Problemas de optimalidade de Capital Humano

Escrito por Aranea

Quem pode ser mais ineficiente no mercado que os próprios seres humanos?

metalúrgico

Tendo a mesma linha de raciocínio do artigo anterior, quero falar agora sobre a optimalidade não de investimentos em capital, nem de produção, mas sim de pessoas. Em essência podemos definir uma nova versão do Traveling Salesman que seria: Dado um orçamento b, e um número de entregas m, encontre o menor caminho entre n cidades em que elas serão realizadas num tempo finito t. E a adição seria o número de caminhões e trabalhadores definidos por p aqui como variável, que devemos executar todas entregos num tempo óptimo.

É claro que quando maior for m e a distância entre esses nodes, mais complexo será o problema, especialmente ser b for curto demais e também t. Afinal, se uma empresa promete fazer entregas a um tempo t e não as cumpre, logo os consumidores se irritarão e passarão a buscar concorrentes que façam o mesmo de forma mais eficiente, afinal, utilidade de desconto aqui (o tempo que as pessoas estão dispostas a esperar) é tudo.

A variável p é demasiado importante, mesmo que tudo dê certo, se os trabalhadores não executarem o serviço com eficiência logo tudo irá para o ralo, discutirei aqui formas de lidar com essa variável aplicando não só para o Traveling Salesman mas para todo o resto da economia.

O óbvio que muitos não querem entender

É um fato que demissões em massa tem um motivo central: reduzir custos desnecessários. Muitos falam desse tema de forma sentimental, mas todo esse sentimentalismo é inútil. É uma pena que pessoas sejam demitidas, eu mesmo já fui demitido injustamente na minha opinião, mas essa é a realidade. Porém, o motivo de empresas como a Tesla, Twitter (X agora), Microsoft, Amazon e etc terem históricos de demissões em massa, significa que encontraram (possivelmente) falhas em sua administração de pessoas, seja das que contrataram ou das que manteram na empresa.

É claro que razões de demissões podem ser inúmeras, porém, ninguém seria idiota de fazer algo que não seria benéfico para a própria empresa, é claro que essas decisões podem ser muitas das vezes equivocadas, mas pense, se o empresário não tiver dinheiro para pagar 50% dos funcionários por problemas financeiros atuais, ele deveria os manter ou os demitir? É óbvio a resposta aqui. É claro que muitos odeiam o fato de pessoas ficarem sem emprego por causa das decisões de empresários visando lucro, mas se você seguir com essa mentalidade, tudo levará a algo próximo do socialismo, e o caminho do meio como dizia Mises (Em "The Middle Road leads to Socialism") leva ao socialismo.

Os Sociais Democratas possuem essa mentalidade voltada a "defender o direito dos trabalhadores", mas é um fato que empresas não são ongs de caridade, e ninguém trabalha em empresas por caridade também. Se você não é pago devidamente, pedirá demissão e isso é natural, logo ambas as partes quando defraudadas irão agir da forma que melhor são beneficiadas, sejam empresários ou trabalhadores.

Sobre a optimalidade de trabalhadores

Isso se aplica a n setores, seria contraprodutivo eu citar todos aqui, ficarei com alguns. Vamos supor que eu tenha criado um aplicativo mediano com cerca de 30 progradores focados no mesmo. Mantendo o Back-end, Front-End, fazendo testes de segurança, adicionando novas funções, UX e etc. O que acontecerá se eu obrigar todos (vamos ignorar as leis por enquanto) a trabalhares em suas funções 24 horas por dia? Eles seriam mais produtivos? Óbvio que não.

Essa ideia é idiota desde o início, visto que ninguém vive para trabalhar, mas trabalham porque vivem. Claro que muitos gostam de seu trabalho, principalmente empresários creio eu (afinal, a empresa são deles), mas nós precisamos nos alimentar, pagar contas e etc, mas se o trabalho consome todo o tempo de nossas vidas, o custo-benefício se torna inerte, o nome disso em inglês é "leisure", que é o tempo de lazer vs. o tempo de produção, de ganhar dinheiro em si, e os dois estão associados entre si.

Por exemplo, se eu trabalhar das 09:00 até as 17:00 com uma hora de almoço, tenho tanto tempo para chegar em casa (depende do tempo de deslocamente de carro ou ônibus), descansar e ter o lazer com família, filhos e etc. Isso é importante naturalmente, pois além do mínimo para sobrevivência, o lazer é parte relevante das nossas vidas, é o que chamamos de descanso.

Embora alguém pode mentalmente aguentar temporariamente períodos de trabalho por mais horas por dia, é impossível humanamente manter a optimalidade do trabalho (não importa quanto café e red bull você consuma), um programador por exemplo tem que pensar nas coisas que está fazendo, dependendo da linguagem se ele ou ela deixar um ";" fora do lugar e não conseguir encontrar o erro, logo perderão tempo tentando o encontrar ao invés de produzir além de onde estavam no código.

O ponto é que: "não necessariamente mais tempo de trabalho, significa mais eficiência de produção". E digo isso especialmente de trabalhos onde uma liberdade criativa é necessária, assim, um tradutor de poemas da literatura russa (de um Pushkin da vida ou Nikolai Gogol) terão sérios problemas de eficiência caso não durmam ou descansem, pois a atenção do córtex pré-frontal (onde modelos de atenção ocorrem) necessita de um descanso mínimo para ser mais eficiente, sua working memory terá problemas em prestar a atenção a informações e sua memória no hipocampo de longo prazo tenderá a se firmar com menor taxa de eficiência.

Mais trabalho, não significa mais resultados

O que quero dizer é que não necessariamente mais tempo empregado em tarefas significa eficiência. Tudo em qualquer setor de gerência é sobre diminuir custos e aumentar a eficiência do trabalho, assim, na área de logística de entregar por exemplo, funcionários demasiadamente exaustos tenderão a cometer mais erros, e assim a ineficiência reinará.

Existem momentos que você deve ter de repente uma semana ou mais de esforço dobrado, em eventos ou timelines de projetos importantes. Escrevendo livros por exemplo, eu já tive momentos que para terminar eles logo tive que aumentar a quantidade de trabalho diário, mas vi que se eu puxasse isso por muitos dias, o número de páginas por dia se reduzia e qualidade também, tinha que parar com mais frequência por falta de atenção, e logo vi que é necessário descansar bem e fazer pausas para se ter eficiência.

É claro que estou falando de taxas acima do normal, estou falando de ir das 09:00 até 23:00 da noite com poucas pausas para comer e etc, tendo evitar ao máximo isso, mas houve épocas que isso era necessário.

A mentalidade workaholic é uma ilusão

Depende. Para um funcionário sim, para um empresário é diferente. O empresário realmente tem que fazer as coisas darem certo, e isso muitas vezes significa sacrificar mais tempo de sua vida para executar tarefas que ninguém pode fazer por ele.

Nem sempre alguém tem condições numa empresa menor de delegar tudo, e logo é necessário que alguém tome as decisões e lide com ligações e mensagens continuamente para resolver problemas de logística, aquisição de empresas, problemas no inventário e etc. Porém, passar longas horas acordado sem parar sem descanso, não pode ser produtivo, e digo isso humanamente, mentalmente por razões óbvias e cognitivas. Neurocientificamente é impossível manter o mesmo nível de atenção com um tempo de descanso e lazer limitado, logo tal estratégia pode na verdade danificar a eficiência e por fim os lucros da empresa dependendo do setor.

A definição do problema e a solução aparente

O problema em si seria: "quantos trabalhadores possíveis trabalhando a uma taxa de horas aceitável, que me trará a maior taxa de eficiência e por fim lucros na empresa?". Isso depende, dados são necessários aqui, e se a estatística mostrar que um grupo de pessoas tem tido resultados que danificam os lucros da empresa, essas pessoas devem ser aconselhadas, e se o problema persistir demitidas.

É claro que somos seres humanos, e bias e decisões emotivas naturalmente nos movem, mas é um fato que uma empresa não é uma ong, logo demissões são naturais. Nem todas de fato serão justas, no sentido de serem boas para a empresa, e isso será culpa do próprio gestor e empresário que colherão os frutos dos erros que eles cometem, e poderão probabilisticamente prejudicar a empresa no longo prazo.

O problema foi definido, mas a solução aparente não existe (fue una trampa). Um bias muito grande existe aqui, é mais fácil quando falamos de autônomos, pois o Uber ou motorista de aplicativo deseja o maior faturamento possível no menor tempo possível, e isso depende da optimalidade das escolhas e estratégias adotadas para executar suas tarefas.

Hoje existe também motoristas de entregas estilo Amazon da vida só que de forma terceirada. É como um uber de entregas talvez, onde alguém pode se inscrever tendo carro (ou alugando também) e fazer entregas para empresas de logísticas nas casas. Todos já recebemos entregas assim, embora para produtos maiores obviamente caminhões que entregam (tipo uma geladeira, não cabem num corsa). Para autônomos sua eficiência é tudo, pois terão mais lazer se forem mais eficientes, ganhando mais por suas estratégias sendo melhores do que as dos outros.

Um bias cognitivo

Empresas podem agir de forma irracional, mantendo cargos inúteis e pensando de forma tradicional que não necessariamente melhorará a empresa num mercado competitivo. Então mudanças buscando eficiência são necessárias, então na próxima demissão em massa de uma Big Tech, alguém deve pensar: "Essas são empresas, um instituições filantrópicas?". E pior: "o que acontece quando empresas demitem um funcionário eficiente, e contratam e mantém os ineficientes", creio que o óbvio ocorreria, mas muitos gestores agem de forma completamente sentimental, e são assim uma ineficiência do mercado.