ONU e EUA retiram sanções contra presidente sírio
Al-Sharaa tinha vínculos com Al-Qaeda antes de se tornar presidente da Síria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas votou nesta quinta-feira pela remoção de sanções impostas ao presidente sírio Ahmed al-Sharaa e ao ministro do Interior Anas Khattab. A decisão ocorre dias antes do encontro entre al-Sharaa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para segunda-feira na Casa Branca.
A resolução, elaborada pelos Estados Unidos, recebeu 14 votos favoráveis. A China se absteve, alegando preocupações sobre o combate ao terrorismo no país. O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, criticou a forma como a votação foi conduzida, afirmando que Washington não considerou adequadamente as visões de todos os membros do Conselho.
Al-Sharaa liderou a ofensiva rebelde que derrubou Bashar al-Assad em dezembro de 2024, pondo fim a 13 anos de guerra civil na Síria. Assad fugiu para a Rússia, encerrando décadas de domínio do Partido Baath no país. Em janeiro, al-Sharaa foi declarado presidente para um período de transição.
As sanções haviam sido impostas porque al-Sharaa comandava o grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que integrou a lista de organizações terroristas ligadas à Al-Qaeda desde 2014. O HTS foi braço oficial da Al-Qaeda na Síria até romper laços em 2016. Em julho, os Estados Unidos retiraram o grupo de sua lista de organizações terroristas estrangeiras, seguidos pelo Reino Unido em outubro.
Mike Waltz, embaixador americano na ONU, classificou a votação como "sinal político forte" de que a Síria entrou em nova fase após a queda de Assad. Segundo ele, o governo interino trabalha para cumprir compromissos relacionados ao combate ao terrorismo e narcotráfico, além de promover direitos humanos e acesso humanitário irrestrito.
A Rússia apoiou a resolução. Seu embaixador, Vassily Nebenzia, declarou que o texto reflete os interesses do povo sírio, embora tenha mencionado a ocupação israelense das Colinas de Golã como fator que prejudica a estabilidade regional.
Ibrahim Olabi, embaixador sírio na ONU, celebrou a decisão como "mensagem de apoio" aos sírios que buscam reconstruir o país. Ele afirmou que a nova Síria será "história de sucesso" e modelo de cooperação internacional baseada em respeito mútuo.
A comunidade internacional começou a suspender sanções contra a Síria após a queda de Assad. Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia liberaram cerca de 15 bilhões de dólares em ativos e medidas comerciais em maio. Potências regionais como Arábia Saudita, Turquia e Catar se comprometeram a financiar salários públicos e infraestrutura energética.
O encontro entre al-Sharaa e Trump na próxima semana será a primeira visita de um presidente sírio à Casa Branca em 80 anos. Os dois se encontraram pela primeira vez em maio, durante viagem de Trump ao Oriente Médio, quando o presidente americano descreveu o líder sírio como alguém com "passado forte".