OTAN realiza exercício nuclear sobre o Mar do Norte
Fontes oficiais declararam não haver conexão com eventos recentes. Exercício ocorre todo ano na terceira semana de outubro
A OTAN inicia na segunda-feira uma operação anual de treinamento nuclear, batizada de "Steadfast Noon". O exercício envolverá 71 aeronaves de 14 países membros e cerca de 2 mil militares, todos dedicados a simular cenários de uso de armas atômicas táticas.
A base holandesa de Volkel serve como ponto central da operação deste ano. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, gravou uma mensagem em vídeo no local para anunciar o treinamento. "Precisamos fazer isso porque nos ajuda a garantir que nossa dissuasão nuclear permaneça tão crível, segura e eficaz quanto possível", declarou Rutte.
O exercício acontece tradicionalmente na terceira semana de outubro, mas só nos últimos cinco anos a OTAN decidiu torná-lo público. James Stokes, responsável pela doutrina nuclear no comando da aliança, explicou a mudança de postura: "Tentamos ser o mais abertos e transparentes possível". Ele enfatizou que a OTAN se comporta como uma "aliança nuclear responsável" e não adota "retórica nuclear irresponsável", clara referência à Rússia.
As manobras incluem simulações realistas de procedimentos operacionais. Equipes treinam o carregamento de bombas atômicas armazenadas em câmaras subterrâneas especiais por aeronaves certificadas. Cinco países participam desse programa de compartilhamento nuclear: Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia. Esses territórios abrigam aproximadamente 100 bombas atômicas, incluindo o modelo moderno B61-12, guiado por precisão.
Durante o exercício, os aviões recebem reabastecimento aéreo e escolta de caças convencionais, que simulam proteção contra possíveis ataques. Esse protocolo recebe o nome de Snowcat, sigla para "Apoio a Operações Nucleares com Táticas Aéreas Convencionais". Os pilotos praticam manobras específicas de lançamento que permitem escapar da onda de choque de uma explosão nuclear.
A Alemanha contribui com três caças Tornado capazes de carregar armas nucleares e quatro Eurofighters especializados em guerra eletrônica. Os Estados Unidos participam pela primeira vez com quatro aeronaves F-35. Além de Volkel, as bases de Kleine Brogel na Bélgica, Lakenheath na Inglaterra e Skrydstrup na Dinamarca também recebem parte das atividades.
Rutte foi direto ao explicar o objetivo político do treinamento: "Enviar um sinal claro a qualquer adversário em potencial de que vamos e podemos proteger e defender todos os aliados contra todas as ameaças". O coronel Daniel Bunch, chefe de operações nucleares no quartel-general militar da aliança para a Europa, confirmou que as simulações trabalham com "cenários de alta complexidade".
Partes do espaço aéreo sobre o Mar do Norte ficarão fechadas ao tráfego civil durante as operações. A OTAN frisa que nenhuma arma nuclear real será usada, apenas simuladores, e que o exercício não mira país específico nem se relaciona com eventos recentes.