Rússia realiza testes com mísseis em exercício nuclear sob comando de Putin

Escrito por Vitor Gomes Calado

Testes são feitos após adiamento de cúpula com Donald Trump.

Imagem de teste nuclear russo. Fonte: Ministério de Defesa da Rússia.

O presidente russo Vladimir Putin comandou na quarta-feira, 22 de outubro, uma série de exercícios estratégicos que envolveram o disparo de mísseis balísticos intercontinentais e de cruzeiro, segundo informou o Kremlin. A operação mobilizou a tríade nuclear completa do país—sistemas terrestres, marítimos e aéreos.

Do cosmódromo de Plesetsk, próximo ao Círculo Polar Ártico, a Rússia lançou um míssil balístico intercontinental Yars em direção a uma área de testes na península de Kamchatka, no Extremo Oriente russo. Também participou dos testes um submarino estratégico, que disparou da região do Mar de Barents um míssil balístico Sineva, com alcance de até 11.500 quilômetros. Bombardeiros Tu-95MS executaram ataques com mísseis de cruzeiro de longo alcance contra alvos predefinidos.

Putin acompanhou os exercícios por videoconferência da central de comando do Kremlin e descreveu as manobras como parte do calendário regular de treinamento. O líder russo já havia supervisionado exercícios nucleares semelhantes em outubro de 2023 e 2024. Segundo o comunicado oficial, a operação testou a prontidão dos comandos militares e a capacidade do pessoal operacional de organizar e controlar as unidades subordinadas. O Kremlin afirmou que todos os objetivos foram alcançados.

Os testes ocorrem em meio a tensões entre Moscou e o Ocidente. Horas antes do exercício russo, Trump anunciou o adiamento de uma cúpula com Putin que aconteceria em Budapeste, na Hungria. O encontro deveria discutir um possível acordo de cessar-fogo na Ucrânia, mas foi suspenso porque o presidente americano considerou que poderia ser uma "perda de tempo".

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, manifestou em conversa com o secretário de Estado americano Marco Rubio a oposição de Moscou a um cessar-fogo imediato na Ucrânia. Lavrov argumentou que uma trégua permitiria a Kiev se rearmar e continuar ataques contra infraestrutura energética russa, ações que Moscou classifica como "atividades terroristas".

A operação militar russa aconteceu uma semana após a Otan iniciar seus exercícios nucleares anuais, que envolvem cerca de 2.000 soldados, 71 aeronaves e 14 países em bases da Holanda, Bélgica, Reino Unido e Dinamarca. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que as forças russas analisam essas manobras ocidentais e adotam "medidas apropriadas" para preparar o potencial militar do país.

Putin declarou recentemente que a Rússia desenvolve e testa "de forma ativa" novas armas nucleares e que a capacidade de dissuasão nuclear russa supera a de qualquer outra potência atômica. Os exercícios também ocorrem em meio a incertezas sobre o futuro do Novo Tratado START, último acordo de controle de armas nucleares entre Rússia e Estados Unidos, que expira em fevereiro de 2026.