Polícia paulista deflagra operações contra estrutura financeira de facções
Operações visam lavagem de dinheiro em postos de combustível e tráfico de drogas.
A Polícia Civil de São Paulo executou duas operações simultâneas nesta terça-feira (21) para desarticular a rede financeira do Primeiro Comando da Capital. As ações miram tanto o esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis quanto a fiscalização do tráfico de drogas pela facção.
A Operação Octanagem cumpriu mandados de busca e apreensão em seis postos de combustíveis nas cidades de Santos, Praia Grande e Araraquara. Os estabelecimentos têm ligação com Mohamad Hussein Mourad, identificado como o principal operador financeiro do PCC e que permanece foragido desde agosto.
As investigações apontam que os postos pertencem a Pedro Furtado Gouveia e Luiz Ernesto Franco Monegatto, ambos já investigados na Operação Carbono Oculto. O nome de Himad Mourad, primo de Mohamad, aparece como articulador do esquema. Embora não figure formalmente como proprietário, ele seria o verdadeiro dono de dezenas de postos.
A polícia identificou indícios de triangulação comercial entre os estabelecimentos. Um pagamento feito em Praia Grande foi emitido em nome de um posto localizado em Araraquara, o que sugere movimentação irregular de recursos. Segundo os investigadores, Gouveia possui sociedade em 56 postos, enquanto Monegatto está ligado a 13 postos.
Fiscais da Agência Nacional do Petróleo, do Instituto de Pesos e Medidas e da Secretaria da Fazenda acompanham a operação. Em um dos postos vistoriados, os técnicos constataram adulteração no combustível e fraude nas bombas, que dispensavam menos produto do que o indicado no visor.
A ação complementa a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto com mais de 1,4 mil agentes. Considerada a maior operação contra o crime organizado no Brasil, ela revelou um esquema de sonegação de R$ 7,6 bilhões em tributos e identificou 33 postos ligados à lavagem de dinheiro apenas na Baixada Santista.
Paralelamente, a Operação Auditoria mobilizou 97 equipes para cumprir 38 mandados de prisão e 110 de busca e apreensão na região metropolitana de São Paulo. O alvo foram os "auditores" do PCC, responsáveis por fiscalizar 80 pontos de tráfico.
Os investigadores encontraram nos celulares apreendidos mensagens que detalham a movimentação financeira das bocas de fumo. Um dos pontos movimentou R$ 188 mil em uma semana. Outro chegou a lucrar mais de R$ 700 mil no mesmo período.
O governador Tarcísio de Freitas publicou parte desses diálogos nas redes sociais e reforçou o compromisso do estado com o combate ao crime organizado.