Tensões no Caribe aumentam

Escrito por Vitor Gomes Calado

EUA têm maior concentração militar na região desde última invasão no Panamá.

Foto do USS Gerald Ford.

O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, chegou ao Caribe na terça-feira, 11 de novembro de 2025, marcando a maior concentração de forças militares americanas na região desde a invasão do Panamá em 1989. A embarcação nuclear transporta mais de 4 mil marinheiros e dezenas de aeronaves de combate, somando-se a oito navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35 que já operavam na área.

O Pentágono justifica o deslocamento como parte dos esforços para combater o tráfico de drogas e desmantelar organizações criminosas transnacionais. Nos últimos meses, forças americanas destruíram cerca de 20 embarcações suspeitas de transportar drogas nas costas da Venezuela e da Colômbia, matando pelo menos 76 pessoas em 17 operações. A administração Trump classifica os ocupantes dessas embarcações como "narcoterroristas", membros de organizações terroristas estrangeiras que representam ameaça aos americanos.

A Venezuela respondeu com mobilização militar em massa. O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, anunciou exercícios militares envolvendo quase 200 mil soldados e milicianos, colocando todo o arsenal do país em alerta máximo. Batizado de "Plano Independência 200", o exercício ocorreu em resposta à "ameaça imperialista" representada pelo acúmulo de forças americanas. Padrino declarou que os venezuelanos estão "unidos para defender esta nação até a morte" contra qualquer intervenção estrangeira.

O presidente Donald Trump afirmou que os dias de Nicolás Maduro no poder "estão contados", embora não tenha confirmado planos para removê-lo. Trump autorizou operações da CIA na Venezuela em outubro.

As ações militares americanas provocaram reação diplomática adversa. O presidente colombiano Gustavo Petro suspendeu o compartilhamento de inteligência com Washington, classificando os ataques com mísseis como "ilegais" e "ineficazes". O senador democrata Tim Kaine chamou a estratégia de "erro catastrófico", alertando que o acúmulo naval pode ser interpretado como prelúdio de ataque e provocar resposta hostil da Venezuela.

A Organização Human Rights Watch, através de sua diretora para as Américas Juanita Goebertus Estrada, classificou os ataques às embarcações como "execuções extrajudiciais", argumentando que grupos criminosos devem ser derrotados nos tribunais, não executados com base em suspeitas. Goebertus observou que a suspensão colombiana de cooperação com os EUA impactará a capacidade de combater grupos criminosos que ameaçam defensores de direitos humanos e recrutam crianças.

O analista Mark Cancian, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, observou que a chegada do Gerald R. Ford inicia uma "contagem regressiva" para a próxima ação de Trump na América Latina, já que o porta-aviões não pode permanecer na região indefinidamente.