Polônia mobiliza caças após intenso ataque russo na Ucrânia

Escrito por Vitor Gomes Calado

Além da Polônia, OTAN ativa defesas após bombardeio russo atingir fronteira com a Ucrânia.

Um soldado americano do 4º Esquadrão do 2º Regimento de Cavalaria se prepara para disparar um míssil Javelin durante treinamento com tiro real na Área de Treinamento de Grafenwoehr, na Alemanha, em 23 de março de 2025. (Fonte: Departamento de Defesa EUA).

A Polônia ativou aeronaves militares da OTAN no início de sábado após a Rússia lançar um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início do conflito. Os bombardeios russos atingiram regiões próximas à fronteira polonesa, elevando ainda mais o estado de alerta na região.

O comando operacional polonês confirmou o emprego de caças nacionais e aliados em seu espaço aéreo como medida preventiva. "Aeronaves polonesas e aliadas operam em nosso espaço aéreo, enquanto sistemas de defesa antiaérea terrestres e reconhecimento por radar atingiram o máximo estado de prontidão", informou o comando militar.

A mobilização durou cerca de duas horas, das 03h40 às 05h00 GMT, período em que sirenes de ataque aéreo soaram em todo território ucraniano. A Força Aérea ucraniana registrou 579 drones de ataque, oito mísseis balísticos e 32 mísseis de cruzeiro lançados pela Rússia durante a madrugada.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou a ofensiva como "ataque massivo" que resultou na morte de três pessoas e dezenas de feridos. "Cada ataque não representa necessidade militar, mas estratégia deliberada russa para aterrorizar civis e destruir nossa infraestrutura", declarou o líder ucraniano.

O episódio ocorre em contexto de crescente tensão entre Rússia e OTAN. Na sexta-feira, três caças MiG-31 russos violaram o espaço aéreo da Estônia por 12 minutos, episódio que Tallinn classificou como "incursão sem precedentes". Caças italianos F-35 baseados na Estônia, junto com aeronaves suecas e finlandesas, responderam à violação.

A Estônia solicitou consultas sob o Artigo 4 da OTAN, mecanismo que permite a qualquer membro levar questões ao órgão de decisão política da aliança. A reunião está marcada para o início da próxima semana.

Moscou negou as acusações estonianas, alegando que seus voos seguiram "rigorosamente as regras internacionais" sem violar fronteiras. Contudo, a OTAN descreveu o comportamento russo como "absolutamente perigoso".

Este não é o primeiro incidente recente. No início deste mês de setembro, drones russos violaram espaços aéreos polonês e romeno, levando os aliados da OTAN a prometer reforço das defesas no flanco oriental. A Polônia já havia acionado o Artigo 4 após violações anteriores.

Autoridades polonesas identificaram neste sábado o que acreditam ser o último de 24 drones que entraram no território polonês há dez dias. O equipamento foi encontrado em campo no município de Korsze, nordeste do país.

Em desenvolvimento paralelo, Zelensky anunciou encontro com Donald Trump na próxima semana, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. O presidente ucraniano pretende abordar a implementação de novas sanções contra Moscou. "Perdemos tempo se ficarmos esperando sem impor sanções ou tomar medidas que realmente esperamos", afirmou.

O Departamento de Estado americano aprovou nesta semana a possível venda de sistemas de mísseis Javelin à Polônia, no valor estimado de US$ 780 milhões, reforçando as capacidades defensivas do país-membro da OTAN.