Putin diz que mundo vive corrida nuclear e promete novos armamentos
Ao mesmo tempo, propõe prorrogação de um ano de acordo com EUA para evitar proliferação nuclear.
O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta sexta-feira que o mundo já vive uma corrida armamentista nuclear e que Moscou desenvolve novos sistemas de armas atômicas. As declarações ocorreram em coletiva após uma cúpula de ex-repúblicas soviéticas no Tadjiquistão.
Putin disse que a Rússia trabalha no aperfeiçoamento de armamentos nucleares e que espera anunciar em breve os avanços obtidos. "Nossos sistemas de dissuasão nuclear são mais avançados que os de qualquer outro país, e os desenvolvemos de forma ativa", declarou o presidente russo à imprensa em Dushanbe, capital tadjique.
O líder do Kremlin reconheceu que alguns países consideram retomar testes nucleares e alertou que Moscou faria o mesmo caso outros Estados conduzam testes. Ele argumentou que, embora testes possam garantir segurança, representam um obstáculo aos esforços de contenção da corrida armamentista.
As falas coincidem com a aproximação do fim do tratado New START, último grande acordo de controle de armas entre Rússia e Estados Unidos. O pacto expira em fevereiro de 2026 e limita cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance.
Putin afirmou que os meses restantes são suficientes para prorrogar o tratado se Washington demonstrar "boa vontade". Mas minimizou o impacto caso expire. "Se os americanos decidirem que não precisam disso, não é grande coisa para nós", disse, embora tenha admitido que seria "uma pena" perder o último instrumento de controle estratégico entre as duas potências.
O Kremlin propôs manter os limites do New START por um ano após o vencimento, sugestão que o presidente Donald Trump chamou de "boa ideia". O porta-voz russo Dmitry Peskov disse que os comentários de Trump criam "base para otimismo".
Especialistas alertam que o fim do acordo pode desencadear expansões de arsenais nucleares pela primeira vez em mais de três décadas. A Rússia possui 5.459 ogivas nucleares, segundo a Federação de Cientistas Americanos, enquanto os Estados Unidos têm 5.177.
Putin também elogiou a iniciativa de Trump para Gaza e voltou atrás em declarações anteriores do chanceler russo sobre rachaduras nas relações bilaterais. "Continuamos a operar com base nas conversas de Anchorage e não mudamos nada de nossa parte", afirmou.
As declarações ocorrem enquanto mais de um milhão de residências na Ucrânia ficaram sem energia após ataques russos contra infraestrutura energética. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou Putin de intensificar os ataques quando a atenção mundial se voltava para o cessar-fogo em Gaza, chamando a ação de "novo recorde de depravação russa".
Putin disse que fornecimento de mísseis Tomahawk americanos à Ucrânia exigiria envolvimento direto de militares dos EUA, destruiria relações bilaterais e provocaria nova escalada no conflito.