Pronunciamentos de Leão XIV em meio a situação delicada do mundo hoje

Escrito por Vitor Gomes Calado

Ao engano de que «tudo está mal», corresponde o dito «ninguém o pode consertar». Sendo assim, que posso fazer eu?

Papa Leão XIV

Proféticas foram as palavras do Papa Francisco em sua encíclica Fratelli Tutti, dadas em 2020,

Verifica-se uma triste hipocrisia, quando a impunidade do delito, o uso das instituições para interesses pessoais ou corporativos e outros males que não conseguimos banir, se associam a uma desqualificação permanente de tudo, à constante sementeira de suspeitas que gera desconfiança e perplexidade. Ao engano de que «tudo está mal» corresponde o dito «ninguém o pode consertar. Sendo assim, que posso fazer eu?» Deste modo, alimenta-se o desencanto e a falta de esperança; e isto não estimula um espírito de solidariedade e generosidade. Fazer um povo precipitar no desânimo é o epílogo dum perfeito círculo vicioso: assim procede a ditadura invisível dos verdadeiros interesses ocultos, que se apoderaram dos recursos e da capacidade de ter opinião e pensamento próprios. (Fratelli Tutti, 75)

A declaração do falecido Papa Francisco diz respeito a uma tensão que já estava muito bem madura alguns anos atrás, quando a Carta Encíclica foi redigida: o desânimo, falta de esperança, seguida por uma "ditadura invisível dos verdadeiros interesses ocultos", hoje, o mundo se vê numa epidemia de desesperança, que leva os homens a uma letargia, a se dessensibilizar perante as injustiças ou até mesmo a tomar parte dela, a entrar no efeito das manadas e da polarização. Parecia que Francisco antecipava em seu coração o mundo de hoje. Acerca disso, a fala do Papa Leão XIV reflete bem o ensinamento de Francisco:

"A globalização da indiferença, que o Papa Francisco denunciou, parece que hoje se transformou numa globalização da impotência. Estamos mais conscientes diante da injustiça e da dor inocente, mas corremos o risco de ficar parados, vencidos pela sensação de que não há nada a fazer. Ao invés, não: a história é salva pelos humildes, pelos justos, pelos mártires, nos quais o bem resplandece e a autêntica humanidade resiste e se renova". Disse Leão XIV no X.

Ao engano de que «tudo está mal», corresponde o dito «ninguém o pode consertar». Sendo assim, que posso fazer eu? É precisamente isto que é a "globalização da indiferença" que, hoje é identificada como uma tremenda impotência, há um pensamento quase onipresente de que não há nada que se possa fazer para melhorar nossa realidade. Mas, muito pelo contrário, são estes os momentos que exigem homens de consciência rígida, firmes em seu dever para com a justiça e com Deus, que "ama a justiça e a retidão" (Salmos 33:5). Perante esse mal que permeia tudo, portanto, a devida resposta não é «nada o pode consertar», mas sim lutar para consertar; por isso mesmo, complementou o Papa Leão:

Gostaria que hoje, juntos, começássemos a propor uma cultura da reconciliação. Devemos nos encontrar curando as nossas feridas, perdoando-nos o mal que cometemos e também o que não cometemos, mas dos quais carregamos as consequências. Não existem inimigos: existem somente irmãos e irmãs. São necessários gestos de reconciliação e políticas de reconciliação. Disse no X.

A Igreja alerta para a realidade que está por vir. Sua aproximação com o mundo de hoje é mais suave, mas a proposição de Leão ecoa uma advertência: é um chamado ao arrependimento, à reforma dos costumes, pois, do contrário, tempos terríveis virão.

Hoje, faz-se mais que necessária uma revolução, a "revolução da ternura" da qual falava tanto o Papa Francisco.

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