O Sindicalismo é uma piada?
Se uma instituição for inútil para o fim proposto, ela deveria existir?
O Sindicalismo é basicamente a ideia que devem haver instituições que lutam pelos direitos dos trabalhadores, seja por salários ajustados à inflação, ou direitos básicos de alimentação, transporte e coisas do tipo a serem providas pela empresa, porém, tais instituições tendem ao excesso.
Esse excesso se converte na busca pela intervenção da forma que empresas devem operar, como devem lidar com seus funcionários e etc. Em vários aspectos, muitos deles querem impor regras e leis que não necessariamente são verdadeiras e que negam totalmente a realidade econômica das suas proposições (como querendo transformar ubers e motoristas de aplicativo em CLT, o que os faria tecnicamente ganhar menos).
O objetivo deste artigo é demonstrar com a visão de Mises--Rothbard, que o sindicalismo é uma gangrena na sociedade, e por isso deve deixar de existir.
O problema de controlar salários
"Se um sindicato, de uma forma ou de outra, consegue um preço mais alto do que seus membros poderiam obter com vendas individuais, sua ação não é limitada pela perda de receita sofrida pelos trabalhadores "excluídos". Se um sindicato consegue um salário mais alto, alguns trabalhadores ganham um preço maior, enquanto outros são excluídos do mercado e perdem a renda que teriam obtido. Esse preço (salário) mais alto é chamado de preço restritivo" (Rothbard, Murray N. Man, economy, and state with power and market. Ludwig von Mises Institute, 2004., pg. 706).
Os salários são definidos pela oferta e demanda daquele setor em questão. Assim um neurocirurgião pode vir a ganhar mais que um médico geral, visto que há uma demanda para neurocirurgias, porém com uma oferta menor de médicos capacitados (até pelo tempo necessário para atuar nessa área específica), e mesmo na área de neurocirurgia, tem aqueles focados em neuroblastomas, meningiomas, meduloblastomas e etc. E isso funciona para qualquer setor, existem demandas e ofertas regionais de capital humano em diferentes setores e etc.
Quando um sindicato deseja aumentar o salário de trabalhadores de algum setor, esse aumento pode vir a ser acima do valor orgânico de mercado, isto é, aquele estabelecido pela oferta e demanda do setor e pela livre relação contratual entre empregadores e empregados. Rothbard cita nessa seção do MES, que se a curva de oferta e demanda tem um ponto de equilíbrio abaixo do salário escolhido pelo sindicato, então obviamente esse valor é injusto, eles querem obrigar os empreededores a pagarem acima do valor real.
Nada contra ajustar salários à inflação, mas isso deve ser decido entre o funcionário e o patrão, afinal, o contrato trabalhista é entre eles. Porém, o sindicato vem e tenta ajudar o trabalhador, porém, isso é uma intervenção exógena nessa relação contratual, e o empregado é livre para deixar ela quando quiser (senão seria escravidão). Porém isso não afeta somente o empresário em si, mas o mercado inteiro em que essa mudança forçada de salários veio a ocorrer:
"Consequentemente, na melhor das hipóteses, um sindicato pode alcançar uma taxa salarial mais alta e restritiva para seus membros apenas à custa da redução das taxas salariais de todos os outros trabalhadores da economia. Os esforços de produção na economia também são distorcidos" (Rothbard, Murray N. Man, economy, and state with power and market. Ludwig von Mises Institute, 2004., pg. 708).
Então eles basicamente criaram um gap entre a relação real da oferta e demanda do setor, criando um salário irreal de fato. Faria muito mais sentido eles lutarem contra impostos de renda (que punem progressivamente quanto mais uma pessoa ganha a pagar mais impostos, algo imoral), contra a inflação (que tira o poder de compra dos mesmos salários) e por fim defenderem a liberdade econômico do que a visão totalmente retrógada e primitiva (do ponto de vista moderno) que as coisas vão mudar através da visão sindicalista.
A visão de Mises
"O erro fundamental desse argumento é óbvio. Os empresários e capitalistas não são autocratas irresponsáveis. Eles estão incondicionalmente sujeitos à soberania dos consumidores. O mercado é uma democracia de consumidores. Os sindicalistas querem transformá-lo em uma democracia de produtores. Essa ideia é falaciosa, pois o único fim e propósito da produção é o consumo" (Mises, Ludwig von. Human action. Ludwig von Mises Institute, 1949, 809).
Sindicalistas acham que os empresários são gênios malignos cujo único fim é lucrar às custas de seus funcionários, quando na verdade, são esses empresários que construíram algo (uma empresa) que beneficia a sociedade no geral dando produtos que as pessoas desejam (sendo fornecedores de bens presentes) e dando em troca da produtividade marginal dos trabalhadores, o que os mesmos usam para sua subsistência e com o que sobra, o lazer (leisure).
Se não houvessem empresas, teríamos que voltar para a economias de produção rural doméstica, criação de gado e etc, para o berço da civilização. E não existem empresas sem empresários, sem um idealizador, o que tem direito a posse da mesma, sua propriedade privada. Os sindicalistas sobrevivem às custas de um monopólio das leis trabalhistas, onde eles buscam através delas e suas entidades, favorecer os trabalhadores contanto que eles ganhem algum dinheiro com isso, pois se você estiver numa empresa e decide entrar num sindicato, você paga para ele, então tem um inflow de capital pelos seus serviços.
Mas isso cria um problema, se eu sou um empresário e meu custo salarial aumentar demais por conta dos sindicatos (um custo acima da produtividade marginal do trabalhador), então eu terei que demitir pessoas. Afinal, é uma empresa, não uma instituição filantrópica. Mises continua:
"Muitos sindicatos estão empenhados em restringir o número de trabalhadores empregados em sua área. Embora o público deseje mais livros, periódicos e jornais a preços mais acessíveis, e os obteria em um mercado de trabalho sem entraves, os sindicatos de tipógrafos impedem que muitos recém-chegados trabalhem em gráficas" (Mises, Ludwig von. Human action. Ludwig von Mises Institute, 1949, 811).
Eles buscam controlar mesmo a oferta de trabalho daquele setor em questão, não somente os salários e benefícios adjacentes, ou quantas horas alguém pode trabalhar. Não que leis trabalhistas não sejam importantes, elas são, mesmo no direito natural, porém, o excesso viola a noção básica contratual entre empregador e empregado, e o fato que eles acabam restrigindo a oferta de capital humano mostra que eles só querem mesmo é lucrar com isso.
O sindicalismo gera desemprego
Pelo que vimos antes isso é óbvio, se eles pressionam capitalistas para darem maiores salários e benefícios (que adivinha, custam dinheiro), isso só aumenta o preço por cada contração unitária e faz a possibilidade de novas contratações ser impossível no custo--benefício, mesmo que a empresa necessite de mais pessoas. E no Brasil o preço de contratação e demissão é muito alto, óbvio que isso afeta a escolha de empreededores em contratar pessoas ou não, e a aversão a risco de novas contratações aumenta.
De forma mais clara:
"Um controle sindical universal e restritivo significaria desemprego em massa permanente, crescendo cada vez mais na proporção em que o sindicato impusesse suas restrições" (Rothbard, Murray N. Man, economy, and state with power and market. Ludwig von Mises Institute, 2004., pg. 708).
Se o sindicato tivesse poder total sobre suas ações na economia, haveria desemprego completo no ápice disso (dá a até para escrever uma obra de ficção com base nisso). Eles não podem melhorar a situação dos trabalhadores, só a piorar. Eu lembro no último ano da escola, como participei de uma peça em que o foco dela era mostrar a visão de um pai buscando uma revolução sindical na empresa, e um filho contrário a tal decisão.
Creio que o sindicalismo não tem razão de existência, é um câncer metastástico que não pode oferecer nada a não ser uma promessa vazia de ganhos monetários maiores, quando na verdade, o problema está na legislação permitindo abominações como o imposto de renda e coisas similares, e contra isso, eles não levantam uma unha para falar contra. Por isso, não seria errado dizer, que o sindicalismo é uma piada de mau gosto.