigações dos Estados Unidos sobre os setores marítimo e de construção naval chineses.
As futuras do Nasdaq tombaram 1,3% no pré-mercado, enquanto as futuras do S&P 500 perderam 1% e as do Dow Jones caíram 0,6%. O anúncio do Ministério do Comércio chinês proibiu empresas e indivíduos chineses de fazer negócios com as cinco subsidiárias americanas da Hanwha, incluindo a Hanwha Philly Shipyard, na Pensilvânia, e a Hanwha Shipping.
A medida representa uma escalada significativa na disputa entre Washington e Pequim pelo domínio marítimo. Pequim justificou as sanções como reação às investigações da Seção 301 da lei comercial americana, que miram os setores naval e logístico chineses. "A China transformou a construção naval em arma", disse Kun Cao, vice-executivo da consultoria Reddal. "Pequim sinaliza que atacará empresas de terceiros países que ajudem Washington a combater o domínio marítimo chinês".
As ações da Hanwha Ocean despencaram 5,8% em Seul, e o índice Kospi recuou 0,6%, para 3.561,81 pontos. Na Europa, os principais índices também caíram: o CAC 40 francês perdeu 1,1%, o DAX alemão recuou 1,4% e o FTSE 100 britânico cedeu 0,3%.
A Coreia do Sul e os Estados Unidos estreitaram laços na construção naval para responder ao domínio chinês no setor. A Hanwha comprou o estaleiro de Filadélfia no ano passado e mantém contratos com a Marinha americana para manutenção e reparos de embarcações. O projeto, apelidado de "MASGA" (tornar a construção naval americana grande novamente), tornou-se símbolo da cooperação bilateral.
As sanções surgiram em momento crítico, com a cúpula da APEC se aproximando. Na semana passada, a China ampliou os controles sobre exportações de terras raras, e Trump ameaçou tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses. Nesta terça, entraram em vigor taxas portuárias recíprocas que ambos os países impuseram às embarcações um do outro.
O Ministério dos Transportes chinês anunciou ainda uma investigação sobre os impactos da Seção 301 americana e prometeu medidas retaliatórias futuras. A disputa afeta a economia global, já que navios transportam 80% do comércio mundial.