Moraes cobra Polícia Federal sobre falsificação de entrada de Filipe Martins nos EUA

Escrito por Vitor Gomes Calado

Em meio a acusações populares contra o ministro, ele cobra Polícia Federal.

Alexandre de Moraes e diretor da Polícia Federal (PF).

O ministro Alexandre de Moraes cobrou da Polícia Federal explicações sobre uma das principais acusações contra Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (16 de outubro), Alexandre deu cinco dias para que a corporação esclareça acerca da falsificação do registro de que Filipe teria entrado nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022.

A PF usou dados do governo americano para afirmar que Martins viajou com a comitiva presidencial naquela data. Contudo, o órgão de controle de fronteiras dos EUA negou essa versão completamente. Em nota oficial divulgada em 10 de outubro, o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras informou que o registro de entrada de Martins no país, usado por Moraes para decretar sua prisão preventiva, é falso.

Martins integra o grupo investigado pela "trama do golpe", acusado de participar de tentativa de abolição violenta do Estado democrático. Ele foi preso em fevereiro de 2024 sob alegação de risco de fuga, justamente porque supostamente teria deixado o Brasil para os EUA. A PF o localizou em Ponta Grossa (PR), no apartamento da noiva, onde afirmou estar em "ano sabático". Seus pais haviam dito à polícia que o filho estava morando no exterior.

A defesa apresentou documentos que desmentem a viagem. Um boletim de ocorrência da Polícia Civil do Distrito Federal mostra que Martins perdeu seu passaporte em 26 de fevereiro de 2021, o que impossibilitaria viajar internacionalmente sem esse documento. Com base nessa prova, o governo americano corrigiu seus registros, confirmando que a última entrada de Martins nos EUA ocorreu em 30 de agosto de 2019.

Apesar dessas evidências, Moraes manteve o ex-assessor detido por aproximadamente seis meses. O ministro só questionou a narrativa da PF após a manifestação oficial do órgão americano. Martins segue banido das redes sociais e impedido de conceder entrevistas à imprensa.

A ação penal ainda aguarda julgamento pela Primeira Turma do STF. O Ministério Público Federal e as defesas já apresentaram suas manifestações finais.