Reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio foi breve, mas produtiva
Brasil e EUA retomam negociações sobre tarifas em encontro em Washington.
O chanceler Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado americano Marco Rubio na Casa Branca nesta quinta-feira (16), isso marca o início concreto de esforços para descongelar as relações comerciais entre os dois países. O encontro, que estendeu-se por pouco mais de uma hora, sinalizou disposição de ambas as nações em reverter a crise diplomática gerada pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros em agosto deste ano.
A conversa iniciou com um diálogo reservado de aproximadamente vinte minutos entre Vieira e Rubio, seguido de reunião ampliada com participação de assessores e Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o chanceler, o encontro transcorreu em clima de descontração, com posições claras e objetivo definido: estabelecer um cronograma para negociações que abordem temas comerciais e questões bilaterais.
"Trabalharemos para normalizar e abrir novos caminhos para as relações bilaterais", afirmou Vieira em coletiva à imprensa. O chanceler reiterou a posição do presidente Lula quanto à necessidade de reversão das medidas adotadas pelos norte-americanos, especificando que tal processo demandará negociação nos próximos dias.
As duas delegações firmaram acordo sobre cronograma de encontros. Uma primeira reunião técnica entre negociadores brasileiros e representantes do governo americano ocorrerá de forma virtual nos próximos dias. Além disso, as partes concordaram em estabelecer um canal direto de comunicação, com Vieira e Rubio trocando contatos para facilitar futuras reuniões.
A nota conjunta divulgada pelos governos após o encontro destacou "conversas positivas sobre comércio e questões bilaterais em andamento". O comunicado reafirmou compromisso mútuo de trabalhar pela realização de reunião entre o presidente Trump e o presidente Lula "na primeira oportunidade possível", embora sem data ou local definidos.
Questionado sobre possível encontro entre os presidentes durante viagem de Lula à Malásia entre os dias 24 e 28, Vieira respondeu com cautela: "Vai depender de coincidirem datas. Mas é algo que vai ser estudado e preparado." O chanceler enfatizou o interesse de ambas as partes em que os líderes se reúnam em breve.
O encontro desta quinta representa avanço significativo nas relações bilaterais. Em julho, Trump anunciou a imposição das tarifas, alegando práticas desleais de comércio e "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A crise se intensificou e só se alterou em setembro durante breve encontro na Assembleia Geral da ONU. No dia 6 de outubro, Lula e Trump conversaram por telefone por trinta minutos, ocasião em que trocaram números de contato pessoal.
Produtos brasileiros como café e frutas sofreram impacto direto com a elevação das taxas, prejudicando a balança comercial entre os países e aumentando custos para consumidores norte-americanos, no Brasil, isso forçou diversos subsídios do governo a empresas e colocou o Ceará em estado de emergência. O governo brasileiro espera que as negociações futuras acarretem revisão dessa medida.
Para além de questões comerciais, as tratativas abordarão temas geopolíticos como tensão entre Rússia e Ucrânia, situação no Oriente Médio e relações com a Venezuela. Pautas ambientais também poderão integrar as discussões, particularmente considerando a relevância do Brasil no debate climático e a realização da COP 30 na Amazônia.
A orientação do presidente Lula, segundo Mauro Vieira, permanece em "manter diálogo com todos os países" e "buscar convergência de interesses com os Estados Unidos". Ainda, a reunião inaugura "um processo auspicioso", isto é, esperançoso, para a reversão do tarifaço e consolidação de relação mais estável entre as nações.