O Aquecimento Global e a Economia Parte II
Um contraponto à Teoria Climática tradicional, qual é o outro lado da história?
Essa é uma continuação do artigo anterior sobre Aquecimento Global, porém com o foco em dar voz ao contraponto à teoria atual na sua visão tradicional e mais popular. O foco intencionalmente será nos artigos da Co2 Coalition com diversos experts no tema em diversas áreas, como física, política, geologia e etc. Mas nem de longe quero dizer que eles estão certos ou errados, essa será uma análise que busca dar o contraponto à teoria como é vista hoje, de que o Aquecimento Global é causado unicamente pela ação humana no século passado da emissão de Co2, oferecendo a outra face da questão.
O primeiro Whitepaper
Já no primeiro artigo (Carbon Dioxide Benefits the World:See for Yourself), eles tentam dar uma razão para a criação da instituição deles, essencialmente usando o princípio de “nullius in verba”, de que alguém para conhecer um tema, tem que ver, ler sobre ele por si mesmo e não apenas por terceiros. E esse é um problema, de pessoas que podem vir a se popularizar sem ter lido quase nenhum artigo sobre ela de fato. Tipo, que diz que sabe sobre a Teoria da Evolução e nunca leu a “Origem das Espécies” de Darwin, é o texto básico do tema, embora a teoria tem desdobramentos diferentes posteriormente, você não ler os livros básicos do tema, ou mesmo artigos sobre o mesmo, como você pode dizer que conhece a teoria da evolução?
Eu mesmo quando leio pessoas falando sobre Platão, discordo da maioria do que dizem normalmente, mas nunca poderia dar uma opinião divergente se eu não tivesse lido realmente Platão, então você tem que ver as coisas por si mesmo, e então decidir no que acreditar.
Eles dizem:
“A verdade científica nunca foi estabelecida por consenso, por exemplo, por "97% de concordância". A história revela muitos casos em que o consenso científico da época foi posteriormente desacreditado. A ampla aceitação e prática da eugenia no início do século XX; a oposição à teoria da tectônica de placas na geologia; e o domínio da biologia Lysenkoísta no bloco soviético são alguns exemplos recentes” (Co2 Coalition, Carbon Dioxide Benefits the World:See for Yourself).
E já num dos primeiros pontos centrais do artigo, eles dizem que os dados de simulações climáticas computacionais não avançaram a uma taxa substancial nos últimos 25 anos suficiente para fazer análises preditivas precisas do mesmo. Vale lembrar que o estudo da Teoria do Caos na matemática começou exatamente com um meteorologista Edward Norton Lorenz no artigo “Deterministic Nonperiodic Flow”, buscando simular eventos climáticos computacionalmente, onde ele descobriu que mudando as condições iniciais do algoritmo minimamente, os efeitos eram não lineares, criando eventualmente o efeito borboleta e expoentes de lyapunov positivos.
O artigo diz que o “Equilibrium Climate Sensitivity” que é uma métrica importante nesse contexto, não teve mudanças em resultados nas últimas décadas ao contrário de outras áreas na ciência em eficiência, e que modelos preditivos de aumento de temperatura têm falhado em relação às medições de monitoramentos com balões meteorológicos por exemplo.
Sobre níveis de CO2 ao longo da história:
“O fato de a Terra ter sofrido uma “escassez” de Co2 durante milhões de anos também não é amplamente conhecido. Como ilustrado na Figura 5, nos 550 milhões de anos desde o período Cambriano — quando fósseis abundantes surgiram pela primeira vez no registro sedimentar — os níveis de Co2 atingiram uma média de muitos milhares de ppm, ou seja, muito maiores do que o nível de Co2 de 400 ppm atual” (Co2 Coalition, Carbon Dioxide Benefits the World:See for Yourself).
O ponto é que os níveis de Co2 variaram muito ao longo da história geológica da Terra, e os níveis atuais são baixos comparados a mesma. Talvez a fala mais impactante, está na explicação da figura 6 desse artigo, que diz que na verdade se o Co2 da terra dobrasse isso teria benefícios no crescimento de n tipos de plantas numa proporção pela “raiz quadrada da concentração de Co2”. Eles dizem que o aumento do Co2 em 30% no século 20 aumento em 15% a produtividade de plantações (se isso é verdade ou não, não sei). Citando um artigo chamado “Impact of Co2 fertilization on maximum foliage cover across the globe’s warm, arid environment”, eles afirmam que a terra está ficando ainda mais verde e que a tendência de aumento de Co2 fará tal efeito aumentar mais ainda (novamente, não posso confirmar essa afirmação, mas se for verdade, isso é muito relevante como contraponto ao Aquecimento Global).
Por fim, eles concluem que restringir a emissão de Co2 afeta tanto seres humanos como plantas negativamente, o que posso confirmar é que de fato afetam os países subdesenvolvidos substancialmente em relação a importação e produção de commodities com essas restrições. Os impactos econômicos dessas restrições governamentais são óbvios, pois potencialmente podem aumentar preços de n commodities através dessa restrição da oferta.
O Segundo Whitepaper
Neste artigo eles tratam sobre seguros (insurance), e esse tema dá alguns problemas. É um fato que um seguro cobre o pagamento de danos potenciais que podem ou não acontecer com certa probabilidade, e a matemática probabilística nesse tema (Actuary Mathematics) envolve lidar com os produtos de seguros de forma a serem comercialmente viáveis para o segurador. O problema tratado neste artigo é simples: “uma empresa deveria pagar um seguro por riscos potenciais causados pelo Aquecimento Global”? Se não, alguém poderia pensar que reduzir emissões de carbono resolveriam parte do problema em relação a esse risco.
Eles citam uma frase do ex–presidente Obama:
“O presidente Obama disse certa vez: “Este é o único planeta que temos. E daqui a alguns anos, quero poder olhar nos olhos dos nossos filhos e netos e dizer-lhes que fizemos tudo o que podíamos para protegê-lo.” Nossos filhos e netos querem um mundo que não seja apenas seguro, mas também livre e próspero” (Co2 Coalition, Does the World Need Climate Insurance?The Best Scientific and Economic Evidence Says NO).
A questão está em volta da capacidade de modelos probabilísticos em modelos climáticos de previsão de temperatura futura. É um fato que modelos probabilísticos podem ter problemas em certos contextos, na economia por exemplo, e até em modelos preditivos aplicados em epidemias, me lembro de ter feito diversos cursos sobre modelos epidêmicos durante a época da pandemia, e uma coisa que aprendi, é que na prática durante a mesma, grandes universidades e instituições renomadas em todo o mundo, falharam em suas predições. É até meio chato ver que quando mais precisamos de uma aplicação computacional teórica na vida real, ela não funciona, deve ser frustrante, mas foi um fato durante a aquela época.
Outro ponto são as falácias ambientalistas em relação aos combustíveis fósseis, que eles são subsidiados e por isso o combustível renovável não dá certo por uma baixa nos preços, além da visão de que reduções substanciais de emissões de carbono, gerarão impactos substanciais econômicos que podem criar recessões e problemas na própria lucratividade futura de empresas em escala (obviamente, por conta da restrição).
O Terceiro Whitepaper
No terceiro artigo, eles já começam com uma proposição interessante:
“Há milhões de anos, a concentração de CO2 na atmosfera permanece muito abaixo da sua média geológica dos últimos 300 milhões de anos (ver Figura 1). Consequentemente, os níveis atuais de CO2 são cerca de cinco vezes menores do que os níveis existentes durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo, quando muitas das nossas plantas mais úteis evoluíram. Assim, ao longo de toda a história da humanidade (e muito antes disso), as plantas têm apresentado um desempenho abaixo do esperado em seu papel vital como produtoras primárias da biosfera” (Co2 Coalition, What Rising Co2 Means for Global Food Security).
Não só isso (que já vimos de certa forma anteriormente, mas que plantas como a Cajanus cajan crescem com mais eficiência em ambientes com níveis maiores de concentração de Co2 (o problema é provar isso para todo o ecossistema do planeta de forma provável). Eles citam aumentos de taxas de Co2 em períodos interglaciais e possíveis efeitos benéficos à produtividade de plantas nesse período e depois tentam demonstrar a mesma visão em outros contextos e até interação de nitrogênio, fósforo e potássio em ambientes com concentração maior de Co2 (como no Triticum aestivum), embora o ponto é provar que a maioria das plantas se beneficiam dessas taxas maiores de concentração (o que pode ser provado potencialmente por reprodução de testes em artigos no futuro e ver se é assim mesmo nas principais commodities).
Sobre os efeitos globais da concentração de Co2 na atmosfera segundo eles:
“Além disso, esse aumento não ocorreu à custa de um maior consumo global de água terrestre. Em vez disso, o aumento do CO2 atmosférico melhorou a absorção global de carbono por unidade de água utilizada, o que tem ramificações extremamente importantes para a sobrevivência futura de espécies vegetais e animais” (Co2 Coalition, What Rising Co2 Means for Global Food Security).
Se isso estiver correto (não quero entrar no mérito se está ou não), reduzir a quantidade de Co2 teria na verdade efeitos contrários em n biomas, criando uma restrição potencial em taxas metabólicas de organismos (dentro da Metabolic Theory of Ecology, que curto bastante). Vamos supor que mesmo não estivesse correto, vamos supor que o aumento de Co2 não fosse nem tão benéfico nem tão maléfico, o ponto central seria que os mesmos não teriam razões para serem restringidos, e causarem problemas econômicos a n países e povos inutilmente.
Os Fundamentos do pH do Oceano
Outro artigo trata sobre o pH do oceano, e efeitos do aumento da alcalinidade do mesmo dado maiores concentrações de Co2 na atmosfera, n a concentração dobrar teoricamente,ele diz:
“Como mostrado na Fig. 1, dobrar a concentração de CO2 atmosférico do nível atual de 400 ppm para 800 ppm reduz o pH da água do oceano de cerca de 8,2 para 7,9. Isso está bem dentro das flutuações diurnas e noturnas que já ocorrem devido à fotossíntese do plâncton e é menor do que as diminuições de pH com a profundidade que ocorrem devido à bomba biológica e à dissolução de precipitados de carbonato de cálcio abaixo da lisoclina” (Cohen, R., and W. Happer. "Fundamentals of Ocean pH." CO2 Coalition (2015)).
Eles ressaltam que a concentração de íons carbonato cresceriam em 30%, e ainda mais, ele diz a saturação de CaCO3 na mesma já é alta suficiente para alguém desprezar a teoria de dissolução de conchas de carbonato nos oceanos danificando corais e a vida marinha. Lembro de ver um documentário sobre a questão dos corais e dos possíveis efeitos climáticos destruindo os mesmos, a questão que quero apontar não é quem está certo, mas ressaltar que há um contraponto a essa questão dos corais diferente da mais popular de ativistas e que pode mudar a visão de alguns com provas que devem ser provadas através de experimentos e proposições teóricas contundentes.
Os autores dizem que:
“Durante a maior parte do Fanerozoico, nos últimos 550 milhões de anos, as concentrações de CO2 na atmosfera foram medidas em milhares de partes por milhão, e a vida floresceu tanto nos oceanos quanto na terra” (Cohen, R., and W. Happer. "Fundamentals of Ocean pH." CO2 Coalition (2015)).
O ponto é que mesmo com mudanças de temperatura e concentração de Co2 extremamente variáveis, isso não impediu em alguma eras da história geológica, que houvesse o florescimento da vida, dado que o pH alterado organicamente, naturalmente no Oceano são maiores do que as causadas por Co2, então o problema aqui da teoria climática tradicional, pode ser um erro em estabelecer uma causa provável.
Para completar essa visão, eles publicaram também outro artigo no mesmo tema, que começa dizendo:
“Na verdade, a saúde dos oceanos é melhorada em vez de prejudicada pelo Co2 adicional, porque ele é um alimento para o fitoplâncton que estimula as teias alimentares. O Co2 convertido permite que o fitoplâncton, como algas, bactérias e ervas marinhas, alimente o restante da teia alimentar do oceano aberto. À medida que o carbono se move por essa teia alimentar, grande parte dele afunda ou é transportada para longe da superfície” (Co2 Coalition, Ocean Health –Is there an “Acidification” problem?).
Eles dizem que de forma até estranha aparentemente, em períodos da máxima glacial, com concentrações maiores de Co2, o pH da terra era maior que o de hoje, e a lógica é que quanto maior a temperatura, menor deveria ser o pH (pela maior ionização da água). E dizem que culpar as emissões de gás carbônico à baixa de pH seria no mínimo especulativo (veja a figura 2 do artigo). Outro ponto é que a tendência é que o carbono desça para o fundo do oceano em zonas mesopelágicas e não necessariamente ficar na superfície causando problemas aos corais e ao que for. Além de carbonato de cálcio é um elemento presente e importante no ecossistema marinho, eles dizem:
“Com base nessas reações químicas básicas, alguns modeladores temiam que, como concentrações mais altas de Co2 produziriam mais íons H+ e, por sua vez, promoveriam a conversão de íons carbonato em bicarbonato, os organismos ficariam sem íons carbonato suficientes para formar suas conchas. No entanto, esses modeladores parecem desconhecer a biologia da formação de conchas” (Co2 Coalition, Ocean Health –Is there an “Acidification” problem?).
Novamente vemos uma possível contradição aparente, o que é verdade? O mesmo causado danos ou não á corais e organismos vitais para a vida marinha? Se eles na verdade são importantes para a mesma (eles dão exemplo da coccolithophore por exemplo), outra temática central na teoria climática padrão estaria equivocada (caso isso for verdade). E eles concluem que os oceanos não necessariamente se tornarão acídicos e que a transformação de Co2 em carbono orgânico não necessariamente vai afetar o pH do oceano significativamente, outras causas naturais tem potencialmente uma capacidade de fazer tais alterações ciclicamente de forma muito mais impactante. Modelos de predição da IPCC por mais que sejam bem estruturados e bem feitos (assim como modelos epidêmicos infelizmente e modelos probabilísticos econométricos) não tem dado resultados satisfatórios mesmo na era de Big Data, é um fato que esse problema está envolto na teoria do caos, e talvez chaos control ajude estatisticamente no futuro, mas é um fato que agora, o poder de predição deles não é tão bom quanto poderia, e que existem diversas variáveis a considerar.