Putin destaca avanços em arsenal russo e aplicações civis
Planejamento conta até com projeto de base sino-russa na Lua.
O presidente russo Vladimir Putin elogiou nesta terça-feira o desenvolvimento de novos armamentos de seu país, apresentados como ferramentas fundamentais para a segurança nacional e o equilíbrio estratégico global. Durante cerimônia que homenageou cientistas e engenheiros responsáveis pelos projetos, Putin afirmou que as conquistas alcançadas terão impacto decisivo não apenas nas próximas décadas, mas ao longo de todo o século XXI.
O líder russo destacou dois sistemas em particular: o míssil de cruzeiro Burevestnik e o torpedo Poseidon, ambos movidos por propulsão nuclear. Segundo Putin, o Burevestnik viaja a velocidades superiores a três vezes a do som e conta com reatores nucleares compactos que podem ser acionados em segundos, diferente dos reatores convencionais. Na semana anterior, autoridades russas haviam anunciado que o míssil percorreu 14 mil quilômetros em testes e seria capaz de burlar qualquer sistema defensivo existente. Putin mencionou ainda que uma embarcação da Otan estava próxima durante os ensaios.
Quanto ao Poseidon, descrito como um torpedo superpotente de propulsão nuclear, analistas militares avaliam que o equipamento poderia devastar regiões costeiras ao gerar ondas oceânicas radioativas de grande escala. Putin ressaltou que a velocidade do torpedo supera qualquer embarcação de superfície.
Além das aplicações militares, o presidente russo defendeu que as tecnologias nucleares em miniatura desenvolvidas para esses armamentos têm potencial para usos civis. Ele citou operações no Ártico, exploração espacial e até a construção de uma estação lunar como áreas que poderiam se beneficiar dessas inovações. A extração de metais raros também foi mencionada como possibilidade.
O interesse russo na Lua coincide com planos anunciados pela China e Rússia de construir uma usina nuclear automatizada no satélite até 2035. O projeto faz parte da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, iniciativa que reúne mais de uma dúzia de países e se posiciona como alternativa ao programa Artemis, liderado pelos Estados Unidos.
Putin confirmou ainda que a Rússia iniciou a produção em massa do míssil Oreshnik, que teria sido usado pela primeira vez na Ucrânia em novembro de 2024.